Minha amada filha não tem estado muito afim de abrir mão do colinho da mamãe pra que eu possa escrever (bem-aventurado seja o colinho da mamãe). Há muito queria ter deixado impresso o meu contentamento pelos três meses na companhia de Laura. Mas sei que esse espaço se por um lado é uma das formas de reviver os maravilhosos milésimos de segundo (todos eles) que ela me proporciona, por outro, o blog não pode se sobrepujar aos momentos de dedicação que a mesma exige de mim. Por isso, a minha ausência aqui é sinal de muuuita Laura em minha vida: alegria e alimento para o meu coração.
Hoje estou contrariando um pouquinho a vontade da minha pequena (e a minha também), que está aqui ao lado, no carrinho, em meio a alguns beicinhos e muitos gritos de reclamação, porque achei importante deixar registradas algumas importantes passagens que povoaram nossa semana. Não entrarei em detalhes, deixarei apenas as sensações...
Algumas decisões e experiências vividas por mim e por ela nesses últimos dias podem trazer repercussões imensas por muitos anos. E quando esses anos chegarem, e Laura tiver a oportunidade de rever as palavras que aqui deixei, ela poderá ter a certeza de que teve um pai e uma mãe sempre dispostos a fazerem por ela tudo o que lhes estivera ao alcance, sempre na tentativa de lhe proporcionar uma formação pautada pela honestidade, pela dignidade, e, sobretudo, pelo amor. Muitos serão os erros, mas o nosso empenho será sempre em busca dos acertos, certos de que esse caminho será também repleto de encruzilhadas, nas quais teremos que fazer várias opções. Sempre será preciso escolher. Chegará um dia em que essa parte do jogo ela também terá que aprender. E, nesse dia, ela vai poder contar com pais amorosos e vividos, e, assim, suas angústias encontrarão antítodos de paz e esperança.
Na vida, passamos por muitas decepções, por momentos difícieis, por experiências que nos fazem ver que é preciso mudar. Muitas delas vêm carregadas de dor, mas nos ajudam a amadurecer. E o sentido da vida é esse mesmo: agir, pensar, rever, avaliar, voltar atrás, refazer, mudar e, se preciso for, abandonar... Mas sempre, sempre, tendo em mente que cá estamos unicamente para aprender e crescer.
Bem, a maternidade (e a paternidade também) é uma chance maravilhosa para encarar tudo isso de uma forma diferente. Ela nos convida, a todo momento, a avaliar nossas atitudes e, diante da nossa consciência, tornarmos seres humanos melhores para servimos de espelho aos nossos pequenos. Eu e Wilson sabemos que não seremos capazes de evitar os sofrimentos pelos quais Laura terá que passar em sua vida, sofrimentos necessários à sua evolução. Mas sabemos também que poderemos deixar a ela o legado do nosso aprendizado. Por isso, minha filha, saiba que muitas vezes é preciso saber perder para ganhar; é preciso silenciar para dizer; é preciso morrer para viver...
Hoje foi a primeira vez que mamãe assistiu quieta à sua pequena dor. Você estava no meu colinho, mas não parava de resmungar... Mamãe falhou em todas as tentativas: deu mamazinha, trocou a roupinha (frio, calor, xixi, coco?), cantou go pá lá, dançou, certificou-se de que você não sentia nenhum incômodo físico, mas ainda assim você chorou. Mostrou-se inquieta, até insatisfeita, eu diria. Queria que eu ficasse com você nos braços, às vezes pedia para sentar, outras pra levantar, mas não parava de reclamar. Expliquei que eu não tinha mais capacidade e competência para lhe curar do que quer que fosse que estava sentindo. Deixei você sozinha por poucos minutos no berço, chorando... e você adormeceu. Ai, doeu muito mais em mim. Como doeu! Mas, passados menos de quinze minutos, você despertou novamente, olhou-me com seus olhinhos ternos, sinceros e brilhantes e eu compreendi. Você também me compreendeu.
A vida é assim. Apesar de tão novinha aqui na Terra, você também precisa de momentos que são só seus. Para curar suas dores...
Sempre que senti-las pode buscar ajuda em mim. Não serei sempre capaz de evitá-las, mas estarei sempre disposta a renovar o meu voto de amor por ti. E para que você o guarde na memória segue o texto abaixo, escrito na minha agenda de gestação quando você ainda estava na barriga da mamãe, mas que continua e continuará para sempre atual:
"Meu amor,
Hoje é dia 25 de fevereiro. Estou na trigésima primeira semana de gravidez e aproveito essas páginas vazias para enchê-las das palavras que me vêm ao coração e deixar registrado o quanto você já nos faz tão felizes! A mim e ao seu pai! Estamos ansiosos e na correira para terminar de cosntruir a casa que deverá lhe acolher com tanto carinho! Por isso, nem sempre tenho tomado notas neste diário. Mas você sabe que todos os dias conversamos com você, com muito amor. Você nos enche de alegrias, de expectativas e, principalmente, de esperanças em dias muito melhores. Desde que você foi gerada, a cada dia, somos um pouco mais felizes e unidos! Você nos transforma a todo momento. Cada segundo lutamos por nos tornarmos pessoas das quais possamos nos orgulhar e fazer juz ao merecimento que Deus nos confiou: gerar e cuidar da preciosidade que é você. É maravilhoso lhe ter crescendo dentro de mim e perceber que da nossa matéria você vai se tornando um ser individual, tão você! Cada dia, cada semana, é linda a evolução. É simplesmente delicioso, maravilhoso, indescritível sentir você se mexendo em mim! E o papai também experimenta essa delícia ao se conectar com o deleite da mamãe. Todas as noites, antes de dormir, nos dedicamos a sentir gostosamente os seus movimentos de vida. Você é nossa luz e, agora, toda a razão do nosso viver. Nós nos amamos ainda mais, por reconhecer o presente que pudemos oferecer um ao outro:você!!! Escolhemos juntos tudo o que lhe diz respeito. Nos deliciamos com a compra do seu enxoval e, apesar da apreensão com as responsabilidades financeiras que isso representa, o fato de você existir é condição suficiente para nos sentirmos fortes e capazes de vencer qualquer luta. Você é nossa pequena guerreira e lidera nossa batalha cotidiana. Obrigada por trazer tanta benção à nossa existência. Obrigada por nos ensinar tanto! Você já foi capaz de melhorar tanto o ser humano que sou que até me emociono só em pensar: mudou meus hábitos alimentares, minha rotina, meu trato com as pessoas, minha aparência (como eu me sindo linda, linda, linda, com você dentro de mim, fico horas a me admirar no espelho), mas mudou principalmente a minha razão e a minha vontade de estar neste mundo, atenta a tudo o que, juntos, nós três, vamos conquistar. Nós te amamos muito e gostaríamos de firmar com você um pacto: vamos fazer da nossa família entes aliados e cúmplices, paladinos da ética, da moral, da caridade, da benevolência e, sobretudo, do amor. Nosso compromisso começa em nosso Lar!!!! Seja muito bem-vinda, Laura! Perdoe as minhas fraquezas, as vezes em que já te fiz algum mal, mesmo te amando tanto. Eu prometo: viverei para sermos felizes: eu, você, papai e quem mais se juntar a nós!
Com afeto e sinceridade,
Mamãe".

