Alguns ecos...

Alguns ecos: a maioria destes textos é tecida de matéria prima que Laura me oferece, e também das várias leituras a que ela me induz, mas que muitas vezes, introjetadas, não consigo nem mais citar a fonte. Contudo todas elas podem e devem ser acessadas por meio dos meus Gadgets.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

As Dores do Mundo

Minha amada filha não tem estado muito afim de abrir mão do colinho da mamãe pra que eu possa escrever (bem-aventurado seja o colinho da mamãe).  Há muito queria ter deixado impresso o meu contentamento pelos três meses na companhia de Laura. Mas sei que esse espaço se por um lado é uma das formas de reviver os maravilhosos milésimos de segundo (todos eles) que ela me proporciona, por outro, o blog não pode se sobrepujar aos momentos de dedicação que a mesma exige de mim. Por isso, a minha ausência aqui é sinal de muuuita Laura em minha vida: alegria e alimento para o meu coração.
Hoje estou contrariando um pouquinho a vontade da minha pequena (e a minha também), que está aqui ao lado, no carrinho, em meio a alguns beicinhos e muitos gritos de reclamação, porque achei importante deixar registradas algumas importantes passagens que povoaram nossa semana. Não entrarei em detalhes, deixarei apenas as sensações...
Algumas decisões e experiências vividas por mim e por ela nesses últimos dias podem trazer repercussões imensas por muitos anos. E quando esses anos chegarem, e Laura tiver a oportunidade de rever as palavras que aqui deixei, ela poderá ter a certeza de que teve um pai e uma mãe sempre dispostos a fazerem por ela tudo o que lhes estivera ao alcance, sempre na tentativa de lhe proporcionar uma formação pautada pela honestidade, pela dignidade, e, sobretudo, pelo amor. Muitos serão os erros, mas o nosso empenho será sempre em busca dos acertos, certos de que esse caminho será também repleto de encruzilhadas, nas quais teremos que fazer várias opções. Sempre será preciso escolher. Chegará um dia em que essa parte do jogo ela também terá que aprender. E, nesse dia, ela vai poder contar com pais amorosos e vividos, e, assim, suas angústias encontrarão antítodos de paz e esperança.
Na vida, passamos por muitas decepções, por momentos difícieis, por experiências que nos fazem ver que é preciso mudar. Muitas delas vêm carregadas de dor, mas nos ajudam a amadurecer. E o sentido da vida é esse mesmo: agir, pensar, rever, avaliar, voltar atrás, refazer, mudar e, se preciso for, abandonar... Mas sempre, sempre, tendo em mente que cá estamos unicamente para aprender e crescer.
Bem, a maternidade (e a paternidade também) é uma chance maravilhosa para encarar tudo isso de uma forma diferente. Ela nos convida, a todo momento, a avaliar nossas atitudes e, diante da nossa consciência, tornarmos seres humanos melhores para servimos de espelho aos nossos pequenos. Eu e Wilson sabemos que não seremos capazes de evitar os sofrimentos pelos quais Laura terá que passar em sua vida, sofrimentos necessários à sua evolução. Mas sabemos também que poderemos deixar a ela o legado do nosso aprendizado. Por isso, minha filha, saiba que muitas vezes é preciso saber perder para ganhar; é preciso silenciar para dizer; é preciso morrer para viver...
Hoje foi a primeira vez que mamãe assistiu quieta à sua pequena dor. Você estava no meu colinho, mas não parava de resmungar... Mamãe falhou em todas as tentativas: deu mamazinha, trocou a roupinha (frio, calor, xixi, coco?), cantou go pá lá, dançou, certificou-se de que você não sentia nenhum incômodo físico, mas ainda assim você chorou. Mostrou-se inquieta, até insatisfeita, eu diria. Queria que eu ficasse com você nos braços, às vezes pedia para sentar, outras pra levantar, mas não parava de reclamar. Expliquei que eu não tinha mais capacidade e competência para lhe curar do que quer que fosse que estava sentindo. Deixei você sozinha por poucos minutos no berço, chorando... e você adormeceu. Ai, doeu muito mais em mim. Como doeu! Mas, passados menos de quinze minutos, você despertou novamente, olhou-me com seus olhinhos ternos, sinceros e brilhantes e eu compreendi. Você também me compreendeu.
A vida é assim. Apesar de tão novinha aqui na Terra, você também precisa de momentos que são só seus. Para curar suas dores...
Sempre que senti-las pode buscar ajuda em mim. Não serei sempre capaz de evitá-las, mas estarei sempre disposta a renovar o meu voto de amor por ti. E para que você o guarde na memória segue o texto abaixo, escrito na minha agenda de gestação quando você ainda estava na barriga da mamãe, mas que continua e continuará para sempre atual:

"Meu amor,
Hoje é dia 25 de fevereiro. Estou na trigésima primeira semana de gravidez e aproveito essas páginas vazias para enchê-las das palavras que me vêm ao coração e deixar registrado o quanto você já nos faz tão felizes! A mim e ao seu pai! Estamos ansiosos e na correira para terminar de cosntruir a casa que deverá lhe acolher com tanto carinho! Por isso, nem sempre tenho tomado notas neste diário. Mas você sabe que todos os dias conversamos com você, com muito amor. Você nos enche de alegrias, de expectativas e, principalmente, de esperanças em dias muito melhores. Desde que você foi gerada, a cada dia, somos um pouco mais felizes e unidos! Você nos transforma a todo momento. Cada segundo lutamos por nos tornarmos pessoas das quais possamos nos orgulhar e fazer juz ao merecimento que Deus nos confiou: gerar e cuidar da preciosidade que é você. É maravilhoso lhe ter crescendo dentro de mim e perceber que da nossa matéria você vai se tornando um ser individual, tão você! Cada dia, cada semana, é linda a evolução. É simplesmente delicioso, maravilhoso, indescritível sentir você se mexendo em mim! E o papai também experimenta essa delícia ao se conectar com o deleite da mamãe. Todas as noites, antes de dormir, nos dedicamos a sentir gostosamente os seus movimentos de vida. Você é nossa luz e, agora, toda a razão do nosso viver. Nós nos amamos ainda mais, por reconhecer o presente que pudemos oferecer um ao outro:você!!! Escolhemos juntos tudo o que lhe diz respeito. Nos deliciamos com a compra do seu enxoval e, apesar da apreensão com as responsabilidades financeiras que isso representa, o fato de você existir é condição suficiente para nos sentirmos fortes e capazes de vencer qualquer luta. Você é nossa pequena guerreira e lidera nossa batalha cotidiana. Obrigada por trazer tanta benção à nossa existência. Obrigada por nos ensinar tanto! Você já foi capaz de melhorar tanto o ser humano que sou que até me emociono só em pensar: mudou meus hábitos alimentares, minha rotina, meu trato com as pessoas, minha aparência (como eu me sindo linda, linda, linda, com você dentro de mim, fico horas a me admirar no espelho), mas mudou principalmente a minha razão e a minha vontade de estar neste mundo, atenta a tudo o que, juntos, nós três, vamos conquistar. Nós te amamos muito e gostaríamos de firmar com você um pacto: vamos fazer da nossa família entes aliados e cúmplices, paladinos da ética, da moral, da caridade, da benevolência e, sobretudo, do amor. Nosso compromisso começa em nosso Lar!!!! Seja muito bem-vinda, Laura! Perdoe as minhas fraquezas, as vezes em que já te fiz algum mal, mesmo te amando tanto. Eu prometo: viverei para sermos felizes: eu, você, papai e quem mais se juntar a nós!
Com afeto e sinceridade,
Mamãe".

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fraldas de Pano: uma volta 'mais que muderna' ao passado

Gente, este post não se configura exatamente em um capítulo da história de Laurinha, o quarto eu ainda estou devendo...e falarei sobre Refluxo Gastro-Esofágico! É que a "mocinha" está exigindo muito a atenção da mamãe e, claro, eu sou todinha dela!!!! Mas não pude deixar de passar por aqui para registrar a nossa nova investida: o uso das fraldas de pano.
Bem, tudo começou com a Amamentação em Livre Demanda... hehehehe. Bebê que come muito... vocês já sabem... intestino em bom funcionamento... caquinha à toda hora! Aqui em casa, minha quase bebê (quase porque há pouco completou o que chamei no post anterior de Quarto Trimestre Gestacional e está ainda a caminho da "maturidade") apresenta o chamado Reflexo Gastro-Cólico (que faz parte daquela listinha dos "pequenos defeitos fisiológicos" que bebezinhos podem apresentar nos primeiros meses de nascidos, uma vez que ainda não estão totalmente formados). Trata-se de uma espécie de "diarréia benigna", vamos dizer assim, que não é sinal de problema algum, tampouco faz mal ao bebê (a não ser causar assaduras, se as trocas não forem eficientes). A evacuação é desencadeada pela chegada do alimento ao estômago (gastro), que se distende e lança o aviso para a medula espinhal, que, por sua vez, avisa ao intestino (cólon) ser hora de funcionar. É o chamado movimento peristáltico, destinado a empurrar o alimento pra frente, como um riozinho. Em alguns recém-nascidos (caso da Laura), isso acontece a cada mamada.
Como na Livre Demanda Laura mama quase o dia inteiro, a nossa contribuição para o lixo ambiental começou a nos assustar. Cerca de 10 fraldas descartáveis por dia!!!! Daí, fizemos as contas: 3.650 fraldas por ano! Suponhamos que ela continuasse nesse ritmo (o que não acontecerá, claro), se ela desfraldar com 3 anos, teríamos contribuido com 10.950 fraldas a poluir o mundo! Não! Não é esse o planeta que queremos deixar para nossos netos e bisnetos.
Foi conversando com a nova amiga Mirian Kenia (que se tornou amiga a partir da troca de experiências sobre a maternidade), que descobri uma lista de discussão na internet sobre Fraldas de Pano. Lá existem mães maravilhosas, super empenhadas em proporcionar o melhor para seus filhos e que, feríssimas no assunto, deram-me todas as dicas e dividiram comigo uma verdadeira cartilha.
Aluna aplicada, tratei logo de experimentar: comprei minha primeira leva de fraldas de pano, uns modelos super moderninhos que as mamães mais descoladas têm usado em suas crias e que lembram aquelas antigas calças-enxutas (que em BH não se acha mais para comprar), mas que, além de mais bonitas, apresentam um novo sistema: elas possuem umas aberturas (como fronhas) chamdos de pocket (ou bolsos) onde são colocados os inserts (ou absorventes) - tiras feitas em tecidos específicos para absorver ou deixar passar o xixi, como a microfibra, o soft ou fleece (que dá o aspecto "sempre-seco" semelhate ao das fraldas descartáveis), o cânhamo ou hemp, e até de bambu.
Existem fraldas nacionais, mas o mercado ainda está se desenvolvendo. E existem também muitos produtos importados cuja performance, infelizmente, ainda supera a do produto brasileiro. É que as fraldas nacionais ainda não contam com um tecido plástico chamado PUL, que recobre a parte interna das gringas e evita os vazamentos. Eu acabei comprando 5 nacionais e 2 importadas para fazer o teste inicial. Apaixonei-me pelas importadas e acabei encomendando mais doze delas - quantidade suficiente para me libertar de vez das fraldas de plástico. Quer dizer, não totalmente. Ainda fico insegura de sair com as de pano, pois como os cocozinhos são muitos, quase líquidos e muito volumosos, infelizmente (e vergonhosamente), por enquanto, continarei usando as descartáveis nessas ocasiões. Com a consciência um pouco mais tranquila, embora alerta e disposta a abandoná-las por completo tão logo o coco endureça e se torne menos frequente.

Como funciona
Desde o nascimento da Laura, eu e Wilson temos nos revezado na função de lavar à mão e passar todas as suas roupinhas. Chegamos a usar aquelas tradicionais fraldas de pano C....r e a experiência em lavá-las à mão não foi das melhores... os dedos daqui de casa ficaram feridos!!!
Ao escolher as "fraldas de pano mudernas", fui surpreendida com a informação de que as mesmas não poderiam ser passadas. O quê!!!! Quase morri! Chorei na lista de discussão. Fui criticada. Quase apedrejada! Em pleno século 21, lavando roupas à mão e passando fraldas? Explicaram-me que o calor do ferro diminui o poder de absorção do tecido e tentaram me convencer de que ferro nada esteriliza. O pediatra da Laura disse que matar bactéria não mata mesmo, mas que dificulta beeem a vida delas. Mas, como estávamos dificultando mais a nossa vida, que a delas, rendemo-nos. Compramos uma máquina de lavar nova (só para as roupas da Laura) e decidimos secar as fraldas durante à noite (quando - apenas dentro das nossas mentes repletas de pensamentos esterilizados - há menos poeira e, portanto, mais segurança ao bumbunzinho da nossa filhinha).
Nos primeiros raios da manhã, lá vamos nós, recolhemos as fraldas e (ai, que medo) vestimos Laurinha.
A manutenção é mais fácil do que se imagina: fraldas sujas vão direto para um balde com água e tampa; fim do dia: água corrente para tirar o excesso de coco e "bora" pra máquina; de lá para o varal; do varal para o bumbum; e tudo de novo. É importante usar pouco sabão, pois o excesso pode impermeabilizar a camada superficial da fralda. E um inconveniente é que não se pode também usar pomadas no bumbum, pelo mesmo motivo acima exposto.
Ah, detalhe: descobri, aqui mesmo no Brasil, uns absorventes excelentes feitos deste tal material que deixa o bumbum sequinho. Tenho utilizados-os entre o bumbum e a fralda, o que normalmente me dispensa de trocá-la por inteiro. Quase sempre troco apenas o absorvente que retém a umidade e mantém a fralda limpa e seca. Ainda tenho apanhado um pouco. Confesso que principalmente com relação ao ajuste das fraldas, vez ou outra, o xixi vaza. Mas acredito nas mães "velhas de guerra" que me garantem: essa fase de vazamentos vai passar e, no futuro, estaremos felizes em ter contribuído minimamente para a saúde do nosso planeta (e do bumbum da Laurinha também, né, porque ninguém merece tanta química presente naqueles super, hiper, mega power gels que garantem a absorção nas descartáveis).


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Terceiro Capítulo: Sim, eu tenho peito!

Amamentar é uma característica natural, de toda mamífera ou, pelo menos, deveria ser. Mas o ato, que é, sobretudo, uma forma de sobrevivência da espécie, requer muita paciência, disponibilidade e até bom humor. É preciso persistência.
É claro que muitas mulheres que deixam de amamentar o fazem por sérios problemas fisiológicos, mas são raríssimas essas situações. O fato é que à maioria faltam mesmo informações. Informações de que não existe “leite fraco”; de que o bebê não aprende a mamar da primeira vez que é colocado no peito; de que esse é um processo de aprendizagem para as duas partes; de que nem sempre que o bebê chora é porque está com fome e que, portanto, toda mulher produz a quantidade de leite necessária à demanda do seu filho; de que o leite não “seca” assim de uma hora para outra sem que haja uma solução com um pouco de obstinação; de que, a despeito de todo trabalho, as vantagens de se dar o peito são absurdamente maiores que a opção pelo aleitamento artificial.
Mas, além de obter informação, é imprescindível que a mulher se sinta compreendida e apoiada pelos amigos e família. Gente pra dar maus conselhos, fazer comparações e cobranças é o que não falta. Amamentar pressupõe estar disponível aos horários e exigências do bebê (e cada um é de um jeito). Isso significa muitas vezes atrasar encontros, desmarcar passeios, deixar de fazer sala para visitas. Estar indisponível em certos momentos para atender telefonemas. Às vezes também deixar de dormir e até comer comida fria. Daí a minha sugestão (sou maruja de primeira viagem, mas funcionou): tranque-se com seu bebê, desligue-se do mundo e se sinta à vontade. Procure informações, aprenda o essencial e, na Hora H, vocês saberão o que fazer.
É claro que muitas dúvidas irão pintar. Por exemplo, seria ótimo se cada seio fosse transparente e viesse com dosador. Você saberia exatamente quantos mls/dia o seu bebê estaria mamando. Mas se seu filho faz coco e xixi regularmente, não apresenta sinal de desidratação e está ganhando peso, parabéns ele está se alimentando bem. E o processo é assim, quanto mais o bebê suga, mais leite você produz, uma relação de procura e oferta mais que perfeita que só o tempo pode ajustar.
Nos primeiros meses, é normal que a criança mame com freqüência e horário irregulares. Com Laura foi assim: ela não acordava para mamar. Dormia feito uma anja. A noite toda e o dia inteiro. Foi preciso que eu interviesse e, nos primeiros dias, a acordasse de três em três horas. Até hoje não sei se agi corretamente. Foi indicação dos médicos, mas, no meu coração de mãe, naquele momento, a recomendação encontrou acolhida. Era duro! Dava dó! Mas eu o fiz. Pensava estar fazendo o melhor para ela.
Laurinha parecia uma ratinha, de tão pequenininha. E antes de cada mamada, era necessário que eu a despisse por completo e fizesse uma série de cosquinhas. Ficávamos as duas assim, peladas. In natura, mãe e filha...
Aos poucos, ela mesma começou a expressar sua necessidade. E hoje, graças a Deus, minha filha mama muito. Mama a hora e o quanto quer. Mama de manhã, às vezes a manhã toda. Mama durante a tarde. À noite, tem diminuído as mamadas. Mama por volta das 23hs e depois só acorda no dia seguinte, às 7hs da manhã, muito bem disposta a mamar de novo e recomeçar um dia inteirinho de mamadas. Assim nos sentimos felizes. Além de saciar a fome dela, saciamos nossa necessidade de estarmos juntas e nos amarmos.

Self-service ou Livre Demanda
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de tempo de permanência na mama. Até os seis meses de idade, com exclusividade, e até os dois anos, como alimentação complementar. Essa ausência de restrições é o que se chama de Amamentação em Livre Demanda. A criança aprende a “buscar” o suprimento do tamanho da sua necessidade. Aqui em casa, vamos nos mantendo assim... livres. Outro dia, minha avó disse que estou deixando Laura “mal acostumada” (como assim????), pois não se passara meia hora de uma mamada e ela estava de volta ao meu peito para mamar. Perguntei a ela se ficaria satisfeita caso tivesse sede e alguém a impedisse de beber água, caso tivesse fome e alguém a impedisse de comer. E emendei: da primeira vez ela bebera água, agora é hora do jantar.
Aliás, sabe que isso faz sentido? O leite do início da mamada, o chamado leite anterior, pelo seu alto teor de líquido, tem aspecto semelhante ao da água de côco, mata a sede. E ele é muito rico em anticorpos produzidos contra os agentes infecciosos com os quais a mãe já teve contato. Já o leite do meio da mamada tende a ter uma coloração branca opaca devido ao aumento da concentração de caseína. O leite do final da mamada, o chamado leite posterior, é mais amarelado devido à presença de betacaroteno, pigmento lipossolúvel presente na dieta da mãe. Ou seja, a concentração de gordura no leite aumenta no decorrer de uma mamada. Assim, o leite do final é mais rico em energia (calorias) e sacia melhor a criança.
De forma que não há necessidade em se iniciar os alimentos complementares antes dos seis meses, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança, pois a introdução precoce de outros alimentos (até mesmo de chazinhos e água) está associada a maior número de episódios de diarréia; maior número de hospitalizações por doenças respiratórias; maior risco de desnutrição, se os alimentos introduzidos forem nutricionalmente inferiores ao leite materno; e menor duração do aleitamento.
Além disso, na amamentação, os sabores e aromas de alimentos consumidos pela mãe acabam sendo transmitidos para o bebê, de forma que o leite materno oferece diferentes experiências que vão refletir nos hábitos alimentares da criança e, em conseqüência, do adulto. Ou seja, crianças que mamam no peito aceitam melhor a introdução da alimentação complementar. Sem falar que o aleitamento materno diminui o risco de alergias; diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes; reduz a chance de obesidade; provoca efeito positivo na inteligência; é responsável por um melhor desenvolvimento da cavidade bucal da criança. E, em contrapartida, a mulher que amamenta está mais protegida contra osteoporose e diversos tipos de câncer. Mas, se tudo isso ainda não for suficiente, amamentar ainda auxilia a perda de peso adquirida com a gravidez, já que o organismo da mulher precisa “queimar” calorias na produção do leite.
Como se vê, amamentar é muito mais que encher a barriga. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Além de constituir a mais sensível e eficaz intervenção para proteção e nutrição, é também a mais econômica forma de alimentação
Plano de Amamentação
Muito embora na minha família quase todas as mulheres dissessem não à amamentação – alegando que não tinham leite – nunca passou pela minha cabeça a possibilidade de não amamentar minha filha. Também sempre ouvi de muitas primas dizerem que não amamentaram seus filhos para não deformarem seus seios. Gente!! Meus seios são o que mais gosto no meu corpo e nunca também passou pela minha cabeça que amamentar pudesse torná-los disformes.
Um dos pontos fundamentais em meu Plano de Parto era poder amamentar Laura no primeiro momento de sua chegada. E isso pesou muito para que eu escolhesse o Parto Natural, queria ter a certeza de que minha filha não sairia dos meus braços antes de nos desfrutarmos da primeira mamada.
Essa decisão, eu tomei a partir dos diversos artigos que li. Eles me fizeram entender que, além de contribuir para a “descida” mais rápida do leite materno - que pode demorar até três ou quatro dias -, fortalecer os laços afetivos mamãe-bebê, e transmitir segurança àquele serzinho que acabara de chegar a um ambiente totalmente estranho (onde a partir de então precisaria que alguém satisfizesse suas necessidades, ao contrário do ambiente uterino, onde tinha tudo o que precisava sem esforço algum), Laura estaria recebendo logo “sua primeira dose de vacina” (devido à elevada presença de anticorpos no colostro), além de uma espécie de “elixir” (vou chamar assim) que a prepararia para as futuras refeições, claro, no peito da mamãezinha.
É que uma pesquisa realizada pela Queen Mary, Universidade de Londres, revelou uma substância chamada PSTI (pancreatic secretory trypsin inhibitor - em português, inibidor da secreção da tripsina pancreática) que protege e repara o intestino delicado dos recém-nascidos. O PSTI impede que o pâncreas seja danificado pelas enzimas digestivas que produz. E, segundo os cientistas, apesar de ela ter sido encontrada em todas as amostras de leite materno, está presente em níveis mais altos no colostro (aquela aguinha rala que sai nos primeiros dias antes do leite propriamente dito). Bem, o fato é que até hoje, com quase três meses de vida, Laura nunca teve uma só colicazinha.
Mas, a despeito de todo o poder nutricional e da proteção que o leite materno proporciona, o que me parece mais incrível é o laço que ele cria entre mim e minha filha. As trocas de olhares, o chamego daquela mãozinha sobre o meu peito enquanto adormece com a boca no bico, a barriga com barriga, o calor e a respiração. A amamentação nos matém assim, juntinhas! É maravilhoso observar que os meus seios latejam e começam a chorar a cada instante que Laura, sozinha em seu berço, desperta para mais uma “mamazinha”. Ela não precisa sinalizar, são eles que me avisam: é hora de mamar.
Eu e Laura nem bem começamos nossa curtição e  os conselhos já começaram a pipocar. Uns dizem que não devo deixar a menina mamar assim tão livremente pois ela pode se “viciar” (hahahahaha) e depois “será um custo tirar esse vício”!!! Alguns sugerem a introdução da chupeta para acalmá-la, do contrário, só vai dormir “chupetando” o meu bico. Que privilégio! Antes isso. Uma chupeta livre de bactérias, que não deforma os dentes e que eu posso lançar mão dela a cada suspiro. Outros já vêm logo perguntando se antes de terminar a licença à maternidade tratarei de disciplinar a Livre Demanda. O quê??? Fazer minha filha sofrer por antecipação? Se o sofrimento tiver que vir que seja adiado pelo maior espaço de tempo possível. E para os que querem mesmo saber quando pretendo iniciar o desmame: perguntem à Laura, somente ela poderá dizer quando tem a intenção de recusar a “mamazinha” da mamãe.
Na nossa sociedade, dita moderna, a mulher, com freqüência, sente-se pressionada a desmamar, muitas vezes contra a sua vontade e sem que ela e o bebê estejam prontos pra isso. Existem vários mitos relacionados, tais como as crenças de que o leite da mãe é prejudicial para a criança sob o ponto de vista psicológico, que ela jamais desmama por si própria, e que menino que mama fica muito dependente. Mas o homem é o único mamífero em que o desmame se dá por influência desses fatores socioculturais. Com a Laura, espero que o desmame seja um processo no seu desenvolvimento. A independência é uma parte disso tudo e chega pra todos; para uns, mais cedo; para outros, mais tarde. Minha filha será dependente enquanto ela precisar, e enquanto quiser minha bichinha permanecerá aninhada. Eu, mamífera e mãe disposta a dar o melhor de mim, estarei atenta acompanhando, participando e esperando, naturalmente, o crescimento e a independência da minha Laura. Neste dia, ela estará apta a cortar mais este cordão que nos une, vencendo mais uma etapa de adaptação nesta escola que é a vida. Eu estarei feliz, vendo-a correr para sua individualização.
E, como boa provedora, espero poder doar a ela o meu sangue, do mesmo jeito de quando estivera dentro da minha barriga, porém agora em forma de leite, por muito tempo ainda. Graças a Deus que tudo isso já é, em nosso país, um caso político. Viva o Lula que estendeu minha licença por seis meses. Para quem ainda não se ligou, se liga, existem leis que incentivam e protegem as mães que amamentam os seus filhos (clique aqui).

IMPORTANTE: AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE POST SÃO FRUTOS DE LEITURA E REINTERPRETAÇÕES DE UMA MÃE DE PRIMEIRA VIAGEM, PARA ASSEGURAR-SE DE INFORMAÇÕES TÉCNICAS E CIENTÍFICAS É ALTAMENTE RECOMENDADO IR DIRETO ÀS FONTES.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Laurinha Inspiração!

Gente, estou preparando o texto sobre a Amamentação, conforme prometido. E tenho várias outras coisas para compartilhar, como as travessuras que Laura vem aprontando nesses dois meses de vida (ela já bota a língua pra gente, chama pra brincar, aprendeu uma dancinha que inventei com um mantra que eu ouvia quando estava grávida e faz beicinho se não danço com ela sem parar... uma graça, até gravei, mas estou relutando em publicar...).
Estou aqui hoje, de passagem, rapidinho para contar que nosso relato está inaugurando o Twitter do Núcleo do Bem Nascer!!! Quanta honra para nós. Que essa história feliz sirva de inspiração a tantas mamães e bebês quantos forem os acessos, pois é essa a nossa intenção.
Vamos humanizar todos os nacimentos dessa Terra!