Há muito estou precisando voltar os olhos e os dedos (principalmente) para as bandas de cá. Mas, como este mês comecei a trabalhar de casa, o tempo anda ainda mais escasso.
Por outro lado, o que não falta é assunto... Laurinha completou seis meses, há dois sarou da assadura (estou devendo um post sobre como exterminar assadura por fungos e, consequentemente, sobre leite materno x reflexo gastrocólico); há um, se livrou totalmente do refluxo gastroesofágico (mais uma dívida de post!); iniciamos a INTRODUÇÃO à alimentação COMPLEMENTAR (e este é um post que vai render pano pra manga, pois quero muito dividir minha experiência com todas as mamães de primeira viagem que por aqui passarem).
Depois, quero contar também sobre a aula de baby-yoga que participamos, sobre a nossa incursão na medicina antroposófica e sobre a experiência com a primeira e bendita febre na vida da minha pequena! Puxa, como esses cinco e seis meses vieram cheios de novidades!
Como tem sido um assunto recorrente não só nos fóruns de discussão que participo, mas entre papos de amigas e vizinhas, vou hoje, finalmente, falar sobre minha opção pelo NÃO uso de chupetas.
Na verdade, sempre fui radicalmente contra, a começar por ser uma muleta da qual se lança mão até quando (e somente!) é conveniente à mãe. Este mês, depois de comprar um copinho de transição para apresentar água e sucos à minha pequena, bateu-me uma grande dúvida! Percorri lojas e drogarias atrás de um modelo que fosse mais orgânico, cujo bico não permitisse o livre fluxo de líquidos, que exigisse a sucção, que fosse de silicone, que fosse livre de Bisfenol A, que tivesse a famosa válvula que impede a formação e a passagem de gases.
Ou seja, uma maratona: passos de uma mãe de primeira viagem. Para no fim, Laura fazer a maior disfeita! Simplesmente usou o copo como mordedor. Depois que se cansou, o mandou longe. E, claro, caiu de boca no peitinho da mamãe.
Cá entre nós, minha filha é inteligente. A natureza cuidou de dotá-la, assim como a todos os bebês, de instinto de sobrevivência. Não há enganação. Eles sabem o que é melhor. E eu, humildemente, a obedeço! Vamos à compra de um copinho, sem bicos, sem válvulas, sem silicone, sem muita perfumaria, sem a necessidade de chupação.
Chupeta passada em revista
Pelo que ando estudando, percebo que, atualmente, a chupeta (e, em consequência, mamadeiras, chuquinhas e copinhos com biquinhos, canudos e afins) tem sido desaconselhada até mesmo por pediatras mais conservadores, por causa da possibilidade de que ela interfira negativamente não apenas na formação da arcada dentária, do palato, mas na respiração, na deglutição, na mastigação e na fala, como também, o que é ainda mais assustador, no processo de aleitamento materno, entre outros motivos.
Tem-se verificado que crianças que chupam chupetas, em geral, são amamentadas com menos frequência, o que pode comprometer a produção de leite. Embora não haja dúvidas de que o desmame precoce ocorra mais comumente entre as crianças que usam chupeta, e, ainda que não sejam conhecidos os mecanismos envolvidos nessa associação, não é difícil inferir que o problema está diretamente relacionado à facilidade que é vendida à mãe para que essa possa se desincumbir da função de prover amparo, carinho, distração, calor e aconchego à criança.
É até possível que aconteça uma inversão na ordem dos fatores, ou seja, que o uso da chupeta seja um sinal de que a mãe está tendo dificuldades na amamentação ou de que tem menor disponibilidade para amamentar. Mas é inegável o fato de que o produto é mais uma das novidades que a puericultura tratou de introduzir na vida moderna para, desvirtuando a autêntica relação fêmea-filhote, aumentar os ganhos financeiros das indústrias e empresas que se mantém neste tipo de negócio, assim como foi com o leite artificial, com a mamadeira, com os carrinhos de carregar bebês, com as fraldas descartáveis, com os lencinhos umedecidos e com um número infindo de outros artefatos industrializados.
Não bastasse esse papel desarticulador da relação materna, a chupeta pode ainda ser responsável por uma ocorrência maior de infecções, como candidíase de boca (sapinho), otite média, estomatite, amigdalite, faringite e outras tantas "ites" que são infecções contraídas por contaminação oral, além das terríveis cólicas causadas por gases que se ingere durante a sucção.
A relação entre o uso da chupeta e a lactância
Estudos comprovam que os malefícios que podem vir à tona a longo prazo se estendem às mamadeiras e aos copinhos de transição. A comparação de crânios de pessoas que viveram antes da existência dos bicos de borracha com crânios mais modernos sugere o efeito nocivo dos bicos na formação da cavidade oral.
"Todos os copinhos que a criança precisa sugar através da formação de uma pressão negativa intra-oral não são funcionais e podem alterar a rota de crescimento dos ossos da face, por prejudicar as funções, trabalhando os músculos errados. Como consequência, aumentam-se os riscos de desenvolver respiração bucal, má-oclusão, patologias respiratórias, distúrbios de fala, problemas mastigatórios e deglutição atípica", diz a odontopediatra Andréia Stankiewicz. Além, é claro, de, como falado anteriormente, levar ao desmame.
Para sugar o peito, o bebê além de ter que se esforçar - colocando em funcionamento uma horda de músculos faciais - precisa "esperar" pela descida do leite. Mamadeiras, chuquinhas e copinhos de canudo contribuem para o desgringolar deste processo. Com o fluxo maior de líquido que esses artefatos permitem, em uma presteza que basta virar o recipiente, o bebê simplesmente se torna acomodado e, certamente, desaprende a pega mamária. A consequência, que tem como resultado invariavelmente o desmame, pode ser, além de fissuras causadas no seio, a sub-lactância, ou seja, bebê desnutrido: prato cheio para os entusiastas do complemento artificial.
A esse respeito, veja pesquisa realizada pela Liga do Leite - uma organização internacional não governamental, sem fins lucrativos, que oferece informação e apoio às mães que desejam amamentar seus filhos.
Para sugar o peito, o bebê além de ter que se esforçar - colocando em funcionamento uma horda de músculos faciais - precisa "esperar" pela descida do leite. Mamadeiras, chuquinhas e copinhos de canudo contribuem para o desgringolar deste processo. Com o fluxo maior de líquido que esses artefatos permitem, em uma presteza que basta virar o recipiente, o bebê simplesmente se torna acomodado e, certamente, desaprende a pega mamária. A consequência, que tem como resultado invariavelmente o desmame, pode ser, além de fissuras causadas no seio, a sub-lactância, ou seja, bebê desnutrido: prato cheio para os entusiastas do complemento artificial.
A esse respeito, veja pesquisa realizada pela Liga do Leite - uma organização internacional não governamental, sem fins lucrativos, que oferece informação e apoio às mães que desejam amamentar seus filhos.
ChuPEITAR ou não chupetar, eis a questão!
Não raro, tem rolado em meu meio a discussão polêmica: "e se o seu bebê fizer seu peito de bico?". De cara, recomendo a quem pensa que o peito da mãe serve apenas à alimentação do filhote que prossiga com essa leitura. Ora, se não for fazer o meu peito de bico vai fazer o peito de quem? Já ouviram falar da Fase da Oral? Freud explica!
Aquela velha história que se ouve das amigas, avós e até de profissionais da saúde - "essa menina está te chupetando e vai ficar mal acostumada"-não faz o mínimo sentido. Primeiro porque o que é natural e original é o peito e não a chupeta; segundo, porque não há nada de mal em a criança chupeitar a própria mãe. Ao contrário, sinal de bebê normal e esperto, que sabe o que é bom, barato, e saudável.
E, de mais a mais, isso é discurso de mulheres que ainda estão presas à revolução feminista, quando foram para as ruas queimar sutiãs e decretar sua liberdade! Mas hoje, os tempos são outros. A mulher pode provar ao mundo que é capaz de agir profissionalmente em pé de igualdade com os homens, sem precisar se abdicar da maternidade ativa!!! E para a mulherada que perdeu a oportunidade de viver sua feminilidade plena é muito difícil dar o braço a torcer e concordar que maternar com amor e disponibilidade é uma forma de empoderamento muito mais orgânica e eficaz que sair às ruas queimando peças íntimas, enquanto os filhos são deixados em casa com babás, televisões, mamadeiras e chupetas. Admitir isso seria dar a mão à palmatória, e amargar um tempo que não há mais como voltar atrás.
Afinal, para além do Leite Materno - que é o alimento ideal e perfeito para qualquer filhote - amamentar é o contato mais divino, mais sagrado, de troca entre mãe e filho. Ora, bebês não necessitam apenas de alimento para o corpo, mas, sobretudo, de alimento para a alma recém-chegada neste novo planeta; precisa ouvir e sentir a respiração da mãe, o barulho do seu coração, precisa do seu calor, precisa se sentir aninhado, tal qual esteve durante nove meses, na barriga. Sobreviver longe do ninho em que estivera protegido, onde não necessitava sequer fazer esforço algum para matar fome e sede, e ainda ter que driblar as adversidades de temperatura e som totalmente novas para ele é muito difícil.
Filhotes precisam de tempo para se acostumar à vida, aos seus corpos em formação, a todas as sensações que o seu organismo em recém-funcionamento lhes apresenta. Precisam de tempo para aprender suportar ou lutar contra a fome, a sede, o frio, o calor, as cãibras, a dor. E ainda que a mãe supra tudo isso... ainda assim, precisa de mais peito! Bebê é gente, sente medo, tédio, solidão... E, de mais a mais, quanto mais se oferece aos bebês, de forma natural, aquilo de que eles precisam, tão mais rápido eles aprendem a suprir suas necessidades sozinhos. Ou seja, bebê amado é adulto independente, seguro e feliz!
Mal acostumadas são mães que negam ao bebê aquilo que é dele por direito! Mal acostumadas são mães que precisam se desdobrar em mil e uma mulheres para provar ao mundo que têm poder e por isso optam pelo desmame precoce (lembrando que OMS alerta para a importância do aleitamento materno e exclusivo até os 6 meses!). Claro que há exceções! Há aquelas que realmente, por forças de alguma circunstância, não podem, de fato, amamentar.
O problema (silencioso) dos Copos de Transição, canudos, bicos e afins...
Pensei que iria esgotar o assunto no texto acima, mas o fato é que em meus ciclos de convivência o tema tem dado mais pano pra manga do que eu poderia pensar... Cheguei a ser chamada de xiita e acusada por julgar mães que decidiram por escolhas contrárias à minha. Mas, muito longe de fazer um mea culpa, volto para reafirmar, de forma breve, o porquê da minha opção por não usar chupeta, mamadeira ou copinho de transição. Lembrando que cada um escolhe seu caminho, eu apenas explico como foi e porque escolhi o meu.
Recebi alguns emails e ouvi comentários de amigas também dizendo que “um pouquinho só não faz mal”... Ora, oferecer chupeta só para o bebê adormecer, dar a mamadeira só durante as mamadas noturnas, usar o copinho de transição só quando precisar... O problema é o “só”, até quando este tipo de necessidade será estendido. Até que se crie um hábito?
É claro que precisamos fazer algumas escolhas que vão de encontro às nossas convicções, pois são momentos em que necessitamos optar pelo “menos ruim” (sic). Mas isso não quer dizer que deixam de ser escolhas ruins. Optar por um parto cesáreo (ops, cirurgia não é parto!) quando o bebê está realmente em risco é uma escolha necessária, nem por isso a cesária, em sentido amplo, é boa. Optar pela indução do parto normal, às vezes, pode ser razoável, mas nem por isso a interferência deixará de trazer algum tipo de prejuízo à mãe e ao bebê, ainda que seja distanciar-se do natural. Optar pelo uso de mamadeiras, complementos artificiais e afins pode ser necessário, claro, mas nem por isso é o melhor.
Mas agora, venhamos, copinho de transição é demais! O que não faz a indústria do consumo para ludibriar mães de primeira viagem que, assim como eu, ambicionam o melhor para seus filhos, quando, na verdade, o melhor é tão simples e está tão disponível a todas nós.
Em primeiro lugar, copinho de transição é eufemismo! E a indústria deveria estampar em suas embalagens: “Este produto é similar a qualquer mamadeira. A única diferença é que ele vem com alças para 'facilitar' a sua vida e a do seu bebê!”. Facilidade que pode custar mais do que se imagina. E, por falar em custo (financeiro propriamente dito), copinho de transição é um artefato mais caro, exatamente porque vende este conceito da diferença, da evolução. O que, na verdade, é balela.
Em segundo lugar, transição de quê para quê? Se o bebê mama no peito (ou pelo menos deveria) e por n motivos (muitos deles alheios à vontade da mãe) precisa se alimentar fora da fonte original, porque precisaria passar por uma transição do peito para o copo, utilizando-se para isso de uma mamadeira com alças? Melhor ("menos ruim") seria então que o bebê mamasse direto na mamadeira, pois assim se evitaria uma falsa sensação de estar se fazendo o melhor (ou o "menos ruim"). Com a clareza de uma escolha consciente, a pessoa pode, inclusive, buscar outras alternativas tão logo lhe seja possível.
Se, como o próprio nome já diz, esses copinhos serviriam apenas para fazer a transição para copos normais, porque é que a maioria das crianças permanece com o hábito por anos e anos? Por praticidade? Por que não derramam nem se quebram? Por que a criança se acostumou, se afeiçoou... enfim... Qual é o nosso papel de mães e pais?
Ora, se um adulto tem dificuldades para manusear um copo de vidro ou ofertar líquidos a um bebê com a colher, o que esperar do filho que precisa aprender a controlar os movimentos, a força, a coordenação motora? Parece-me mais razoável que se treine primeiro os pais, os cuidadores, as babás e as mães a manusearem os artefatos que sejam pouco mais saudáveis.
O que não vale mesmo é, por comodismo, incutir, nos pequenos, hábitos e estímulos que podem lhes ser cobrado caro no futuro. Segundo a odontopediatra Andréia Stankiewicz, hábitos orais poderão ser perniciosos a depender de uma série de variáveis e não apenas do hábito em si. Por exemplo, o tempo versus a duração e a intensidade do hábito, associado ao biotipo da criança, pode fazer estragos para a vida toda. “O estudo da biotipologia nos mostra que existem crianças que são mais vulneráveis ao desenvolvimento de problemas, mesmo que o tempo versus duração e intensidade do hábito não sejam significativos. Normalmente são as crianças mais gordinhas (endoblásticas) ou aquelas bem magrinhas, com o rostinho mais fino e comprido (ectoblásticas) as que sofrem mais com os maus estímulos do meio. Por outro lado, crianças que têm um predomínio muscular (mesoblásticas) ou equilíbrio dos tecidos (condroblásticas) apresentam biotipos mais resistentes”, explica.
Ela chama a atenção para o mecanismo de sucção envolvido no processo, sem ficar preso aos rótulos: se é mamadeira, copo de transição, com bico duro, com bico de silicone ou com canudo. Dá tudo no mesmo!
“Quando existe uma sucção onde o líquido precisa ser extraído a vácuo (com a criança literalmente chupando), alguns músculos serão requeridos de forma diferente do que o aleitamento no peito, onde ocorre a ordenha do leite, sem pressão negativa dentro da boca, exceto na hora que o bebê posiciona o mamilo quase na garganta. Inclusive, quanto mais difícil de sair o líquido, mais esforço (errado) essa musculatura precisará fazer. E talvez isso atrapalhe o amadurecimento de algumas funções”, completa.
O que queremos dizer com este post é que existem outras opções, talvez menos bonitas ou coloridas ou divulgadas, e que não prejudicam o desenvolvimento orofacial e nem o organismo do seu bebê como um todo. E exemplos não faltam: copos ou xícaras comuns, mamadeira-colher, colherinha, conta-gotas, seringa, copo de cachaça. Algumas dessas devem se adaptar a maridos cuidadores e babás mais estabanados.
E sobre a ideia de que 'um pouquinho só não faz mal' ou 'meu irmão chupou chupeta e usou copinho de canudo a vida inteira e tem os dentes lindos', Drª. Andréia explica: "São estas crianças (que geralmente as pessoas falam que fizeram isso e aquilo e chuparam chupeta e tomaram mamadeira e etc e nada aconteceu) que, em geral, apresentam bruxismo e uma mordida profunda, sem que esteticamente existam grandes alterações".
Agradeço às maternas Luzinete Rocha de Carvalho e Andréia Stankiewcz pelas palavras pegas emprestadas e pela inspiração!
Leia (vale muito à pena!):
Considerações sobre a chupeta baseadas em evidências