Alguns ecos...

Alguns ecos: a maioria destes textos é tecida de matéria prima que Laura me oferece, e também das várias leituras a que ela me induz, mas que muitas vezes, introjetadas, não consigo nem mais citar a fonte. Contudo todas elas podem e devem ser acessadas por meio dos meus Gadgets.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Estamos no Mamíferas!

 
Há 18 meses, minha preciosa fora coroada! Parece que foi hoje! Ainda revivo, a cada noite na hora de dormir, esses que foram os momentos mais importantes da minha vida, quando meu querido marido chorava, gritando emocionado: “Nasceu! Graças a Deus, a Laurinha nasceu!”.

Graças a Deus.

Hoje minha filha é do mundo. Está neste planeta o dobro do tempo que viveu em mim! Quantas saudades... Como ela mesma diz: saudades de quando ela morava “dentro do barrigão”! Felicidade por tê-la hoje aqui – linda, vívida, esperta, desperta!

Laura é muito especial! É a criança mais viva que um dia sonhei conhecer. A mais linda que jamais pude querer! Seu olhar, curioso, é inimitável, despido de preconceitos, inquieto, deslumbrado, enxerga a tudo com a pureza de quem vê pela primeira vez.

Laura é doce! Carinhosa e companheira! Com uma sensibilidade super aguçada, dá provas de que compreende bem tudo o que se passa, compadece-se com as situações, oferece seu abraço, seus muitos beijos e sua massagem!

Ela sabe o que quer. Mostra a que veio. É determinada, valente, obstinada. Nossa! Como é obstinada! Desde seus cinco meses de vida nos perguntamos: “Como é possível caber tanta personalidade em um corpinho tão pequeno!

É faladeira como ninguém! Fala desde que completou o primeiro ano. Fala tudo e, quando não sabe como falar, fala também. Inventa suas próprias palavras. Algumas são coringas: “Adê” é a interrogativa que serve tanto para “o que”, como “por que”, e “pra que”. “Aum”, que segundo o pai é o princípio de tudo - a primeira letra do alfabeto e o primeiro número – designa todo o resto que ela não sabe falar.

Eu tenho vivido assim... Aprendendo sempre!

Há oito meses fui convidada para escrever no Blog das Mamíferas sobre essa aprendizagem. Nossa! Que honra! Fiquei embaraçada. Muita responsabilidade. Rascunhei o texto que agora decidi, enfim, publicar, aqui. Ele continua atual. Parece que, a cada dia, mais vívido e intenso. Traz um pouquinho de nós, de como decidimos encarar esse encontro que nos une na Terra. E como temos tentado viver, lutando a cada dia, para encontrarmos a tal felicidade...

terça-feira, 3 de maio de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

20 Meses depois... mais um parto sem intervenções: a volta ao trabalho

Nossa, como ando sumida do blog!!! Juro, assunto é o que não falta! Ai, gostaria tanto de compartilhar todas as experiências... vejam só, não consegui ainda escrever sobre a Introdução à Alimentação Complementar da pequena, mas renovo meu compromisso em dividir isso com outras mães, já adiantando que com 1 ano, Laura continua uma "mamona"!!! Não escrevi sobre a experiência do engatinhar, do nosso mergulho na Medicina Antroposófica, da nossa adesão irrestrita à Alimentação Orgânica, da Festa Vegetariana e livre de açúcares do aniversário de 1 ano da minha querida filha!!! Mas tenho certeza de que todos estes assuntos serão temas para novos posts que, com certeza, irei me dedicar.
Hoje quero falar da minha volta ao trabalho: dizer que tudo foi muito mais tranquilo e orgânico do que podíamos (eu, Wilson e Laura) imaginar.  É que, com muito planejamento, tivemos a graça de passar por essa experiência quando Laura já estava prestes a completar 1 ano. Taí, acho que foi o tempo ideal! Nem menos, nem mais. Eu e minha filha pudemos nos curtir, e mais que isso, vivenciar todo o nosso processo de separação sem culpa, dor e atropelos. (Agora terei que trabalhar mais 3 anos consecutivos, sem direito às férias, para propocionar o mesmo tratamento ao BB2, hahahahahaha, ou me preparar para fazer diferente, já que o melhor é o possível!).
Durante os primeiros 11 meses de vida, Laura teve uma mãe completamente à sua disposição. Colo, peito, amor irrestritos! Tudo o que extrapolasse essa tríade, era assunto de segunda ordem em nossa rotina. Eu tive o privilégio de me deliciar de perto com todas as primeiras experiências e descobertas, foi um processo muito intenso e delicado. Tivemos todo o tempo do mundo para compreendermos, juntas, que nos tornamos dois seres independentes uma da outra, mas eternamente ligadas por um amor cúmplice e seguro que foi se construindo desde o ventre. 
O principal ensinamento que Laura me proporcionou foi de que tudo tem sua hora e que paciência é o ingrediente fundamental, não pode faltar! Ai, confesso, claro, as angústias sofridas em horas e horas seguidas de cadeira de balanço amamentando, enquanto todo o serviço da casa tinha que esperar. Ah, tinha que esperar!!! Respeitar as necessidades, os desejos, a vontade própria daquele serzinho que acabara de chegar... Tendo sempre em  mente o mantra: "tudo é fase e vai passar"! Respeitei e muitas delas já se passaram... deixando saudades, mas a certeza de que valeram à pena. Como valeram!!! E ainda me perguntam porque minha filha é tão alegre, "tão tranquilinha", tão segura, capaz de passar um dia inteiro com pessoas amigas, mas, a princípio, estranhas a ela, longe do pai e da mãe, sem reclamar!
Hoje, Laura não necessita mais do meu colo 24h por dia, quer mesmo é correr a casa engatinhanho, ou se agarrando nas paredes e nos móveis. "Dandá"! Nossa! Que alegria aquele sorriso ainda desdentado que expressa a felicidade da curiosidade, da conquista, da liberdade, do serzinho que quase anda, cambaleante. Da segurança de que o colinho encontra-se ainda disponível quando ela quiser e precisar voltar.
Laura (ainda que tenha como preferência número 1 o peitinho da mamãe), não faz da Livre Demanda desculpas para se manter plugada 24h no mamá. A transição para outros tipos de alimentação tem sido lenta e gradual, mas plena em sua evolução. Não tivemos e ainda não temos pressa: Laura experimentou outros sabores (frutas) com quase 7 meses de idade (quando já se mantinha sentada sozinha, há quase dois meses; quando já não mais tinha o reflexo da língua e podia engolir o alimento sólido; quando já podia, autônoma, aceitar ou recusar). Devagarinho, ela experimentou, um por um, os sabores dos legumes, das verduras, dos cereais, das oleaginosas. Nos mostrou tendências de um paladar que ainda está a se formar. Com 8 meses, teve respeitado o seu desejo de voltar à Amamentação Exclusiva. E agora, depois que a mamãe saiu para trabalhar, é capaz de bater um pratão, tomar suco e ainda exigir a frutinha como sobremesa, carinhosamente preparados e oferecidos pelo papai.

Mas, claro, nem tudo são flores...

Fácil não é. Ainda mais quando se opta por caminhos que, à primeira vista, parecem mais difíceis. Mas os parcos espinhos de hoje, tenho a convicção, serão flores que já vemos brotar.
No último post que publiquei, tive a oportunidade de falar sobre nossa escolha (minha e do Wilson) em não oferecer à Laura nenhum tipo de bico (chupeta, mamadeira, copinhos de transição...). E, certamente, isso foi um dificultador em nossa adaptação. Afinal, bico serve de consolo (eu acho que é engodo) e mamadeira faz bem o serviço para os pais. MAS... as consequências, na nossa opinião, com certeza, nos dariam muito mais trabalho e nos fariam menos felizes, com a consciência menos em paz.
Uns dois meses antes de voltar ao trabalho, comprei uma bomba de tirar leite e dei início às tentativas do estoque. Ainda que Laura já estivesse apta a comer outros alimentos, achava importante deixar meu leite à disposição para ser dado no copinho de cachaça, com o qual ela bebe água e, raríssimas vezes, suco (não dou leite de vaca pois entendo que leite de vaca é para bezerro, o leite da Laurinha nasceu com ela, nos seios da mamãe). A ideia era que, pelo menos, Wilson conseguisse dar a ela o leite materno misturado às frutas e cereais. Mas, nosso investimento foi praticamente em vão... A espertinha não aceita o leitinho fora da fonte nem por decreto! É capaz de identificá-lo em meio às frutas e a recusa é veemente. Se fosse na mamadeira, TALVEZ aceitasse... O resultado é que a garota agora se pluga em meu peito às 16h e se solta Deus sabe lá a que horas da manhã do dia seguinte... quando então saio para trabalhar. Aceita o jantar muito mais ou menos, mas ainda exige, a cada duas colheradas de comida, uma pausa para mamar. Assim vamos seguindo, até que ela se sinta pronta para romper mais este vínculo, ao que, tenho certeza, não se furtará.
Na primeira semana, pensamos que dormir longe do peito fosse ser mais uma dificuldade. Mas essas criaturinhas são espertas. Passado 1 mês, Laura já entende a rotina proposta pelo pai. Depois da fruta da manhã, é hora do banho morninho, uma musiquinha calminha, um aconchego no colinho e taí, a sonequinha da manhã ainda é irregular, às vezes tarda, mas não falha. E a danadinha que antes dormia, no máximo, uns vinte minutinhos, é capaz de passar 1 hora inteirinha adormecida para que Wilson tenha tempo de preparar o "papá".
Ah, a preparação do "papá" também foi um pouco difícultada quando voltei a trabalhar. Nossa opção em oferecer à Laura apenas alimentos orgânicos e não oferecer-lhe nada, nada, nada industrializado, muito menos "bicho morto", deu-nos um pouco mais de trabalho. Seria mais fácil se optássemos por recorrer às papinhas envidradas, aos eventuais congelados. Mas não. Mantivemo-nos firmes pela opção da alimentação natural e, sobretudo, alimentação viva. A solução foi estender a comida saudável da Laura a todos da casa. Resultado: hoje, todos comemos alimentos orgânicos, biodinâmicos, e, na medida do possível, até eu e Wilson temos tentado nos livrar do açúcar (utilizamos o mascavo, mel e rapadura), pois até o nosso café da manhã já está sendo "filado" pela piquitita. O jeito foi a mamãe se virar e diversificar os dotes culinários: tenho feito bolos e pães integrais, com frutas secas, nozes, castanhas, e todos saimos ganhando. Não raro ficamos, eu e Wilson, na cozinha até a 1h da manhã.
A única concessão às nossas escolhas é que às vezes usamos a fralda descartável. Entre lavar as fraldas de pano e curtir os momentos junto à Laura, tenho ficado, sem dúvidas, com a segunda opção. Mas sei também que é uma questão de dar tempo à nossa adaptação à nova rotina.
Escrito assim, parece que esse segundo parto foi sem atribulações. Não foi não. Mas seguimos firmes em nossa opção pelo natural. Nada de muletas, berçário e babás... Aos poucos vamos, os três, nos adaptando às necessidades uns dos outros. O Wilson fica mais cansado, ainda assim é capaz de segurar a onda sozinho por uma meia horinha de manhã para que eu possa me refazer da noite (dormida torta, amamentando). Laura faz a parte dela, que é se manter feliz e saudável. Hoje, quando peço a ela que diga "mamãe", a danada logo responde com o sonoro desafio: "papai!", hahahaha!!!E eu? Eu me explodo em satisfação. E quer saber? Achei que ia sofrer horrores longe da pequena, mas preciso confessar que não sofro nada. As horas que passo no trabalho são preciosas. É meu reencontro com minha solidão. Depois de 20 meses, eu revivo a sensação de ser só eu, na certeza de que no fim da tarde vou novamente me explodir em beijos e abraços. Por isso, na estrada, de volta pra casa, eu "corro, corro demais, corro demais, só pra te ver meu bem....".
Jamais poderia imaginar que faria isso por outra mulher. Mas faço, por você eu faço tudo, minha pequena grande Laura!!!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Copinhos de Transição: não caia nessa pegada!

Pensei que iria esgotar o assunto no post anterior, mas o fato é que em meus ciclos de convivência o tema tem dado mais pano pra manga do que eu poderia pensar... Cheguei a ser chamada de xiita e acusada por julgar mães que decidiram por escolhas contrárias à minha. Mas, muito longe de fazer um mea culpa, volto para reafirmar, de forma breve, o porquê da minha opção por não usar chupeta, mamadeira ou copinho de transição.

Recebi alguns emails e ouvi comentários de amigas também dizendo que “um pouquinho só não faz mal”... Ora, oferecer chupeta só para o bebê adormecer, dar a mamadeira só durante as mamadas noturnas, usar o copinho de transição só quando precisar... O problema é o “só”, até quando este tipo de necessidade será estendido. Até que se crie um hábito?

É claro que precisamos fazer algumas escolhas que vão de encontro às nossas convicções, pois são momentos em que necessitamos optar pelo “menos ruim” (sic). Mas isso não quer dizer que deixam de ser escolhas um pouco piores das que seriam o ideal. Optar por um parto cirúrgico quando o bebê está realmente em risco é uma escolha razoável, nem por isso é boa, nem por isso a anestesia deixará de fazer mal à criança. Optar pela indução do parto normal, às vezes, pode ser razoável, mas nem por isso a ocitocina sintética deixará de trazer algum tipo de conseqüência para a mãe e para o bebê. Optar pelo uso de mamadeiras, complementos artificiais e afins pode ser necessário, claro, mas nem por isso passa a ser o melhor.

Mas agora, venhamos, copinho de transição é demais! O que não faz a indústria do consumo para ludibriar mães de primeira viagem que, assim como eu, acreditam que podem comprar o que julgam melhor para seus filhos, quando, na verdade, o melhor é tão simples e está tão disponível a todas nós.

Em primeiro lugar, copinho de transição é eufemismo puro! Mas se algumas consciências se mantêm em paz com as novidades da puericultura, não seria a indústria e o comercio os mais indicados a dar o braço a torcer e estampar em suas embalagens: “Este produto é similar a qualquer mamadeira. A única diferença é que ele vem com alças, o que pode 'facilitar' ainda mais a sua vida e a do seu bebê!”. Facilidade que pode custar mais do que se imagina. E, por falar em custo (financeiro propriamente dito), copinho de transição é um artefato mais caro, exatamente porque vende este conceito da diferença, da evolução. O que, na verdade, é balela.

Em segundo lugar, transição de quê para quê? Se o bebê mama no peito (ou pelo menos deveria) e por n motivos (muitos deles alheios à vontade da mãe) precisa se alimentar fora da fonte original, porque precisaria passar por uma transição do peito para uma mamadeira com alças? Melhor ("menos ruim") seria então (ou menos ilusório) que o bebê mamasse direto na mamadeira, pois assim se evitaria uma falsa tranqüilidade na consciência das pobres mamães que, dessa feita, fariam mais esforços para, logo que possível, se livrarem dessa situação.

Se, como o próprio nome já diz, esses copinhos serviriam apenas para fazer a transição para copos normais, porque é que a maioria das crianças permanece com o hábito por anos e anos? Por praticidade? Por que não derramam nem se quebram? Por que a criança se acostumou, se afeiçoou... enfim... Qual é o nosso papel de mães e pais?

Ora, se um adulto tem dificuldades para manusear um copo de vidro ou ofertar líquidos a um bebê com a colher, o que esperar do filho que precisa aprender a controlar os movimentos, a força, a coordenação motora? Parece-me mais razoável que se eduque primeiro então os pais, os cuidadores, as babás e as mães.

O que não vale mesmo é, por comodismo, incutir nos pequenos hábitos e estímulos que podem lhes ser cobrado caro no futuro. Segundo a odontopediatra Andréia Stankiewicz, hábitos orais poderão ser perniciosos a depender de uma série de variáveis e não apenas do hábito em si. Por exemplo, o tempo versus a duração e a intensidade do hábito, associado ao biotipo da criança, pode fazer estragos para a vida toda. “O estudo da biotipologia nos mostra que existem crianças que são mais vulneráveis ao desenvolvimento de problemas, mesmo que o tempo versus duração e intensidade do hábito não sejam significativos. Normalmente são as crianças mais gordinhas (endoblásticas) ou aquelas bem magrinhas, com o rostinho mais fino e comprido (ectoblásticas) as que sofrem mais com os maus estímulos do meio. Por outro lado, crianças que têm um predomínio muscular (mesoblásticas) ou equilíbrio dos tecidos (condroblásticas) apresentam biotipos mais resistentes”, explica.

Ela alerta para o fato de que a questão não é de ser ou não ser radical, mas compreender o mecanismo de sucção envolvido sem ficar preso aos rótulos: se é mamadeira, copo de transição, com bico duro, com bico de silicone ou com canudo. Dá tudo no mesmo!

“Quando existe uma sucção onde o líquido precisa ser extraído a vácuo (com a criança literalmente chupando), alguns músculos serão requeridos de forma diferente do que o aleitamento no peito, onde ocorre a ordenha do leite, sem pressão negativa dentro da boca, exceto na hora que o bebê posiciona o mamilo quase na garganta. Inclusive, quanto mais difícil de sair o líquido, mais esforço (errado) essa musculatura precisará fazer. E talvez isso atrapalhe o amadurecimento de algumas funções”, completa.

O que queremos dizer com este post é que existem outras opções, talvez menos bonitas ou coloridas ou divulgadas, e que não prejudicam o desenvolvimento orofacial e nem o organismo do seu bebê como um todo. E exemplos não faltam: copos ou xícaras comuns, mamadeira-colher, colherinha, conta-gotas, seringa, copo de cachaça. Algumas dessas devem se adaptar a maridos estabanados, cuidadores e babás destreinadas, mães muito atarefadas. Invente a sua!

Livre-se da ilusão de que 'um pouquinho só não faz mal' ou 'meu irmão chupou chupeta e usou copinho de canudo a vida inteira e tem os dentes lindos!!!'. "São estas crianças (que geralmente as pessoas falam que fizeram isso e aquilo e chuparam chupeta e tomaram mamadeira e etc e nada aconteceu) que, em geral, apresentam bruxismo e uma mordida profunda, sem que esteticamente existam grandes alterações", desmistifica (e desmitifica!) Andréia.


Mamãe eu quero, mamãe eu quero chupeitar...
...só dá chupeta a mamãe que não quer dar mamá


Há muito estou precisando voltar os olhos e os dedos (principalmente) para as bandas de cá. Mas, como este mês comecei a trabalhar de casa, o tempo anda ainda mais escasso.

Por outro lado, o que não falta é assunto... Laurinha completou seis meses, há dois sarou da assadura (estou devendo um post sobre como exterminar assadura por fungos e, consequentemente, sobre leite materno x reflexo gastrocólico); há um, se livrou totalmente do refluxo gastroesofágico (mais uma dívida de post!); iniciamos a INTRODUÇÃO à alimentação COMPLEMENTAR (e este é um post que vai render pano pra manga, pois quero muito dividir minha experiência com todas as mamães de primeira viagem que por aqui passarem).

Depois, quero contar também sobre a aula de baby-yoga que participamos, sobre a nossa incursão na medicina antroposófica e sobre a experiência com a primeira e bendita febre na vida da minha pequena! Puxa, como esses cinco e seis meses vieram cheios de novidades!

Como tem sido um assunto recorrente não só nos fóruns de discussão que participo, mas entre papos de amigas e vizinhas, vou hoje, finalmente, falar sobre minha opção pelo NÃO uso de chupetas.

Na verdade, sempre fui radicalmente contra, a começar por ser uma muleta da qual se lança mão até quando (e somente!) é conveniente à mãe. Este mês, depois de comprar um copinho de transição para apresentar água e sucos à minha pequena, bateu-me uma grande dúvida! Percorri lojas e drogarias atrás de um modelo que fosse mais orgânico, cujo bico não permitisse o livre fluxo de líquidos, que exigisse a sucção, que fosse de silicone, que fosse livre de Bisfenol A, que tivesse a famosa válvula que impede a formação e a passagem de gases.

Ou seja, uma maratona: passos de uma mãe de primeira viagem. Para no fim, Laura fazer a maior disfeita! Simplesmente usou o copo como mordedor. Depois que se cansou, o mandou longe. E, claro, caiu de boca no peitinho da mamãe.

Cá entre nós, minha filha é inteligente. A natureza cuidou de dotá-la, assim como a todos os bebês, de instinto de sobrevivência. Não há enganação. Eles sabem o que é melhor. E eu, humildemente, a obedeço! Vamos à compra de um copinho, sem bicos, sem válvulas, sem silicone, sem muita perfumaria, sem a necessidade de chupação.

Chupeta passada em revista

Pelo que ando estudando, percebo que, atualmente, a chupeta (e, em consequência, mamadeiras, chuquinhas e copinhos com biquinhos, canudos e afins) tem sido desaconselhada até mesmo por pediatras mais conservadores, por causa da possibilidade de que ela interfira negativamente não apenas na formação da arcada dentária, do palato, mas na respiração, na deglutição, na mastigação e na fala, como também, o que é ainda mais assustador, no processo de aleitamento materno, entre outros motivos.

Tem-se verificado que crianças que chupam chupetas, em geral, são amamentadas com menos frequência (claro, nada como um "cala a boca" para as mamães menos determinadas à amamentação), o que pode comprometer a produção de leite. Embora não haja dúvidas de que o desmame precoce ocorra mais comumente entre as crianças que usam chupeta, e, ainda que não sejam conhecidos os mecanismos envolvidos nessa associação, não é difícil inferir que o problema está diretamente relacionado à facilidade com que a mãe encontra um aliado para se desimcumbir da função de prover amparo, carinho, distração, calor e aconchego à criança.

É até possível que aconteça uma inversão na ordem dos fatores, ou seja, que o uso da chupeta seja um sinal de que a mãe está tendo dificuldades na amamentação ou de que tem menor disponibilidade para amamentar. Mas é inegável o fato de que o produto é mais uma das novidades que a puericultura tratou de introduzir na vida moderna para, desvirtuando a autêntica relação fêmea-filhote, aumentar os ganhos financeiros das indústrias e empresas que se mantém neste tipo de negócio, assim como foi com o leite artificial, com a mamadeira, com os carrinhos de carregar bebês, com as fraldas descartáveis, com os lencinhos umedecidos e com um número infindo de outros artefatos industrializados.

Não bastasse esse papel desarticulador da relação materna, a chupeta pode ainda ser responsável por uma ocorrência maior de infecções, como candidíase de boca (sapinho), otite média, estomatite, amigdalite, faringite e outras tantas "ites" que são infecções contraídas por contaminação oral, além das terríveis cólicas causadas por gases que se ingere durante a sucção.

A relação entre o uso da chupeta e a lactância

Estudos comprovam que os malefícios que podem vir à tona a longo prazo se estendem às mamadeiras e aos copinhos de transição. A comparação de crânios de pessoas que viveram antes da existência dos bicos de borracha com crânios mais modernos sugere o efeito nocivo dos bicos na formação da cavidade oral.

"Todos os copinhos que a criança precisa sugar através da formação de uma pressão negativa intra-oral não são funcionais e podem alterar a rota de crescimento dos ossos da face, por prejudicar as funções, trabalhando os músculos errados. Como consequência, aumentam-se os riscos de desenvolver respiração bucal, má-oclusão, patologias respiratórias, distúrbios de fala, problemas mastigatórios e deglutição atípica", diz a odontopediatra Andréia Stankiewicz. Além, é claro, de, como falado anteriormente, levar ao desmame.

Para sugar o peito, o bebê além de ter que se esforçar - colocando em funcionamento uma horda de músculos faciais - precisa "esperar" pela descida do leite. Mamadeiras, chuquinhas e copinhos de canudo contribuem para o desgringolar deste processo. Com o fluxo maior de líquido que esses artefatos permitem, em uma presteza que basta virar o recipiente, o bebê simplesmente se torna acomodado e, certamente, desaprende a pega mamária. A consequência, que tem como resultado invariavelmente o desmame, pode ser, além de fissuras causadas no seio, a sub-lactância, ou seja, bebê desnutrido: prato cheio para os entusiastas do complemento artificial.

A esse respeito, veja pesquisa realizada pela Liga do Leite - uma organização internacional não governamental, sem fins lucrativos, que oferece informação e apoio às mães que desejam amamentar seus filhos.

ChuPEITAR ou não chupetar, eis a questão!

Não raro, tem rolado nas listas de discussão das quais participo a polêmica: "e se o seu bebê fizer seu peito de bico?". De cara, recomendo a quem pensa que o peito da mãe serve apenas à alimentação do filhote que prossiga com essa leitura. Ora, se não for fazer o meu peito de bico vai fazer o peito de quem? Da vizinha?

Aquela velha história que se ouve das amigas, avós e até de profissionais da saúde - "essa menina está te chupetando e vai ficar mal acostumada"-, já venceu, não já não? Primeiro porque o que é natural e original é o peito e não a chupeta; segundo, porque não há nada de mal em a criança chupeitar a própria mãe. Ao contrário, sinal de bebê normal e esperto, que sabe o que é bom, barato, e saudável.

E, de mais a mais, isso é discurso de mulheres que ainda estão presas à revolução feminista, quando foram para as ruas queimar sutiãs e decretar sua liberdade! Mas hoje, os tempos são outros. A mulher pode provar ao mundo que é capaz de agir profissionalmente em pé de igualdade com os homens, sem precisar se abdicar da maternidade ativa!!! E para a mulherada que perdeu a oportunidade de viver sua feminilidade plena é muito difícil dar o braço a torcer e concordar que maternar com amor e disponibilidade é uma forma de empoderamento muito mais orgânica e eficaz que sair às ruas queimando peças íntimas, enquanto os filhos são deixados em casa com babás, televisões, mamadeiras e chupetas. Admitir isso seria dar a mão à palmatória, e amargar um tempo que não há mais como voltar atrás. 

Afinal, para além do Leite Materno - que é o alimento ideal e perfeito para qualquer filhote -amamentar é o contato mais divino, mais sagrado, de troca entre mãe e filho. Ora, bebês não necessitam apenas de alimento para o corpo, mas, sobretudo, de alimento para a alma recém-chegada neste novo planeta; precisa ouvir e sentir a respiração da mãe, o barulho do seu coração, precisa do seu calor, precisa se sentir aninhado, tal qual esteve durante nove meses, na barriga. Sobreviver longe do ninho em que estivera protegido, onde não necessitava sequer fazer esforço algum para matar fome e sede, e ainda ter que driblar as adversidades de temperatura e som totalmente novas para ele é muito difícil. Sem falar da necessidade de sucção, que é fase do desenvolvimento pela qual qualquer ser humano precisa passar. Freud explica!

Filhotes precisam de tempo para se acostumar à vida, aos seus corpos em formação, a todas as sensações que o seu organismo em recém-funcionamento lhes apresenta. Precisam de tempo para aprender suportar ou lutar contra a fome, a sede, o frio, o calor, as cãibras, a dor. E ainda que a mãe supra tudo isso... ainda assim, precisa de mais peito! Bebê é gente, sente medo, tédio, solidão... E, de mais a mais, quanto mais se oferece aos bebês, de forma natural, aquilo de que eles precisam, tão mais rápido eles aprendem a suprir suas necessidades sozinhos. Ou seja, bebê amado é adulto independente, seguro e feliz!

Mal acostumadas são mães que negam ao bebê aquilo que é dele por direito!  Mal acostumadas são mães que precisam se desdobrar em mil e uma mulheres para provar ao mundo que têm poder.

Agradeço às maternas Luzinete Rocha de Carvalho e Andréia Stankiewcz pelas palavras pegas emprestadas e pela inspiração!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Eu materno, ele paterna e nós declaramos o nosso amor



Há quatro dias, nossa Tuquinha completou 5 meses! No dia, 11 de setembro, publiquei uma carta que escrevi a ela, com o objetivo de deixar aqui registrada, para quando ela puder folhear (ops!) essas páginas da nossa vida. Hoje, com imenso orgulho e prazer, publico essa linda declaração do Papai-Corujão, que, pela primeira vez, nos deu a honra de participar dessa escritura...

"Querida Laura,

Escrever sobre você, sobre o quanto sua chegada – há exatos cinco meses – representou, acaba tornando-se algo difícil. Pois sempre acabo falando de mim mesmo. Estou tentando fugir de coisas como a experiência sublime de ser pai, o quanto sua chegada me transformou como pessoa, ou como encontrei uma razão para minha desorganizada, egoísta e incompleta vida. Tudo isso é verdade, filha, mas quero falar de você, a pessoa mais especial que surgiu neste planeta. E de que forma surgiu!

Sua chegada, querida filha, se deu em meio ao perfume dos incensos, à luz tranqüila de velas coloridas e às doces harmonias de uma Ave Maria. Inesquecíveis momentos!

Seus olhos calmos e ativos, passeando pelo quarto e quedando sempre nos olhos marejados de sua mãe, em uma incrível troca de sentimentos, o zelo das parteiras, cercando vocês duas de cuidados, de um carinho que transcende e muito o aspecto profissional e que vai habitar o terreno do humano em um momento tão singular da vida de três pessoas... É impressionante a paz que me inunda ainda agora e me faz emocionar. Mal sabia eu que aqueles mesmos olhinhos que eu contemplava pela primeira vez seriam os olhos mais brilhantes que jamais tive a oportunidade de mirar e admirar. 
Lembro-me agora do maravilhoso cartão que ganhei na ocasião do meu aniversário. Todos deixaram lindíssimas mensagens, lindas mesmo, mas quero falar sobre as linhas escritas por meu pai. Primeiro porque era uma mensagem escrita por um pai - o que tento fazer agora -mas, sobretudo, pela sabedoria e simplicidade que encerram. Transcrevo uma parte:

“...Agradeço a Deus muito pelo presente que você ganhou, e também nós. Esta linda filha, que Deus abençoe sempre. Obrigado à você e à Letícia...”

Você, Laura, é isso: um lindo presente de Deus para toda a família. E Ele espera que cuidemos deste presente zelando para que se conserve sempre belo, radiante e puro no mais amplo dos significados.

E faremos isso, meu amor!

Queremos que você seja a pessoa mais amada do mundo. Que olhe sempre para seus pais e tenha a sensação de segurança, aconchego e carinho.

Quero escrever sem malabarismos lingüísticos ou filosofias, uma mensagem simples, como simples é a forma com a qual você se relaciona comigo, com sua mãe e com o mundo. Quero dizer que sua voz é a coisinha mais linda e que é impossível ouvi-la sem dar um sorriso. Que olhar para seu cucuruto e não deixá-lo cheirando a cuspe de tanto beijá-lo é algo simplesmente incogitável. Que me exercito como artista ao ter de criar estórias que te agradem e prendam sua atenção por, pelo menos, alguns minutos. Que sentir sua respiração ao dormir nos meus braços me deixa feliz e orgulhoso de merecer sua confiança. Quê mais... Que você possui a gengivinha mais linda, as pernas mais roliças e o pezinho mais gostoso de beijar. Que você é toda perfeitinha, feminina e charmosa. Que você me deixa envergonhado com minha dificuldade de perdoar, ao sorrir, segundos depois de ter sido forçada a engolir aquele remédio amargo que te desperta de um sono tranqüilo para te deixar agitada, suada e exausta de tanto gritar e resistir. Ao nos fitar sem mágoas nem rancores e abrir aquele sorriso lindo, percebo o quanto ainda sou atrasado espiritualmente...

Enfim, Laura querida, falar de você é fácil, pois você é uma companheira agradável de viagem. Fico feliz em saber que dividirei com uma pessoa assim a poltrona nesse fantástico percurso encarnatório. Estamos só começando. Muita coisa ainda vai acontecer, mas, desde já te digo que estou vivendo momentos indescritíveis e quiméricos ao seu lado. Pura poesia! Agradeço a você, agradeço a Deus e à Letícia. Valorizo a dádiva de viver e me dedicar a uma pessoa, a ajudá-la a dar seus primeiros passos e receber tanto por isso. Espero ser merecedor deste presente e viver em paz com você e mamãe pelo resto de meus dias. Espero ainda dar-te um irmãozinho ou irmãzinha para que você tenha uma companhia conectada à sua geração, mas, principalmente para que você vivencie um amor mais amplo, experienciado em seus diversos matizes: materno, paterno e fraterno.

Termino dizendo que o amor que te devoto cresce a cada novo dia. Fico pensando então em quando você já estiver na idade escolar e puder ler essa mensagem. Seu pai certamente estará mais barrigudo, grisalho talvez, provavelmente ranzinza e casmurro, já com ciúme dos primeiros amiguinhos. Mas a estará estimando ainda mais. Muito mais. Estará orgulhoso e feliz por ter vivido tantas experiências a seu lado e ansioso pelas novas descobertas.

Te amo muito, filha!

Papai."


Filha querida,

Hoje faz cinco meses que a mamãe e o papai se tornaram seres mais completos, mais felizes, mais humanos, melhores. A nossa união se solidificou, nosso propósito se tornou real, pois no dia 11 de abril, você nasceu!

Sabe filha, você foi desejada por mim a vida inteira. Durante muitos anos, planejada. Por doze meses, esperada. Sim! Lembra-se da minha primeira gravidez que não foi adiante? Por algum motivo, Deus achou por bem adiar os nossos planos e nós três – papai, mamãe e você – confiamos Nele! Outro corpinho, mais saudável, precisou ser gerado e, finalmente, apenas três meses mais tarde, um novo veículo estava se formando para nossa união tão abençoada. No dia 10 de agosto de 2009, uma linda sementinha se plantara. E valeu à pena esperar!

Meu amor, você é muito mais do pedi a Deus! Que presente iluminado! Meiga, feminina, charmosa, dengosa, delicada, tranqüila, calma, feliz, linda, linda, linda (até pernas grossas, grossíssimas, você tem!). E ainda que não fosse assim, eu lhe amaria do mesmo jeito, afinal, para o nosso reencontro, foram quase 36 anos de espera.

Por isso, eu gostaria de lhe agradecer. Assim como o fiz com você ainda na minha barriga, assim como eu o fiz nos seus primeiros minutos de vida, hoje, novamente, eu quero lhe agradecer. Agradecer por você aceitar vir à Terra sendo nossa filha e confiar a nós a sublime missão de lhe assistir em sua mais nova jornada espiritual.

Quero agradecer a você por me proporcionar a experiência mais maravilhosa da minha vida: sentir-lhe crescendo dentro de mim, da minha matéria se tornar um ser humano lindo (minha bolinha de carne!), saudável, completo, enquanto eu me tornava a criatura mais bela do planeta, verdadeiramente filha de Deus, um espírito privilegiado, um corpo feminino em perfeito equilíbrio com a natureza, uma fêmea realizada, uma MULHER.

Agradecer a você por confiar em minha coragem, dar forças à minha obstinação e proporcionar-me, mais uma vez, outra transformação. Parir é nascer de novo, minha filha. Experienciamos tudo isso juntas! Cúmplices, companheiras, nasciturnas e, agora, é como se tivéssemos a mesma idade! Ah, minha pequena, você ainda há de viver, do lugar que vivi, o ato mais purificador, mais sublime, cujo poder de transmutação só poderia mesmo se originar da mais essencial alquimia que existe entre amar, gerar, gestar e, depois, parir um ser.

Agradecer a você por me permitir lhe nutrir do meu próprio plasma, do meu próprio sangue que com amor se transforma no leite que alimenta suas células, fortifica o seu corpo e acalenta a sua alma, enquanto a minha? Ah, a minha ganha um passeio pelo Céu. Como é maravilhosamente indescritível a sensação de plenitude que a cada mamada você me presenteia, com seu olhar profundo, sábio e, ao mesmo tempo, inocente e singelo; com suas mãozinhas macias que, ainda descontroladas, ziguezagueiam acariciando o meu peito, o meu rosto, o meu cabelo; com pausas longas e silêncios polifônicos que entrecortam suspiros e gramelôs repletos de significado.

Agradecer a você pelo sorriso escancarado, sincero e iluminado com que a cada manhã você desperta e me desperta encantada!

Agradecer-lhe por, todos os dias, dar-me a oportunidade de cuidar de você, fazer sua massagem, cortar suas unhas, limpar seu narizinho, ajudar-lhe a arrotar, escolher suas roupas, dar-lhe o seu banho, limpar seu bumbum, trocar-lhe as suas fraldas, ensinando-me, em cada um desses momentos, os segredos tão simples da mais pura humildade.

Agradecer-lhe por me permitir acompanhar suas descobertas – primeiro foi a linguinha (era só pedir e você nos mostrava), depois as mãozinhas, os dedinhos, os pezinhos de Shrek -; suas conquistas – primeiro aprendeu a sorrir, a dormir sozinha por uma noite inteirinha, a gargalhar, a gritar, a chutar a gente quando quer brincar, a firmar as pernoconas e o pescocinho (já não se parece mais com um cachorrinho de Kombi!), a sentar-se ainda que cambaleante, a se virar de um lado para outro, a nos dar seus deliciosos Bêsos molhados e até a nos imitar!

Agradecer-lhe por, mesmo antes de nascer, ter mudado os meus hábitos; melhorado a minha alimentação; conduzido-me a tantas leituras sobre os mistérios da vida e do planeta; descortinado outros milhares de universos; me apresentado tantas pessoas bacanas; me mostrado a irrefutabilidade do poder da ação e da reação; me tornado mais responsável pelos meus atos e pela influência que eles podem causar no mundo que desejo deixar para você!

Obrigada, minha filha, por ter me feito mãe! Obrigada por me fazer resgatar minha relação com a figura feminina, me livrar de ressentimentos, e me deixar assim, em profunda disponibilidade para servir e amar outra mulher. Obrigada pela oportunidade d’eu poder começar tudo de novo! Obrigada por me dar uma família de presente! Obrigada por me deixar experimentar o amor incondicional, imenso, pleno, que incrivelmente cresce a cada momento e me convence que, mesmo sendo chama (como afirma o poeta), não se apagará jamais!

Estando aqui neste planeta, nenhum de nós é perfeito. Viemos a essa escola aprender o amor e você tem se mostrado professora exímia, aluna dedicada. Da minha parte, tenho feito todo o esforço que posso, com prazer, com carinho, com zelo e com lealdade. O que mais posso lhe prometer? Posso reafirmar o que lhe escrevi naquela primeira carta, quando ainda habitava a barriga da mamãe: viverei a cada segundo da minha vida imbuída do propósito de lhe fazer feliz. Muitas dificuldades você vai encontrar no seu caminho. Vai sorrir. Mas também vai sofrer, vai doer, vai chorar. Poderemos, algumas vezes, discutir, discordar e até brigar. Faz parte do aprendizado e do crescimento. Mas tenha certeza, minha amada, que irei sempre lhe respeitar, lhe instruir, acompanhar suas experiências, amparar os seus passos, acolher suas escolhas e lhe ofertar o meu colo, sempre, sempre cheio de afeto! Repleto de amor! De lealdade! De Verdade!

Não tardará, e chegará o dia em que você vai partir. Vai pra longe, muito longe, vai até aonde o seu desejo alcançar, mas vai sempre voltar. Sabe por quê? Porque terá a certeza de que cá estarei, também para sempre, pronta a te encontrar de novo minha menina, meu bebê, minha Tuquinha, meu Tetê! Ter-te em meus braços para, sempre que for preciso, renascermos juntas e vivermos, sempre, tudo de novo. Daí, será a sua vez de me carregar no colo e me ensinar sempre a ser como você. Por ora, o seu “HD” está limpo. Papai e mamãe esperam lhe ajudar a inculcá-lo dos mais sublimes valores e sentimentos com os quais você nos inspira cotidianamente.

Com sinceridade,
Mamãe.

sábado, 11 de setembro de 2010

Há Cinco Meses no Paraíso


Fonte: mamaesnaitalia.com

Filha querida,

Hoje faz cinco meses que a mamãe e o papai se tornaram seres mais completos, mais felizes, mais humanos, melhores. A nossa união se solidificou, nosso propósito se tornou real, pois no dia 11 de abril, você nasceu!

Sabe filha, você foi desejada por mim a vida inteira. Durante muitos anos, planejada. Por doze meses, esperada. Sim! Lembra-se da minha primeira gravidez que não foi adiante? Por algum motivo, Deus achou por bem adiar os nossos planos e nós três – papai, mamãe e você – confiamos Nele! Outro corpinho, mais saudável, precisou ser gerado e, finalmente, apenas três meses mais tarde, um novo veículo estava se formando para nossa união tão abençoada. No dia 10 de agosto de 2009, uma linda sementinha se plantara. E valeu à pena esperar!

Meu amor, você é muito mais do pedi a Deus! Que presente iluminado! Meiga, feminina, charmosa, dengosa, delicada, tranqüila, calma, feliz, linda, linda, linda (até pernas grossas, grossíssimas, você tem!). E ainda que não fosse assim, eu lhe amaria do mesmo jeito, afinal, para o nosso reencontro, foram quase 36 anos de espera.

Por isso, eu gostaria de lhe agradecer. Assim como o fiz com você ainda na minha barriga, assim como eu o fiz nos seus primeiros minutos de vida, hoje, novamente, eu quero lhe agradecer. Agradecer por você aceitar vir à Terra sendo nossa filha e confiar a nós a sublime missão de lhe assistir em sua mais nova jornada espiritual.

Quero agradecer a você por me proporcionar a experiência mais maravilhosa da minha vida: sentir-lhe crescendo dentro de mim, da minha matéria se tornar um ser humano lindo (minha bolinha de carne!), saudável, completo, enquanto eu me tornava a criatura mais bela do planeta, verdadeiramente filha de Deus, um espírito privilegiado, um corpo feminino em perfeito equilíbrio com a natureza, uma fêmea realizada, uma MULHER.

Agradecer a você por confiar em minha coragem, dar forças à minha obstinação e proporcionar-me, mais uma vez, outra transformação. Parir é nascer de novo, minha filha. Experienciamos tudo isso juntas! Cúmplices, companheiras, nasciturnas e, agora, é como se tivéssemos a mesma idade! Ah, minha pequena, você ainda há de viver, do lugar que vivi, o ato mais purificador, mais sublime, cujo poder de transmutação só poderia mesmo se originar da mais essencial alquimia que existe entre amar, gerar, gestar e, depois, parir um ser.

Agradecer a você por me permitir lhe nutrir do meu próprio plasma, do meu próprio sangue que com amor se transforma no leite que alimenta suas células, fortifica o seu corpo e acalenta a sua alma, enquanto a minha? Ah, a minha ganha um passeio pelo Céu. Como é maravilhosamente indescritível a sensação de plenitude que a cada mamada você me presenteia, com seu olhar profundo, sábio e, ao mesmo tempo, inocente e singelo; com suas mãozinhas macias que, ainda descontroladas, ziguezagueiam acariciando o meu peito, o meu rosto, o meu cabelo; com pausas longas e silêncios polifônicos que entrecortam suspiros e gramelôs repletos de significado.

Agradecer a você pelo sorriso escancarado, sincero e iluminado com que a cada manhã você desperta e me desperta encantada!

Agradecer-lhe por, todos os dias, dar-me a oportunidade de cuidar de você, fazer sua massagem, cortar suas unhas, limpar seu narizinho, ajudar-lhe a arrotar, escolher suas roupas, dar-lhe o seu banho, limpar seu bumbum, trocar-lhe as suas fraldas, ensinando-me, em cada um desses momentos, os segredos tão simples da mais pura humildade.

Agradecer-lhe por me permitir acompanhar suas descobertas – primeiro foi a linguinha (era só pedir e você nos mostrava), depois as mãozinhas, os dedinhos, os pezinhos de Shrek -; suas conquistas – primeiro aprendeu a sorrir, a dormir sozinha por uma noite inteirinha, a gargalhar, a gritar, a chutar a gente quando quer brincar, a firmar as pernoconas e o pescocinho (já não se parece mais com um cachorrinho de Kombi!), a sentar-se ainda que cambaleante, a se virar de um lado para outro, a nos dar seus deliciosos Bêsos molhados e até a nos imitar!

Agradecer-lhe por, mesmo antes de nascer, ter mudado os meus hábitos; melhorado a minha alimentação; conduzido-me a tantas leituras sobre os mistérios da vida e do planeta; descortinado outros milhares de universos; me apresentado tantas pessoas bacanas; me mostrado a irrefutabilidade do poder da ação e da reação; me tornado mais responsável pelos meus atos e pela influência que eles podem causar no mundo que desejo deixar para você!

Obrigada, minha filha, por ter me feito mãe! Obrigada por me fazer resgatar minha relação com a figura feminina, me livrar de ressentimentos, e me deixar assim, em profunda disponibilidade para servir e amar outra mulher. Obrigada pela oportunidade d’eu poder começar tudo de novo! Obrigada por me dar uma família de presente! Obrigada por me deixar experimentar o amor incondicional, imenso, pleno, que incrivelmente cresce a cada momento e me convence que, mesmo sendo chama (como afirma o poeta), não se apagará jamais!

Estando aqui neste planeta, nenhum de nós é perfeito. Viemos a essa escola aprender o amor e você tem se mostrado professora exímia, aluna dedicada. Da minha parte, tenho feito todo o esforço que posso, com prazer, com carinho, com zelo e com lealdade. O que mais posso lhe prometer? Posso reafirmar o que lhe escrevi naquela primeira carta, quando ainda habitava a barriga da mamãe: viverei a cada segundo da minha vida imbuída do propósito de lhe fazer feliz. Muitas dificuldades você vai encontrar no seu caminho. Vai sorrir. Mas também vai sofrer, vai doer, vai chorar. Poderemos, algumas vezes, discutir, discordar e até brigar. Faz parte do aprendizado e do crescimento. Mas tenha certeza, minha amada, que irei sempre lhe respeitar, lhe instruir, acompanhar suas experiências, amparar os seus passos, acolher suas escolhas e lhe ofertar o meu colo, sempre, sempre cheio de afeto! Repleto de amor! De lealdade! De Verdade!

Não tardará, e chegará o dia em que você vai partir. Vai pra longe, muito longe, vai até aonde o seu desejo alcançar, mas vai sempre voltar. Sabe por quê? Porque terá a certeza de que cá estarei, também para sempre, pronta a te encontrar de novo minha menina, meu bebê, minha Tuquinha, meu Tetê! Ter-te em meus braços para, sempre que for preciso, renascermos juntas e vivermos, sempre, tudo de novo. Daí, será a sua vez de me carregar no colo e me ensinar sempre a ser como você. Por ora, o seu “HD” está limpo. Papai e mamãe esperam lhe ajudar a inculcá-lo dos mais sublimes valores e sentimentos com os quais você nos inspira cotidianamente.

Com sinceridade,
Mamãe.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Laurinha Recomenda

Agora, com embasamento histórico e científico, reafirmamos a importância do colo em: "Colo Mágico", afinal, foi o "dotô" quem receitou, mas desde quando?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Botando o Bebê na Roda

Por aqui ainda continuamos comemorando o mês dos pais. Também, pudera! Nessa casinha nós temos um pai que é um verdadeiro Pãe!!! Ele acaba de liberar a compra de mais um sling (temos um pouch e um carregador, agora queremos um de argolas).
Assim, aproveito a oportunidade para lembrar que o produto é também um "democratizador de bebês". A liberada que o Wilson deu, não foi à toa. Sim, com o sling, os papais também podem e devem experimentar a deliciosa sensação de ter seus filhotinhos grudados, no colinho, como o fazem as mamães.
Emerson e João
Marcos e Lena
Os maridos das Materna/ Matrice(s)  Adriana Guimarães (esquerda), Keli McGee (centro) e Danielle Nagh (direita) não perdem tempo!
Cian e Nenagh
São também exemplos de que as dicas que a Lilith (uma marca de slings) utiliza para vender o produto são mesmo quentes: "O bebê pode ser de todos: o uso do sling permite que não só a mãe seja responsável pelo bebê, mas que o pai, irmãos ou qualquer outra pessoa possa dividir esta tarefa e se responsabilizar pelo bebê também. Neste sentido, o sling promove uma maior democracia familiar!"
Além disso, ao ter contato com um maior número de pessoas, bebê que cresce slingando se desenvolve mais, pois "participa ativamente da vida ao seu redor, favorecendo a socialização e o pertencimento à vida da família, e ao mundo que o rodeia. O ato de carregar estabelece uma parceria implícita entre a criança e seu carregador. A criança, ao participar do cotidiano do cuidador, aprende a reconhecer a disposição e os limites que este vive, favorecendo a empatia e a compreensão; permanece mais tempo em silêncio e em estado de alerta, e observa o mundo sob uma ótica diferente do lugar de quem o carrega, e não o teto como quando está no berço, ou os joelhos das pessoas de dentro do carrinho. Por chorar e reclamar menos, passa mais tempo apto a interagir melhor com o ambiente e com outras pessoas".
Por essas e outras, continuaremos daqui agradecendo ao papai por mais um presente. E para os que  querem saber mais sobre os motivos do nosso contentamento, deixo a indicação da fonte: http://luzdalilith.blogspot.com/2008/12/por-que-promover-o-uso-do-sling.html


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Colo não faz mal a ninguém

Vou aproveitar a linda foto que ilustrou o post anterior (era para ser do Wilson com a Laurinha, mas acho que o Shrek caiu super bem) para falar do miraculoso poder do baby sling - aquela “tipóia de carregar bebê” que o monstrinho está usando – uma versão moderna de como os bebês são carregados há séculos pelo mundo afora.
A intenção do carregador, o pouch sling ou tipóia de bolsa/de rede (no caso do Shrek), como a de vários outros modelos – ring sling ou tipóia de argolas (que a materna Keli usa com a bela Nenagh, na foto acima), wrap sling ou pano comprido, mei-tai, canguru ou mochila - é proporcionar à mãe (e ao pai também, por que não?) a oportunidade de ter o bebê coladinho ao seu corpo de forma mais orgânica e ergonômica – em posição que lembra o período gestacional. Durante o uso do sling, as mãos das mães se mantêm livres para outras atividades, enquanto a criança se mantém aquecida, aconchegada, enfim, mais segura, principalmente durante o período de transição do mundo da barriga para este mundão daqui de fora. No sling, além de apertadinho, como no útero, o bebê pode escutar mais de pertinho o palpitar do coração da mãe, sentir sua respiração, o seu calor e, com o movimento do seu andar, relembrar o embalo que viveu os nove meses dentro da barriga.
A idéia, que é super difundida no exterior, começa agora a se tornar popular no Brasil, não sem antes enfrentar os velhos preconceitos arraigados em nossa sociedade. Quantas mães não ouvem de suas avós: “larga esse menino, porque assim, o dia inteiro no colo, ele acaba ficando mal acostumado”. Mal acostumado a quê? A carinho, a calor humano, a amor, a alimento para a alma? É por acreditar que essas coisas não acostumam mal ninguém, e, mais ainda, por acreditar que o que faltam ao mundo de hoje são adultos criados com muito amor, que eu não nego, por nadica de nada, o colinho de mamãe à pequena Laura. Como nem sempre posso estar absolutamente disponível, além de não dar conta do peso com esse meu corpinho macérrimo de mãe que amamenta após um Parto Natural, hahahaha – esnobei, pronto! -encontrei no sling um aliado.

Mas por que não negar o colo?

Já falei aqui no blog sobre o que, após várias leituras, aprendi a chamar de “Quarto Trimestre Gestacional” - período em que, mesmo fora da barriga, o bebê continua em estado de formação. De todos os mamíferos, o feto humano é o único que, para conseguir sair do ventre da mãe - bípede e, por isso, com a bacia mais estreita que os quadrúpedes - precisa nascer antes de atingir toda maturidade. Seria impossível a expulsão natural, por causa do desenvolvimento do perímetro encefálico, se ele nascesse, por exemplo, com doze meses de gestação.
Não bastasse essa condição de “feto extra-uterino” - situação em que o corpo ainda em formação é exposto a uma horda de hostilidades - sem falar das limitações a que o espírito, velho muitas vezes, encontra-se submetido, o bebê precisa superar o choque que o nascimento representa. Afinal, ele vem de um ninho - onde não é necessário nenhum esforço para sequer se alimentar - para um ambiente desconhecido, que inclui mudanças de temperatura, de luminosidade, de som, de meios de alimentação, onde é preciso, até mesmo, aprender a respirar.
Daquela perfeição do universo antes habitado para o lado de fora, resta apenas o pulsar da mãe: seu cheiro, sua voz, seu calor... E, para provê-lo de tudo isso: o insubstituível colo! E aí, meus caros, me vêm os palpiteiros de plantão dizerem: “deixe sua filha se frustrar um pouquinho para não ficar mal acostumada”, ou “um chorinho de nada faz bem para fortalecer o pulmão”. Como se a vida já não fosse repleta de frustrações e sofrimentos vãos! Não deixo não. Deixei uma vez, seguindo o conselho da minha avó de 100 anos, mas me arrependi amargamente. Como me arrependi!! Meus olhos se enchem de lágrimas só de lembrar...
Atribuir o poder de chantagem a um ser que ainda não se contaminou com os vícios da nossa sociedade, e que nem capacidade intelectual tem ainda para fazê-la, seria no mínimo leviano, não acham não? Quer dizer que bom mesmo é amarrar a criança sobre cadeiras de quatro rodas, delicadamente chamadas carrinhos de bebê, diante de uma televisão e aguardar que ela seja (en)formada como um sujeito passivo? Tanto melhor se ela aprender a curar suas carências sozinha, por meio de quilos de chocolates, não é mesmo? Sem falar de outras drogas como o fazem aqueles que não tiveram amor e autoconfiança como alicerce de uma boa educação e que, adultos, cometem horrores para chamar pela atenção que não tiveram na infância. Pensar que tudo é tão simples: o antídoto teria sido um bom colo de mãe!
É por isso que me sinto muito feliz, muito feliz mesmo, a cada vez que minha pequena Laura sorri em meu colo e eu descubro como esse ato de amor tem o poder de trazer a ela afago e segurança. Itens que não têm preço e que não se compram em lugar nenhum deste mundo. Mas que certamente são alguns dos alimentos mais preciosos que posso oferecer a ela, certa de estar contribuindo para a formação de um ser humano muito mais íntegro, sustido, por isso, seguro e feliz.
Sei que a dependência dela vai passar rápido. Tão mais rápido, quanto mais as necessidades dela forem supridas. Já já, Laura estará engatinhando, vai querer desbravar os cômodos da casa, o nosso quintal, depois virá o mundo. E, quando isso acontecer, espero estar aqui, velhinha, vendo como a criança que fora amada se transformara na grande mulher, inteira, realizada, que terá sim seus momentos de fragilidade, mas que, com certeza, se sentirá para sempre confiante. Segura de que, em qualquer idade, sempre que quiser, poderá encontrar amor, calor e humanidade nesses braços que estarão abertos para lhe acolher. Não é preciso ir tão longe. O resultado, de curto prazo, já está aí: Laura é uma criança que quase nunca chora. Ela não precisa. Sabe que estou sempre aqui, disponível, ao seu lado. O seu choro raro são apenas gramelôs de um ser em formação que precisa comunicar suas necessidades, seus incômodos, suas pequenas angústias. Nada demais. Nada que um coração atento de mãe não saiba compreender.

Slingueiras Maternas/ Matrices: mulheres para as quais ser mãe é antes de tudo uma atitude responsável
Materna Keli McGeen e Nenagh

Antes de Laura nascer eu, provavelmente, não concordaria com 80% do que pratico hoje. Mas bastou nos conhecermos para deixar que a intuição se tornasse minha melhor conselheira. Revi meus conceitos e refiz minhas escolhas responsáveis, embora nem sempre acertadas. Disponibilizar meu colo, assim como fazer Cama Compartilhada, Amamentar em Livre Demanda foram algumas delas.
Certamente, eu não teria tanta coragem em assumi-las sem o concurso de mulheres maravilhosas com as quais compartilho experiências, angústias, medos e descobertas (e, sempre, claro, com o apoio impagável do Wilson, pai de Laura). Às Maternas/ Matrices slingueiras, minha homenagem e eterna gratidão. Obrigada!!!
Materna Danielle Nagy e Lena
Materna Maria Kacinskas e Alexandre
Materna Adriana Guimarães e Helena
Adriana Guimarães com a gostoosa da Helena, slingando na Bolívia, ao lado de duas bolivianas slingueiras

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Não Basta Ser Pai...

A cada dia, imbuída deste meu novo papel no mundo, convenço-me mais da importância do exemplo que deixamos para os nossos filhos. A chegada da Laura, entre milhares de ensinamentos, instalou à minha frente um enorme e sincero espelho, de onde posso observar os meus defeitos, envergonhar-me deles e tratar logo de corrigi-los (com muuuita dificuldade, é claro). É impressionante como essas criaturinhas nos vêm com esse poder de nos transformar. Pelo menos é o que tenho tentado já que pretendo olhar fundo nos olhos da minha filha e ser chamada por ela de Mãe, assim mesmo, com M maiúsculo. Mas essa minha luta não é solitária. Ao meu lado, há uma pessoa que, em especial nesta semana, esteve no centro das atenções.
No último domingo, comemoramos o primeio Dia dos Pais do Wilson. Foi uma grande festa que se fez, especialmente, em nossos corações. Durante os três dias que antecederam, eu - com Laura sempre no meu colo, colaborando com sua compreensão (e com inspiração!) - tratei de preparar o presente. Comprar? De jeito nenhum. Depois de pensar, pensar, pensar, cheguei à conclusão que loja nenhuma do mundo teria à venda produto que expressasse tamanho contentamento que a paternidade do Wilson nos traz. E que Deus nos abençoe!!!
A produção do presente me levou a uma rica viagem por cada um dos momentos pelos quais passamos - Wilson e eu - até ter Laura em nossos braços. Montei um vídeo - lindo, modéstia à parte - com fotos e filmes desde o nosso tempo de namoro, passando pelos anos do test drive em que moramos juntos, pela decisão do casamento, pelas cerimônias, pela Lua de Mel, até os meses de gestação, desaguando, claro, no filme mais lindo de nossas vidas: o nascimento à luz de velas. E esse processo de "regurgitamento" serviu-me para, mais que colher lembranças, agradecer a Deus o pai que, à minha filha, Ele confiou.  
Desde o início, foi assim... todos os nossos planos em relação aos filhos foram traçados à quatro mãos. Conversamos muito sobre nossas expectativas, nossas dificuldades, nossas possibilidades, mudanças necessárias. Estudamos, trabalhamos, nos casamos, poupamos, investimos, continuamos a estudar, a discutir, a planejar... vislumbrar tanto as questões práticas, quanto todas as questões filosóficas que a educação e a formação de um filho puderam nos suscitar. A chegada de Laura foi fruto de muito acordo, várias renúncias e compartilhamento. Mesmo antes da gravidez, o Wilson-pai se fez presente em todos os instantes.
Durante os nove meses, ele também esteve prenhe. Junto a mim, mudou seus hábitos. Cuidou da nossa vida financeira, do nosso bem-estar emocional, da nossa saúde. Foram pratos e mais pratos de frutas levados à cama todas as manhãs... Verduras e legumes fresquinhos à nossa mesa... Massagens... Conselhos... Até a cervejinha de fim de semana ele deixou de tomar (também não precisava tanto!). Foi um companheirão! Quando decidi pelo Parto Natural, mais que apoiar, Wilson se mostrou uma doula em perfeição. Após o nascimento, passou as primeiras noites em claro, lavou fraldas, faxinou a casa, cuidou de toda infra-estrutura. Doou seu amor, suas ideias geniais. E, passados quatro meses, reafirma, a cada dia, sua competência em ser um verdadeiro pai.
Não só apenas porque provê a casa, porque troca fraldas, faz comida, lava e passa, conta histórias, dança, cria músicas, nos ensina a rezar, alimenta nossa filha com seu amor... Mas, principalmente, porque dá a ela, a cada dia, o exemplo que se espera de um pai.
Ele não apenas apregoa, mas luta a cada dia para conduzir os seus atos com respeito, honestidade, ética, bom caráter, perseverança, lealdade. E eu acho que é isso que se espera de um pai. Que seja falível, posto que é humano, mas que se esforce em ser, a cada segundo, uma pessoa melhor.
Estou batendo nessa tecla do exemplo porque sempre pude observar nos atos dele a presença fortíssima da conduta do avô de Laura, o seu pai. O Sr. Paquiel é um homem que sempre lutou muito e sempre mostrou aos filhos os efeitos benévolos de valores como o equilíbrio, a honestidade, a caridade, a compaixão. Mas, fundamentalmente, o respeito e o amor pela família, a começar pela mãe. Foram 40 anos de um casamento perfeito! Wilson conta que jamais presenciou uma discussão entre o casal. E, ainda hoje, Sr. Paquiel se mantém assim... fervoroso ao amor que dedicou durante toda a vida à sua querida Zizinha.
Sabe, sempre tive enorme necessidade de confessar isso: foi esse amor - do Sr. Paquiel e de Dona Zizinha - que me levou ao altar. O dia em que eu - vinda de uma família de pais, irmão, primos, tios (t.o.d.o.s) separados, desquitados, divorciados - descobri que existia um casal cujo amor e respeito redundou na felicidade de filhos também amorosos e dispostos a seguir estes exemplos, eu pude crer que esse precioso presente também estava ao meu alcance. Ele era real. E, assim, eu disse sim. Sim ao Wilson-marido, sim ao Wilson-companheiro, sim ao Wilson-pai. Mulher independente e afeita à produção autônoma de filhos, compreendi o valor da família. Revi meus conceitos. Realimentei sonhos adormecidos. Resgatei sentimentos, esperanças e investi na minha felicidade.
A luta diária não é nada, nada fácil. Mas com perseverança e muita, muita fé em Deus, vamos seguindo assim... apoiados, principalmente, naquele que nos deu o maior exemplo de todos. Que escolheu vir à Terra no seio de uma família, uma sagrada família - Jesus! E como Wilson sempre gosta de dizer: que possamos aproveitar nossa estada neste Planeta, que nossa vida em família possa tornar mais leve o aprendizado, e que possamos, a partir de dentro, contribuir para um mundo um bocadinho melhor.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nosso varal está em festa!!!!!

Há 10 dias, chegou dos EUA a querida Tia Marília e, com ela, nossas novas fraldas! Por aqui elas estão fazendo o maior sucesso. Acreditem: fácil manutenção e bumbum 100% sequinho! Laurinha recomenda!
Olhem o charme:


quinta-feira, 22 de julho de 2010

As Dores do Mundo

Minha amada filha não tem estado muito afim de abrir mão do colinho da mamãe pra que eu possa escrever (bem-aventurado seja o colinho da mamãe).  Há muito queria ter deixado impresso o meu contentamento pelos três meses na companhia de Laura. Mas sei que esse espaço se por um lado é uma das formas de reviver os maravilhosos milésimos de segundo (todos eles) que ela me proporciona, por outro, o blog não pode se sobrepujar aos momentos de dedicação que a mesma exige de mim. Por isso, a minha ausência aqui é sinal de muuuita Laura em minha vida: alegria e alimento para o meu coração.
Hoje estou contrariando um pouquinho a vontade da minha pequena (e a minha também), que está aqui ao lado, no carrinho, em meio a alguns beicinhos e muitos gritos de reclamação, porque achei importante deixar registradas algumas importantes passagens que povoaram nossa semana. Não entrarei em detalhes, deixarei apenas as sensações...
Algumas decisões e experiências vividas por mim e por ela nesses últimos dias podem trazer repercussões imensas por muitos anos. E quando esses anos chegarem, e Laura tiver a oportunidade de rever as palavras que aqui deixei, ela poderá ter a certeza de que teve um pai e uma mãe sempre dispostos a fazerem por ela tudo o que lhes estivera ao alcance, sempre na tentativa de lhe proporcionar uma formação pautada pela honestidade, pela dignidade, e, sobretudo, pelo amor. Muitos serão os erros, mas o nosso empenho será sempre em busca dos acertos, certos de que esse caminho será também repleto de encruzilhadas, nas quais teremos que fazer várias opções. Sempre será preciso escolher. Chegará um dia em que essa parte do jogo ela também terá que aprender. E, nesse dia, ela vai poder contar com pais amorosos e vividos, e, assim, suas angústias encontrarão antítodos de paz e esperança.
Na vida, passamos por muitas decepções, por momentos difícieis, por experiências que nos fazem ver que é preciso mudar. Muitas delas vêm carregadas de dor, mas nos ajudam a amadurecer. E o sentido da vida é esse mesmo: agir, pensar, rever, avaliar, voltar atrás, refazer, mudar e, se preciso for, abandonar... Mas sempre, sempre, tendo em mente que cá estamos unicamente para aprender e crescer.
Bem, a maternidade (e a paternidade também) é uma chance maravilhosa para encarar tudo isso de uma forma diferente. Ela nos convida, a todo momento, a avaliar nossas atitudes e, diante da nossa consciência, tornarmos seres humanos melhores para servimos de espelho aos nossos pequenos. Eu e Wilson sabemos que não seremos capazes de evitar os sofrimentos pelos quais Laura terá que passar em sua vida, sofrimentos necessários à sua evolução. Mas sabemos também que poderemos deixar a ela o legado do nosso aprendizado. Por isso, minha filha, saiba que muitas vezes é preciso saber perder para ganhar; é preciso silenciar para dizer; é preciso morrer para viver...
Hoje foi a primeira vez que mamãe assistiu quieta à sua pequena dor. Você estava no meu colinho, mas não parava de resmungar... Mamãe falhou em todas as tentativas: deu mamazinha, trocou a roupinha (frio, calor, xixi, coco?), cantou go pá lá, dançou, certificou-se de que você não sentia nenhum incômodo físico, mas ainda assim você chorou. Mostrou-se inquieta, até insatisfeita, eu diria. Queria que eu ficasse com você nos braços, às vezes pedia para sentar, outras pra levantar, mas não parava de reclamar. Expliquei que eu não tinha mais capacidade e competência para lhe curar do que quer que fosse que estava sentindo. Deixei você sozinha por poucos minutos no berço, chorando... e você adormeceu. Ai, doeu muito mais em mim. Como doeu! Mas, passados menos de quinze minutos, você despertou novamente, olhou-me com seus olhinhos ternos, sinceros e brilhantes e eu compreendi. Você também me compreendeu.
A vida é assim. Apesar de tão novinha aqui na Terra, você também precisa de momentos que são só seus. Para curar suas dores...
Sempre que senti-las pode buscar ajuda em mim. Não serei sempre capaz de evitá-las, mas estarei sempre disposta a renovar o meu voto de amor por ti. E para que você o guarde na memória segue o texto abaixo, escrito na minha agenda de gestação quando você ainda estava na barriga da mamãe, mas que continua e continuará para sempre atual:

"Meu amor,
Hoje é dia 25 de fevereiro. Estou na trigésima primeira semana de gravidez e aproveito essas páginas vazias para enchê-las das palavras que me vêm ao coração e deixar registrado o quanto você já nos faz tão felizes! A mim e ao seu pai! Estamos ansiosos e na correira para terminar de cosntruir a casa que deverá lhe acolher com tanto carinho! Por isso, nem sempre tenho tomado notas neste diário. Mas você sabe que todos os dias conversamos com você, com muito amor. Você nos enche de alegrias, de expectativas e, principalmente, de esperanças em dias muito melhores. Desde que você foi gerada, a cada dia, somos um pouco mais felizes e unidos! Você nos transforma a todo momento. Cada segundo lutamos por nos tornarmos pessoas das quais possamos nos orgulhar e fazer juz ao merecimento que Deus nos confiou: gerar e cuidar da preciosidade que é você. É maravilhoso lhe ter crescendo dentro de mim e perceber que da nossa matéria você vai se tornando um ser individual, tão você! Cada dia, cada semana, é linda a evolução. É simplesmente delicioso, maravilhoso, indescritível sentir você se mexendo em mim! E o papai também experimenta essa delícia ao se conectar com o deleite da mamãe. Todas as noites, antes de dormir, nos dedicamos a sentir gostosamente os seus movimentos de vida. Você é nossa luz e, agora, toda a razão do nosso viver. Nós nos amamos ainda mais, por reconhecer o presente que pudemos oferecer um ao outro:você!!! Escolhemos juntos tudo o que lhe diz respeito. Nos deliciamos com a compra do seu enxoval e, apesar da apreensão com as responsabilidades financeiras que isso representa, o fato de você existir é condição suficiente para nos sentirmos fortes e capazes de vencer qualquer luta. Você é nossa pequena guerreira e lidera nossa batalha cotidiana. Obrigada por trazer tanta benção à nossa existência. Obrigada por nos ensinar tanto! Você já foi capaz de melhorar tanto o ser humano que sou que até me emociono só em pensar: mudou meus hábitos alimentares, minha rotina, meu trato com as pessoas, minha aparência (como eu me sindo linda, linda, linda, com você dentro de mim, fico horas a me admirar no espelho), mas mudou principalmente a minha razão e a minha vontade de estar neste mundo, atenta a tudo o que, juntos, nós três, vamos conquistar. Nós te amamos muito e gostaríamos de firmar com você um pacto: vamos fazer da nossa família entes aliados e cúmplices, paladinos da ética, da moral, da caridade, da benevolência e, sobretudo, do amor. Nosso compromisso começa em nosso Lar!!!! Seja muito bem-vinda, Laura! Perdoe as minhas fraquezas, as vezes em que já te fiz algum mal, mesmo te amando tanto. Eu prometo: viverei para sermos felizes: eu, você, papai e quem mais se juntar a nós!
Com afeto e sinceridade,
Mamãe".