Alguns ecos...

Alguns ecos: a maioria destes textos é tecida de matéria prima que Laura me oferece, e também das várias leituras a que ela me induz, mas que muitas vezes, introjetadas, não consigo nem mais citar a fonte. Contudo todas elas podem e devem ser acessadas por meio dos meus Gadgets.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Estamos no Mamíferas!

 
Há 18 meses, minha preciosa fora coroada! Parece que foi hoje! Ainda revivo, a cada noite na hora de dormir, esses que foram os momentos mais importantes da minha vida, quando meu querido marido chorava, gritando emocionado: “Nasceu! Graças a Deus, a Laurinha nasceu!”.

Graças a Deus.

Hoje minha filha é do mundo. Está neste planeta o dobro do tempo que viveu em mim! Quantas saudades... Como ela mesma diz: saudades de quando ela morava “dentro do barrigão”! Felicidade por tê-la hoje aqui – linda, vívida, esperta, desperta!

Laura é muito especial! É a criança mais viva que um dia sonhei conhecer. A mais linda que jamais pude querer! Seu olhar, curioso, é inimitável, despido de preconceitos, inquieto, deslumbrado, enxerga a tudo com a pureza de quem vê pela primeira vez.

Laura é doce! Carinhosa e companheira! Com uma sensibilidade super aguçada, dá provas de que compreende bem tudo o que se passa, compadece-se com as situações, oferece seu abraço, seus muitos beijos e sua massagem!

Ela sabe o que quer. Mostra a que veio. É determinada, valente, obstinada. Nossa! Como é obstinada! Desde seus cinco meses de vida nos perguntamos: “Como é possível caber tanta personalidade em um corpinho tão pequeno!

É faladeira como ninguém! Fala desde que completou o primeiro ano. Fala tudo e, quando não sabe como falar, fala também. Inventa suas próprias palavras. Algumas são coringas: “Adê” é a interrogativa que serve tanto para “o que”, como “por que”, e “pra que”. “Aum”, que segundo o pai é o princípio de tudo - a primeira letra do alfabeto e o primeiro número – designa todo o resto que ela não sabe falar.

Eu tenho vivido assim... Aprendendo sempre!

Há oito meses fui convidada para escrever no Blog das Mamíferas sobre essa aprendizagem. Nossa! Que honra! Fiquei embaraçada. Muita responsabilidade. Rascunhei o texto que agora decidi, enfim, publicar, aqui. Ele continua atual. Parece que, a cada dia, mais vívido e intenso. Traz um pouquinho de nós, de como decidimos encarar esse encontro que nos une na Terra. E como temos tentado viver, lutando a cada dia, para encontrarmos a tal felicidade...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

20 Meses depois... mais um parto sem intervenções: a volta ao trabalho

Nossa, como ando sumida do blog!!! Juro, assunto é o que não falta! Ai, gostaria tanto de compartilhar todas as experiências... vejam só, não consegui ainda escrever sobre a Introdução à Alimentação Complementar da pequena, mas renovo meu compromisso em dividir isso com outras mães, já adiantando que com 1 ano, Laura continua uma "mamona"!!! Não escrevi sobre a experiência do engatinhar, do nosso mergulho na Medicina Antroposófica, da nossa adesão irrestrita à Alimentação Orgânica, da Festa Vegetariana e livre de açúcares do aniversário de 1 ano da minha querida filha!!! Mas tenho certeza de que todos estes assuntos serão temas para novos posts que, com certeza, irei me dedicar.
Hoje quero falar da minha volta ao trabalho: dizer que tudo foi muito mais tranquilo e orgânico do que podíamos (eu, Wilson e Laura) imaginar.  É que, com muito planejamento, tivemos a graça de passar por essa experiência quando Laura já estava prestes a completar 1 ano. Taí, acho que foi o tempo ideal! Nem menos, nem mais. Eu e minha filha pudemos nos curtir, e mais que isso, vivenciar todo o nosso processo de separação sem culpa, dor e atropelos. (Agora terei que trabalhar mais 3 anos consecutivos, sem direito às férias, para propocionar o mesmo tratamento ao BB2, hahahahahaha, ou me preparar para fazer diferente, já que o melhor é o possível!).
Durante os primeiros 11 meses de vida, Laura teve uma mãe completamente à sua disposição. Colo, peito, amor irrestritos! Tudo o que extrapolasse essa tríade, era assunto de segunda ordem em nossa rotina. Eu tive o privilégio de me deliciar de perto com todas as primeiras experiências e descobertas, foi um processo muito intenso e delicado. Tivemos todo o tempo do mundo para compreendermos, juntas, que nos tornamos dois seres independentes uma da outra, mas eternamente ligadas por um amor cúmplice e seguro que foi se construindo desde o ventre. 
O principal ensinamento que Laura me proporcionou foi de que tudo tem sua hora e que paciência é o ingrediente fundamental, não pode faltar! Ai, confesso, claro, as angústias sofridas em horas e horas seguidas de cadeira de balanço amamentando, enquanto todo o serviço da casa tinha que esperar. Ah, tinha que esperar!!! Respeitar as necessidades, os desejos, a vontade própria daquele serzinho que acabara de chegar... Tendo sempre em  mente o mantra: "tudo é fase e vai passar"! Respeitei e muitas delas já se passaram... deixando saudades, mas a certeza de que valeram à pena. Como valeram!!! E ainda me perguntam porque minha filha é tão alegre, "tão tranquilinha", tão segura, capaz de passar um dia inteiro com pessoas amigas, mas, a princípio, estranhas a ela, longe do pai e da mãe, sem reclamar!
Hoje, Laura não necessita mais do meu colo 24h por dia, quer mesmo é correr a casa engatinhanho, ou se agarrando nas paredes e nos móveis. "Dandá"! Nossa! Que alegria aquele sorriso ainda desdentado que expressa a felicidade da curiosidade, da conquista, da liberdade, do serzinho que quase anda, cambaleante. Da segurança de que o colinho encontra-se ainda disponível quando ela quiser e precisar voltar.
Laura (ainda que tenha como preferência número 1 o peitinho da mamãe), não faz da Livre Demanda desculpas para se manter plugada 24h no mamá. A transição para outros tipos de alimentação tem sido lenta e gradual, mas plena em sua evolução. Não tivemos e ainda não temos pressa: Laura experimentou outros sabores (frutas) com quase 7 meses de idade (quando já se mantinha sentada sozinha, há quase dois meses; quando já não mais tinha o reflexo da língua e podia engolir o alimento sólido; quando já podia, autônoma, aceitar ou recusar). Devagarinho, ela experimentou, um por um, os sabores dos legumes, das verduras, dos cereais, das oleaginosas. Nos mostrou tendências de um paladar que ainda está a se formar. Com 8 meses, teve respeitado o seu desejo de voltar à Amamentação Exclusiva. E agora, depois que a mamãe saiu para trabalhar, é capaz de bater um pratão, tomar suco e ainda exigir a frutinha como sobremesa, carinhosamente preparados e oferecidos pelo papai.

Mas, claro, nem tudo são flores...

Fácil não é. Ainda mais quando se opta por caminhos que, à primeira vista, parecem mais difíceis. Mas os parcos espinhos de hoje, tenho a convicção, serão flores que já vemos brotar.
No último post que publiquei, tive a oportunidade de falar sobre nossa escolha (minha e do Wilson) em não oferecer à Laura nenhum tipo de bico (chupeta, mamadeira, copinhos de transição...). E, certamente, isso foi um dificultador em nossa adaptação. Afinal, bico serve de consolo (eu acho que é engodo) e mamadeira faz bem o serviço para os pais. MAS... as consequências, na nossa opinião, com certeza, nos dariam muito mais trabalho e nos fariam menos felizes, com a consciência menos em paz.
Uns dois meses antes de voltar ao trabalho, comprei uma bomba de tirar leite e dei início às tentativas do estoque. Ainda que Laura já estivesse apta a comer outros alimentos, achava importante deixar meu leite à disposição para ser dado no copinho de cachaça, com o qual ela bebe água e, raríssimas vezes, suco (não dou leite de vaca pois entendo que leite de vaca é para bezerro, o leite da Laurinha nasceu com ela, nos seios da mamãe). A ideia era que, pelo menos, Wilson conseguisse dar a ela o leite materno misturado às frutas e cereais. Mas, nosso investimento foi praticamente em vão... A espertinha não aceita o leitinho fora da fonte nem por decreto! É capaz de identificá-lo em meio às frutas e a recusa é veemente. Se fosse na mamadeira, TALVEZ aceitasse... O resultado é que a garota agora se pluga em meu peito às 16h e se solta Deus sabe lá a que horas da manhã do dia seguinte... quando então saio para trabalhar. Aceita o jantar muito mais ou menos, mas ainda exige, a cada duas colheradas de comida, uma pausa para mamar. Assim vamos seguindo, até que ela se sinta pronta para romper mais este vínculo, ao que, tenho certeza, não se furtará.
Na primeira semana, pensamos que dormir longe do peito fosse ser mais uma dificuldade. Mas essas criaturinhas são espertas. Passado 1 mês, Laura já entende a rotina proposta pelo pai. Depois da fruta da manhã, é hora do banho morninho, uma musiquinha calminha, um aconchego no colinho e taí, a sonequinha da manhã ainda é irregular, às vezes tarda, mas não falha. E a danadinha que antes dormia, no máximo, uns vinte minutinhos, é capaz de passar 1 hora inteirinha adormecida para que Wilson tenha tempo de preparar o "papá". Para isso, acho que foi fundamental o fato de Wilson estar presente desde o momento do nascimento... assumindo as funções do banho, troca de fraldas, brincadeiras, momentos só dos dois... Foi fundamental eu me sentir segura e acreditar na cumplicidade dessa relação.
Ah, a preparação do "papá" também foi um pouco difícultada quando voltei a trabalhar. Nossa opção em oferecer à Laura apenas alimentos orgânicos e não oferecer-lhe nada, nada, nada industrializado, muito menos carnes, deu-nos um pouco mais de trabalho. Seria mais fácil se optássemos por recorrer às papinhas envidradas, aos eventuais congelados. Mas não. Mantivemo-nos firmes pela opção da alimentação natural e, sobretudo, alimentação viva. A solução foi estender a comida saudável da Laura a todos da casa. Resultado: hoje, todos comemos alimentos orgânicos, biodinâmicos, e, na medida do possível, até eu e Wilson temos tentado nos livrar do açúcar (utilizamos o mascavo, mel e rapadura), pois até o nosso café da manhã já está sendo "filado" pela piquitita. O jeito foi a mamãe se virar e diversificar os dotes culinários: tenho feito bolos e pães integrais, com frutas secas, nozes, castanhas, e todos saimos ganhando. Não raro ficamos, eu e Wilson, na cozinha até a 1h da manhã.
A única concessão às nossas escolhas é que às vezes usamos a fralda descartável. Entre lavar as fraldas de pano e curtir os momentos junto à Laura, tenho ficado, sem dúvidas, com a segunda opção. Mas sei também que é uma questão de dar tempo à nossa adaptação à nova rotina.
Escrito assim, parece que esse segundo parto foi sem atribulações. Não foi não. Mas seguimos firmes em nossa opção pelo natural. Nada de muletas, berçário e babás... Aos poucos vamos, os três, nos adaptando às necessidades uns dos outros. O Wilson fica mais cansado, ainda assim é capaz de segurar a onda sozinho por uma meia horinha de manhã para que eu possa me refazer da noite (dormida torta, amamentando). Laura faz a parte dela, que é se manter feliz e saudável. Hoje, quando peço a ela que diga "mamãe", a danada logo responde com o sonoro desafio: "papai!", hahahaha!!!E eu? Eu me explodo em satisfação. E quer saber? Achei que ia sofrer horrores longe da pequena, mas preciso confessar que não sofro nada. As horas que passo no trabalho são preciosas. É meu reencontro com minha solidão. Depois de 20 meses, eu revivo a sensação de ser só eu, na certeza de que no fim da tarde vou novamente me explodir em beijos e abraços. Por isso, na estrada, de volta pra casa, eu "corro, corro demais, corro demais, só pra te ver meu bem....".
Jamais poderia imaginar que faria isso por outra mulher. Mas faço, por você eu faço tudo, minha pequena grande Laura!!!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Laurinha Recomenda

Agora, com embasamento histórico e científico, reafirmamos a importância do colo em: "Colo Mágico", afinal, foi o "dotô" quem receitou, mas desde quando?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Botando o Bebê na Roda

Por aqui ainda continuamos comemorando o mês dos pais. Também, pudera! Nessa casinha nós temos um pai que é um verdadeiro Pãe!!! Ele acaba de liberar a compra de mais um sling (temos um pouch e um carregador, agora queremos um de argolas).
Assim, aproveito a oportunidade para lembrar que o produto é também um "democratizador de bebês". A liberada que o Wilson deu, não foi à toa. Sim, com o sling, os papais também podem e devem experimentar a deliciosa sensação de ter seus filhotinhos grudados, no colinho, como o fazem as mamães.
Emerson e João
Marcos e Lena
Os maridos das Materna/ Matrice(s)  Adriana Guimarães (esquerda), Keli McGee (centro) e Danielle Nagh (direita) não perdem tempo!
Cian e Nenagh
São também exemplos de que as dicas que a Lilith (uma marca de slings) utiliza para vender o produto são mesmo quentes: "O bebê pode ser de todos: o uso do sling permite que não só a mãe seja responsável pelo bebê, mas que o pai, irmãos ou qualquer outra pessoa possa dividir esta tarefa e se responsabilizar pelo bebê também. Neste sentido, o sling promove uma maior democracia familiar!"
Além disso, ao ter contato com um maior número de pessoas, bebê que cresce slingando se desenvolve mais, pois "participa ativamente da vida ao seu redor, favorecendo a socialização e o pertencimento à vida da família, e ao mundo que o rodeia. O ato de carregar estabelece uma parceria implícita entre a criança e seu carregador. A criança, ao participar do cotidiano do cuidador, aprende a reconhecer a disposição e os limites que este vive, favorecendo a empatia e a compreensão; permanece mais tempo em silêncio e em estado de alerta, e observa o mundo sob uma ótica diferente do lugar de quem o carrega, e não o teto como quando está no berço, ou os joelhos das pessoas de dentro do carrinho. Por chorar e reclamar menos, passa mais tempo apto a interagir melhor com o ambiente e com outras pessoas".
Por essas e outras, continuaremos daqui agradecendo ao papai por mais um presente. E para os que  querem saber mais sobre os motivos do nosso contentamento, deixo a indicação da fonte: http://luzdalilith.blogspot.com/2008/12/por-que-promover-o-uso-do-sling.html


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Colo não faz mal a ninguém

Vou aproveitar a linda foto que ilustrou o post anterior (era para ser do Wilson com a Laurinha, mas acho que o Shrek caiu super bem) para falar do miraculoso poder do baby sling - aquela “tipóia de carregar bebê” que o monstrinho está usando – uma versão moderna de como os bebês são carregados há séculos pelo mundo afora.
A intenção do carregador, o pouch sling ou tipóia de bolsa/de rede (no caso do Shrek), como a de vários outros modelos – ring sling ou tipóia de argolas (que a materna Keli usa com a bela Nenagh, na foto acima), wrap sling ou pano comprido, mei-tai, canguru ou mochila - é proporcionar à mãe (e ao pai também, por que não?) a oportunidade de ter o bebê coladinho ao seu corpo de forma mais orgânica e ergonômica – em posição que lembra o período gestacional. Durante o uso do sling, as mãos das mães se mantêm livres para outras atividades, enquanto a criança se mantém aquecida, aconchegada, enfim, mais segura, principalmente durante o período de transição do mundo da barriga para este mundão daqui de fora. No sling, além de apertadinho, como no útero, o bebê pode escutar mais de pertinho o palpitar do coração da mãe, sentir sua respiração, o seu calor e, com o movimento do seu andar, relembrar o embalo que viveu os nove meses dentro da barriga.
A idéia, que é super difundida no exterior, começa agora a se tornar popular no Brasil, não sem antes enfrentar os velhos preconceitos arraigados em nossa sociedade. Quantas mães não ouvem de suas avós: “larga esse menino, porque assim, o dia inteiro no colo, ele acaba ficando mal acostumado”. Mal acostumado a quê? A carinho, a calor humano, a amor, a alimento para a alma? É por acreditar que essas coisas não acostumam mal ninguém, e, mais ainda, por acreditar que o que faltam ao mundo de hoje são adultos criados com muito amor, que eu não nego, por nadica de nada, o colinho de mamãe à pequena Laura. Como nem sempre posso estar absolutamente disponível, além de não dar conta do peso com esse meu corpinho macérrimo de mãe que amamenta após um Parto Natural, hahahaha – esnobei, pronto! -encontrei no sling um aliado.

Mas por que não negar o colo?

Já falei aqui no blog sobre o que, após várias leituras, aprendi a chamar de “Quarto Trimestre Gestacional” - período em que, mesmo fora da barriga, o bebê continua em estado de formação. De todos os mamíferos, o feto humano é o único que, para conseguir sair do ventre da mãe - bípede e, por isso, com a bacia mais estreita que os quadrúpedes - precisa nascer antes de atingir toda maturidade. Seria impossível a expulsão natural, por causa do desenvolvimento do perímetro encefálico, se ele nascesse, por exemplo, com doze meses de gestação.
Não bastasse essa condição de “feto extra-uterino” - situação em que o corpo ainda em formação é exposto a uma horda de hostilidades - sem falar das limitações a que o espírito, velho muitas vezes, encontra-se submetido, o bebê precisa superar o choque que o nascimento representa. Afinal, ele vem de um ninho - onde não é necessário nenhum esforço para sequer se alimentar - para um ambiente desconhecido, que inclui mudanças de temperatura, de luminosidade, de som, de meios de alimentação, onde é preciso, até mesmo, aprender a respirar.
Daquela perfeição do universo antes habitado para o lado de fora, resta apenas o pulsar da mãe: seu cheiro, sua voz, seu calor... E, para provê-lo de tudo isso: o insubstituível colo! E aí, meus caros, me vêm os palpiteiros de plantão dizerem: “deixe sua filha se frustrar um pouquinho para não ficar mal acostumada”, ou “um chorinho de nada faz bem para fortalecer o pulmão”. Como se a vida já não fosse repleta de frustrações e sofrimentos vãos! Não deixo não. Deixei uma vez, seguindo o conselho da minha avó de 100 anos, mas me arrependi amargamente. Como me arrependi!! Meus olhos se enchem de lágrimas só de lembrar...
Atribuir o poder de chantagem a um ser que ainda não se contaminou com os vícios da nossa sociedade, e que nem capacidade intelectual tem ainda para fazê-la, seria no mínimo leviano, não acham não? Quer dizer que bom mesmo é amarrar a criança sobre cadeiras de quatro rodas, delicadamente chamadas carrinhos de bebê, diante de uma televisão e aguardar que ela seja (en)formada como um sujeito passivo? Tanto melhor se ela aprender a curar suas carências sozinha, por meio de quilos de chocolates, não é mesmo? Sem falar de outras drogas como o fazem aqueles que não tiveram amor e autoconfiança como alicerce de uma boa educação e que, adultos, cometem horrores para chamar pela atenção que não tiveram na infância. Pensar que tudo é tão simples: o antídoto teria sido um bom colo de mãe!
É por isso que me sinto muito feliz, muito feliz mesmo, a cada vez que minha pequena Laura sorri em meu colo e eu descubro como esse ato de amor tem o poder de trazer a ela afago e segurança. Itens que não têm preço e que não se compram em lugar nenhum deste mundo. Mas que certamente são alguns dos alimentos mais preciosos que posso oferecer a ela, certa de estar contribuindo para a formação de um ser humano muito mais íntegro, sustido, por isso, seguro e feliz.
Sei que a dependência dela vai passar rápido. Tão mais rápido, quanto mais as necessidades dela forem supridas. Já já, Laura estará engatinhando, vai querer desbravar os cômodos da casa, o nosso quintal, depois virá o mundo. E, quando isso acontecer, espero estar aqui, velhinha, vendo como a criança que fora amada se transformara na grande mulher, inteira, realizada, que terá sim seus momentos de fragilidade, mas que, com certeza, se sentirá para sempre confiante. Segura de que, em qualquer idade, sempre que quiser, poderá encontrar amor, calor e humanidade nesses braços que estarão abertos para lhe acolher. Não é preciso ir tão longe. O resultado, de curto prazo, já está aí: Laura é uma criança que quase nunca chora. Ela não precisa. Sabe que estou sempre aqui, disponível, ao seu lado. O seu choro raro são apenas gramelôs de um ser em formação que precisa comunicar suas necessidades, seus incômodos, suas pequenas angústias. Nada demais. Nada que um coração atento de mãe não saiba compreender.

Slingueiras Maternas/ Matrices: mulheres para as quais ser mãe é antes de tudo uma atitude responsável
Materna Keli McGeen e Nenagh

Antes de Laura nascer eu, provavelmente, não concordaria com 80% do que pratico hoje. Mas bastou nos conhecermos para deixar que a intuição se tornasse minha melhor conselheira. Revi meus conceitos e refiz minhas escolhas responsáveis, embora nem sempre acertadas. Disponibilizar meu colo, assim como fazer Cama Compartilhada, Amamentar em Livre Demanda foram algumas delas.
Certamente, eu não teria tanta coragem em assumi-las sem o concurso de mulheres maravilhosas com as quais compartilho experiências, angústias, medos e descobertas (e, sempre, claro, com o apoio impagável do Wilson, pai de Laura). Às Maternas/ Matrices slingueiras, minha homenagem e eterna gratidão. Obrigada!!!
Materna Danielle Nagy e Lena
Materna Maria Kacinskas e Alexandre
Materna Adriana Guimarães e Helena
Adriana Guimarães com a gostoosa da Helena, slingando na Bolívia, ao lado de duas bolivianas slingueiras

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Capítulo II: Aprendendo o beabá

No dia seguinte ao parto, eu olhava para Laura e não cabia em mim de contentamento: aquele bebezinho era todinho meu!!! Tinha a sensação de que minha vida seria dali pra frente um eterno brincar de casinha. Laura permaneceria ao meu lado por um período INDETERMINADO (minha vontade era escrever PARA SEMPRE, mas como dizem que filho a gente cria para o mundo, contentarei-me com um "indeterminado")! Pelo menos por longos oito meses (quer dizer, eu pensava que seriam longos, mas já se passaram dois corridésimos!!), estaríamos grudadas: seis da licença, mais duas férias que deixei acumular pensando em dedicá-los à maternidade.

Ao deixar a Casa de Parto, nós não sabíamos ao certo para aonde iríamos. Nossa casa continuava em obras. Não queria me hospedar com parentes, nem amigos. Queria viver plenamente aquele começo de vida nova, na quietude da minha solidão (claro, para “minha solidão”, leia-se eu, Laura e Wilson). Como eu e ele não temos mãe, nem tia, irmã ou prima mais velha por perto, desde o início sabíamos que não haveria a quem recorrer, nenhuma ajuda externa, nenhum aconselhamento sequer. Sabe como é, né? Avós são excelentes para aqueles momentos em que as novas criaturinhas não param de chorar. Têm sempre uma receitinha milagrosa, uma simpatia, um jeitinho safo de carregar... Mas, pra falar a mais pura verdade, quem me conhece sabe que eu jamais me adaptaria a este esquema “dependência familiar”. É aquela história, assombração sabe pra quem aparece, e pra quem não deve aparecer também. O que vejo várias amigas contar é que por mais que mães e sogras amem e tenham a mais boa vontade acabam criando atritos (inclusive entre elas mesmas) por divergências de opinião. E angu mexido com mais de uma colher de pau acaba desandando.

Ah, neimmmm! Prefiro fazer as coisas do meu jeito a ter que ficar discutindo com pessoas, bem intencionadas (outras nem tanto assim) a me dizerem como devo agir. Sempre fui de quebrar a cabeça e, muitas vezes, a cara também. Mas sempre dei muito valor a tudo o que aprendi e conquistei com muito custo, e, porque não, um bocadinho de dor! Se não há ninguém pra ajudar, o melhor é que ninguém há também pra atrapalhar. Por isso, nossa gravidez e a vida pós-chegada da Laura foram muito bem planejadas. E olha que muita coisa saiu do script, como a famigerada obra (leia-se, o gerenciamento dos pedreiros) e a falta de um local adequado pra ficar nos primeiros dias. Mas, afora isso, basicamente eu e Wilson sabíamos que iríamos ter que dar conta de todo o serviço da casa, além de cuidar de um bebê recém-nascido, diga-se de passagem, arte sobre a qual éramos ambos totalmente inexperientes. Combinamos, desde o início, que ele ficaria por conta do lar e eu me dedicaria cem por cento à Laura, pelo menos nos primeiros momentos. É óbvio que, na realidade, em algumas tarefas eu tenho que ajudá-lo, como passar as roupinhas dela, às vezes, lavar um banheiro, correr um pano na casa, fazer comida. Mas este é um assunto que merecerá um post inteirinho pra ele, um capítulo hiper, super, mega especial: o nosso planejamento familiar.

Bebê a bordo sem bula ou manual

Durante toda a gravidez, eu estudei muito sobre o assunto. Lia artigos acadêmicos, blogs, sites. Sabia a cada semana (dia e, se bobeasse, hora) o que se passava com Laura em seu desenvolvimento. Termos científicos, como tocólise, lanugo, mecônio, e outros, faziam parte de um vocabulário familiar. Contudo, a vida do bebê extra-uterina, eu, protelei e, confesso que me esqueci de pesquisar. Tudo seria pra mim, pra nós, a mais assustadora, mas também a mais instigante, novidade. Noites antes do nascimento, ficávamos imaginando o que faríamos quando, felizes da vida, chegássemos com aquele “embrulho” em casa.

Bem, neném não vem com manual (frase mais que batida, mas deu vontade de colocar). Se viesse, eu leria tudinho (adoro ler manuais de eletro-eletrônicos e bulas de remédio). Mas acho que de nada adiantaria, pois, pelo muito que ouvi dizer, cada criança é de um jeito e cada mãe e pai sabe a melhor maneira de lidar com sua cria. Basta estarem dispostos a ouvir, observar, serenar, agir com a cabeça, mas principalmente, com o coração. Imagina, Laura passara nove meses dentro de mim! Eu brinco que ela é meu pedacinho de carne! E mãe tem o instinto para guiá-la. Saber como pegar, aconchegar, prover, alimentar...? Há meses vínhamos treinando nossa forma de comunicar. E, naturalmente, nós já tratávamos Laura assim, como se deve, um ser dotado de inteligência, desejos e necessidades. Conversávamos muito com ela ainda na barriga e explicávamos toda a nossa situação. Eu pedia que ela fosse boazinha. Que chorasse quando tivesse que chorar, mas que já viesse sabendo o tipo de mãe e pai que iria encontrar.

No livro Nossos Filhos são Espíritos (do qual falei no Relato de Parto), o autor desenvolve um raciocínio interessante: ele diz que o bebê, quanto mais novo, tem uma enorme capacidade de entendimento. Segundo ele, para suportar as limitações do corpo ainda em formação, o espírito traz vivas as lembranças do mundo espiritual, o motivo de estar na Terra e o seu propósito encarnatório, sua bagagem moral e intelectual. E, à medida que vai desenvolvendo o corpo, inversamente, vai se tornando “mais criança”, para, então, aprender tudo de novo. Nós, Wilson e eu, acreditamos nisso. E, cotidianamente, Laura tem nos provado o quanto é capaz de atender aos nossos pedidos e compreender nossas limitações.

É claro que o recém-nascido humano depende dos cuidados dos pais, e ela absolutamente não é diferente. Muito mais que cuidar, é preciso ser mãe e pai. E isso requer muita disponibilidade, física e emocional. É preciso muito afeto, mas também muita disposição e dedicação. É lógico que para o bom desempenho da minha função eu tenho precisado de consultores, como jovens e velhas amigas, cunhadas, médicos, livros, sites, blogs, minhas queridas listas de discussão... Mas tenho a consciência de que, por mais que não sejamos experts, eu e Wilson nos preparamos para nos doar à Laura. E isso é o que mais conta: nossa disposição em ouvi-la, estudá-la, compreendê-la e amá-la. Não pretendemos terceirizar nossa missão.

O caminho tem sido árduo (e isso inclui perder o jogo do Brasil na Copa do Mundo, caso do Wilson que ficou lavando roupas da Laura, enquanto eu a amamentava ou brincava, pois ela exigiu o tempo todo a minha atenção; invariavelmente comer comida fria; tomar banho depois da meia-noite; ficar horas com vontade de fazer xixi...), mas muito compensador. Estamos cansados, mas não exauridos. A cada dia, Laura nos renova. É um mundo mágico, gigante, e estamos apaixonadamente dispostos a vencer cada etapa, cada dificuldade. E, como já disse, é sobre cada uma delas e sobre essas primeiras descobertas que falarei nos próximos post, e irei, assim, tecendo este blog.

Quarto Trimestre de Gestação

A primeira coisa que descobrimos antes mesmo de sair com Laura da Casa de Parto é que, assim como todos os bebês, mesmo com 38 semanas de gestação, ela não nascera pronta! De todos os mamíferos, o bebê humano é o único que, para conseguir sair do ventre da mãe (bípede e, por isso, com a bacia mais estreita que os quadrúpedes), precisa nascer antes de atingir toda sua maturidade. Seria impossível a expulsão natural, pela vagina, por causa do desenvolvimento do perímetro cefálico, se ele nascesse, por exemplo, com doze meses de gestação.

Por isso, em sua maioria, os nossos “fetos extra-uterinos” sentem muito frio (ainda não são capazes de manter a temperatura ideal), espirram e tossem muito (estão a amadurecer o pulmão), sentem cólicas (por falta de amadurecimento do sistema digestivo), precisam ser colocados para arrotar, e vêm com uma série de “defeitos de fábrica”, como Refluxo Gastroesofágico (o que responde pelas famosas golfadas), Reflexo de Moro (pequenos espasmos causados por sustos), Reflexo Gastro-Cólico (uma tal diarréia benigna, que é o esvaziamento do intestino tão logo o estômago recebe novo alimento), além de precisarem chorar para se comunicar.

Quase todos esses nomes eu e Wilson fomos descobrindo à medida que Laura ia nos apresentando os sintomas. Dessa lista toda, escapamos das cólicas (que ela nunca teve, Graças a Deus) e do choro (minha bebezinha é uma anja, ela quase não chora, apenas solta uns resmungos graves e bravos quando não conseguimos captar de imediato sua mensagem, mas é só nos conectar e ela logo sorri!).

De fato, o comportamento dos recém-nascidos é muito variável e depende de vários fatores,
como personalidade, experiências intra-uterinas, o tipo de parto vivenciado, fatores ambientais, incluindo o estado emocional dos pais e, principalmente, o estágio de maturação que ele nasce. E eu acredito que ter estado sozinha com Laura desde o primeiro dia foi positivo no processo desse reconhecimento. A ocasião fez o ladrão e como toda mamífera tenho sabido como lamber minha cria. Foi por meio dessas peculiaridades que acabei descobrindo, por exemplo, a Amamentação por Livre Demanda, a Cama Compartilhada, o uso das Fraldas de Pano e o Colo como Extensão do Útero. Para compreender tudo isso, foi preciso rever conceitos e, principalmente, libertar-me dos preconceitos. Mas, como tudo isso foi fruto da experiência, tenho me sentido segura das minhas escolhas, certa de que poderei revê-las e mudar de rumo, guiada pelas necessidades de Laura.
No próximo post, falaremos sobre como cheguei e porque optei pela Amamentação por Livre Demanda. Até lá.