Alguns ecos...

Alguns ecos: a maioria destes textos é tecida de matéria prima que Laura me oferece, e também das várias leituras a que ela me induz, mas que muitas vezes, introjetadas, não consigo nem mais citar a fonte. Contudo todas elas podem e devem ser acessadas por meio dos meus Gadgets.

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

20 Meses depois... mais um parto sem intervenções: a volta ao trabalho

Nossa, como ando sumida do blog!!! Juro, assunto é o que não falta! Ai, gostaria tanto de compartilhar todas as experiências... vejam só, não consegui ainda escrever sobre a Introdução à Alimentação Complementar da pequena, mas renovo meu compromisso em dividir isso com outras mães, já adiantando que com 1 ano, Laura continua uma "mamona"!!! Não escrevi sobre a experiência do engatinhar, do nosso mergulho na Medicina Antroposófica, da nossa adesão irrestrita à Alimentação Orgânica, da Festa Vegetariana e livre de açúcares do aniversário de 1 ano da minha querida filha!!! Mas tenho certeza de que todos estes assuntos serão temas para novos posts que, com certeza, irei me dedicar.
Hoje quero falar da minha volta ao trabalho: dizer que tudo foi muito mais tranquilo e orgânico do que podíamos (eu, Wilson e Laura) imaginar.  É que, com muito planejamento, tivemos a graça de passar por essa experiência quando Laura já estava prestes a completar 1 ano. Taí, acho que foi o tempo ideal! Nem menos, nem mais. Eu e minha filha pudemos nos curtir, e mais que isso, vivenciar todo o nosso processo de separação sem culpa, dor e atropelos. (Agora terei que trabalhar mais 3 anos consecutivos, sem direito às férias, para propocionar o mesmo tratamento ao BB2, hahahahahaha, ou me preparar para fazer diferente, já que o melhor é o possível!).
Durante os primeiros 11 meses de vida, Laura teve uma mãe completamente à sua disposição. Colo, peito, amor irrestritos! Tudo o que extrapolasse essa tríade, era assunto de segunda ordem em nossa rotina. Eu tive o privilégio de me deliciar de perto com todas as primeiras experiências e descobertas, foi um processo muito intenso e delicado. Tivemos todo o tempo do mundo para compreendermos, juntas, que nos tornamos dois seres independentes uma da outra, mas eternamente ligadas por um amor cúmplice e seguro que foi se construindo desde o ventre. 
O principal ensinamento que Laura me proporcionou foi de que tudo tem sua hora e que paciência é o ingrediente fundamental, não pode faltar! Ai, confesso, claro, as angústias sofridas em horas e horas seguidas de cadeira de balanço amamentando, enquanto todo o serviço da casa tinha que esperar. Ah, tinha que esperar!!! Respeitar as necessidades, os desejos, a vontade própria daquele serzinho que acabara de chegar... Tendo sempre em  mente o mantra: "tudo é fase e vai passar"! Respeitei e muitas delas já se passaram... deixando saudades, mas a certeza de que valeram à pena. Como valeram!!! E ainda me perguntam porque minha filha é tão alegre, "tão tranquilinha", tão segura, capaz de passar um dia inteiro com pessoas amigas, mas, a princípio, estranhas a ela, longe do pai e da mãe, sem reclamar!
Hoje, Laura não necessita mais do meu colo 24h por dia, quer mesmo é correr a casa engatinhanho, ou se agarrando nas paredes e nos móveis. "Dandá"! Nossa! Que alegria aquele sorriso ainda desdentado que expressa a felicidade da curiosidade, da conquista, da liberdade, do serzinho que quase anda, cambaleante. Da segurança de que o colinho encontra-se ainda disponível quando ela quiser e precisar voltar.
Laura (ainda que tenha como preferência número 1 o peitinho da mamãe), não faz da Livre Demanda desculpas para se manter plugada 24h no mamá. A transição para outros tipos de alimentação tem sido lenta e gradual, mas plena em sua evolução. Não tivemos e ainda não temos pressa: Laura experimentou outros sabores (frutas) com quase 7 meses de idade (quando já se mantinha sentada sozinha, há quase dois meses; quando já não mais tinha o reflexo da língua e podia engolir o alimento sólido; quando já podia, autônoma, aceitar ou recusar). Devagarinho, ela experimentou, um por um, os sabores dos legumes, das verduras, dos cereais, das oleaginosas. Nos mostrou tendências de um paladar que ainda está a se formar. Com 8 meses, teve respeitado o seu desejo de voltar à Amamentação Exclusiva. E agora, depois que a mamãe saiu para trabalhar, é capaz de bater um pratão, tomar suco e ainda exigir a frutinha como sobremesa, carinhosamente preparados e oferecidos pelo papai.

Mas, claro, nem tudo são flores...

Fácil não é. Ainda mais quando se opta por caminhos que, à primeira vista, parecem mais difíceis. Mas os parcos espinhos de hoje, tenho a convicção, serão flores que já vemos brotar.
No último post que publiquei, tive a oportunidade de falar sobre nossa escolha (minha e do Wilson) em não oferecer à Laura nenhum tipo de bico (chupeta, mamadeira, copinhos de transição...). E, certamente, isso foi um dificultador em nossa adaptação. Afinal, bico serve de consolo (eu acho que é engodo) e mamadeira faz bem o serviço para os pais. MAS... as consequências, na nossa opinião, com certeza, nos dariam muito mais trabalho e nos fariam menos felizes, com a consciência menos em paz.
Uns dois meses antes de voltar ao trabalho, comprei uma bomba de tirar leite e dei início às tentativas do estoque. Ainda que Laura já estivesse apta a comer outros alimentos, achava importante deixar meu leite à disposição para ser dado no copinho de cachaça, com o qual ela bebe água e, raríssimas vezes, suco (não dou leite de vaca pois entendo que leite de vaca é para bezerro, o leite da Laurinha nasceu com ela, nos seios da mamãe). A ideia era que, pelo menos, Wilson conseguisse dar a ela o leite materno misturado às frutas e cereais. Mas, nosso investimento foi praticamente em vão... A espertinha não aceita o leitinho fora da fonte nem por decreto! É capaz de identificá-lo em meio às frutas e a recusa é veemente. Se fosse na mamadeira, TALVEZ aceitasse... O resultado é que a garota agora se pluga em meu peito às 16h e se solta Deus sabe lá a que horas da manhã do dia seguinte... quando então saio para trabalhar. Aceita o jantar muito mais ou menos, mas ainda exige, a cada duas colheradas de comida, uma pausa para mamar. Assim vamos seguindo, até que ela se sinta pronta para romper mais este vínculo, ao que, tenho certeza, não se furtará.
Na primeira semana, pensamos que dormir longe do peito fosse ser mais uma dificuldade. Mas essas criaturinhas são espertas. Passado 1 mês, Laura já entende a rotina proposta pelo pai. Depois da fruta da manhã, é hora do banho morninho, uma musiquinha calminha, um aconchego no colinho e taí, a sonequinha da manhã ainda é irregular, às vezes tarda, mas não falha. E a danadinha que antes dormia, no máximo, uns vinte minutinhos, é capaz de passar 1 hora inteirinha adormecida para que Wilson tenha tempo de preparar o "papá". Para isso, acho que foi fundamental o fato de Wilson estar presente desde o momento do nascimento... assumindo as funções do banho, troca de fraldas, brincadeiras, momentos só dos dois... Foi fundamental eu me sentir segura e acreditar na cumplicidade dessa relação.
Ah, a preparação do "papá" também foi um pouco difícultada quando voltei a trabalhar. Nossa opção em oferecer à Laura apenas alimentos orgânicos e não oferecer-lhe nada, nada, nada industrializado, muito menos carnes, deu-nos um pouco mais de trabalho. Seria mais fácil se optássemos por recorrer às papinhas envidradas, aos eventuais congelados. Mas não. Mantivemo-nos firmes pela opção da alimentação natural e, sobretudo, alimentação viva. A solução foi estender a comida saudável da Laura a todos da casa. Resultado: hoje, todos comemos alimentos orgânicos, biodinâmicos, e, na medida do possível, até eu e Wilson temos tentado nos livrar do açúcar (utilizamos o mascavo, mel e rapadura), pois até o nosso café da manhã já está sendo "filado" pela piquitita. O jeito foi a mamãe se virar e diversificar os dotes culinários: tenho feito bolos e pães integrais, com frutas secas, nozes, castanhas, e todos saimos ganhando. Não raro ficamos, eu e Wilson, na cozinha até a 1h da manhã.
A única concessão às nossas escolhas é que às vezes usamos a fralda descartável. Entre lavar as fraldas de pano e curtir os momentos junto à Laura, tenho ficado, sem dúvidas, com a segunda opção. Mas sei também que é uma questão de dar tempo à nossa adaptação à nova rotina.
Escrito assim, parece que esse segundo parto foi sem atribulações. Não foi não. Mas seguimos firmes em nossa opção pelo natural. Nada de muletas, berçário e babás... Aos poucos vamos, os três, nos adaptando às necessidades uns dos outros. O Wilson fica mais cansado, ainda assim é capaz de segurar a onda sozinho por uma meia horinha de manhã para que eu possa me refazer da noite (dormida torta, amamentando). Laura faz a parte dela, que é se manter feliz e saudável. Hoje, quando peço a ela que diga "mamãe", a danada logo responde com o sonoro desafio: "papai!", hahahaha!!!E eu? Eu me explodo em satisfação. E quer saber? Achei que ia sofrer horrores longe da pequena, mas preciso confessar que não sofro nada. As horas que passo no trabalho são preciosas. É meu reencontro com minha solidão. Depois de 20 meses, eu revivo a sensação de ser só eu, na certeza de que no fim da tarde vou novamente me explodir em beijos e abraços. Por isso, na estrada, de volta pra casa, eu "corro, corro demais, corro demais, só pra te ver meu bem....".
Jamais poderia imaginar que faria isso por outra mulher. Mas faço, por você eu faço tudo, minha pequena grande Laura!!!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fraldas de Pano: uma volta 'mais que muderna' ao passado

Gente, este post não se configura exatamente em um capítulo da história de Laurinha, o quarto eu ainda estou devendo...e falarei sobre Refluxo Gastro-Esofágico! É que a "mocinha" está exigindo muito a atenção da mamãe e, claro, eu sou todinha dela!!!! Mas não pude deixar de passar por aqui para registrar a nossa nova investida: o uso das fraldas de pano.
Bem, tudo começou com a Amamentação em Livre Demanda... hehehehe. Bebê que come muito... vocês já sabem... intestino em bom funcionamento... caquinha à toda hora! Aqui em casa, minha quase bebê (quase porque há pouco completou o que chamei no post anterior de Quarto Trimestre Gestacional e está ainda a caminho da "maturidade") apresenta o chamado Reflexo Gastro-Cólico (que faz parte daquela listinha dos "pequenos defeitos fisiológicos" que bebezinhos podem apresentar nos primeiros meses de nascidos, uma vez que ainda não estão totalmente formados). Trata-se de uma espécie de "diarréia benigna", vamos dizer assim, que não é sinal de problema algum, tampouco faz mal ao bebê (a não ser causar assaduras, se as trocas não forem eficientes). A evacuação é desencadeada pela chegada do alimento ao estômago (gastro), que se distende e lança o aviso para a medula espinhal, que, por sua vez, avisa ao intestino (cólon) ser hora de funcionar. É o chamado movimento peristáltico, destinado a empurrar o alimento pra frente, como um riozinho. Em alguns recém-nascidos (caso da Laura), isso acontece a cada mamada.
Como na Livre Demanda Laura mama quase o dia inteiro, a nossa contribuição para o lixo ambiental começou a nos assustar. Cerca de 10 fraldas descartáveis por dia!!!! Daí, fizemos as contas: 3.650 fraldas por ano! Suponhamos que ela continuasse nesse ritmo (o que não acontecerá, claro), se ela desfraldar com 3 anos, teríamos contribuido com 10.950 fraldas a poluir o mundo! Não! Não é esse o planeta que queremos deixar para nossos netos e bisnetos.
Foi conversando com a nova amiga Mirian Kenia (que se tornou amiga a partir da troca de experiências sobre a maternidade), que descobri uma lista de discussão na internet sobre Fraldas de Pano. Lá existem mães maravilhosas, super empenhadas em proporcionar o melhor para seus filhos e que, feríssimas no assunto, deram-me todas as dicas e dividiram comigo uma verdadeira cartilha.
Aluna aplicada, tratei logo de experimentar: comprei minha primeira leva de fraldas de pano, uns modelos super moderninhos que as mamães mais descoladas têm usado em suas crias e que lembram aquelas antigas calças-enxutas (que em BH não se acha mais para comprar), mas que, além de mais bonitas, apresentam um novo sistema: elas possuem umas aberturas (como fronhas) chamdos de pocket (ou bolsos) onde são colocados os inserts (ou absorventes) - tiras feitas em tecidos específicos para absorver ou deixar passar o xixi, como a microfibra, o soft ou fleece (que dá o aspecto "sempre-seco" semelhate ao das fraldas descartáveis), o cânhamo ou hemp, e até de bambu.
Existem fraldas nacionais, mas o mercado ainda está se desenvolvendo. E existem também muitos produtos importados cuja performance, infelizmente, ainda supera a do produto brasileiro. É que as fraldas nacionais ainda não contam com um tecido plástico chamado PUL, que recobre a parte interna das gringas e evita os vazamentos. Eu acabei comprando 5 nacionais e 2 importadas para fazer o teste inicial. Apaixonei-me pelas importadas e acabei encomendando mais doze delas - quantidade suficiente para me libertar de vez das fraldas de plástico. Quer dizer, não totalmente. Ainda fico insegura de sair com as de pano, pois como os cocozinhos são muitos, quase líquidos e muito volumosos, infelizmente (e vergonhosamente), por enquanto, continarei usando as descartáveis nessas ocasiões. Com a consciência um pouco mais tranquila, embora alerta e disposta a abandoná-las por completo tão logo o coco endureça e se torne menos frequente.

Como funciona
Desde o nascimento da Laura, eu e Wilson temos nos revezado na função de lavar à mão e passar todas as suas roupinhas. Chegamos a usar aquelas tradicionais fraldas de pano C....r e a experiência em lavá-las à mão não foi das melhores... os dedos daqui de casa ficaram feridos!!!
Ao escolher as "fraldas de pano mudernas", fui surpreendida com a informação de que as mesmas não poderiam ser passadas. O quê!!!! Quase morri! Chorei na lista de discussão. Fui criticada. Quase apedrejada! Em pleno século 21, lavando roupas à mão e passando fraldas? Explicaram-me que o calor do ferro diminui o poder de absorção do tecido e tentaram me convencer de que ferro nada esteriliza. O pediatra da Laura disse que matar bactéria não mata mesmo, mas que dificulta beeem a vida delas. Mas, como estávamos dificultando mais a nossa vida, que a delas, rendemo-nos. Compramos uma máquina de lavar nova (só para as roupas da Laura) e decidimos secar as fraldas durante à noite (quando - apenas dentro das nossas mentes repletas de pensamentos esterilizados - há menos poeira e, portanto, mais segurança ao bumbunzinho da nossa filhinha).
Nos primeiros raios da manhã, lá vamos nós, recolhemos as fraldas e (ai, que medo) vestimos Laurinha.
A manutenção é mais fácil do que se imagina: fraldas sujas vão direto para um balde com água e tampa; fim do dia: água corrente para tirar o excesso de coco e "bora" pra máquina; de lá para o varal; do varal para o bumbum; e tudo de novo. É importante usar pouco sabão, pois o excesso pode impermeabilizar a camada superficial da fralda. E um inconveniente é que não se pode também usar pomadas no bumbum, pelo mesmo motivo acima exposto.
Ah, detalhe: descobri, aqui mesmo no Brasil, uns absorventes excelentes feitos deste tal material que deixa o bumbum sequinho. Tenho utilizados-os entre o bumbum e a fralda, o que normalmente me dispensa de trocá-la por inteiro. Quase sempre troco apenas o absorvente que retém a umidade e mantém a fralda limpa e seca. Ainda tenho apanhado um pouco. Confesso que principalmente com relação ao ajuste das fraldas, vez ou outra, o xixi vaza. Mas acredito nas mães "velhas de guerra" que me garantem: essa fase de vazamentos vai passar e, no futuro, estaremos felizes em ter contribuído minimamente para a saúde do nosso planeta (e do bumbum da Laurinha também, né, porque ninguém merece tanta química presente naqueles super, hiper, mega power gels que garantem a absorção nas descartáveis).


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Terceiro Capítulo: Sim, eu tenho peito!

Amamentar é uma característica natural, de toda mamífera ou, pelo menos, deveria ser. Mas o ato, que é, sobretudo, uma forma de sobrevivência da espécie, requer muita paciência, disponibilidade e até bom humor. É preciso persistência.
É claro que muitas mulheres que deixam de amamentar o fazem por sérios problemas fisiológicos, mas são raríssimas essas situações. O fato é que à maioria faltam mesmo informações. Informações de que não existe “leite fraco”; de que o bebê não aprende a mamar da primeira vez que é colocado no peito; de que esse é um processo de aprendizagem para as duas partes; de que nem sempre que o bebê chora é porque está com fome e que, portanto, toda mulher produz a quantidade de leite necessária à demanda do seu filho; de que o leite não “seca” assim de uma hora para outra sem que haja uma solução com um pouco de obstinação; de que, a despeito de todo trabalho, as vantagens de se dar o peito são absurdamente maiores que a opção pelo aleitamento artificial.
Mas, além de obter informação, é imprescindível que a mulher se sinta compreendida e apoiada pelos amigos e família. Gente pra dar maus conselhos, fazer comparações e cobranças é o que não falta. Amamentar pressupõe estar disponível aos horários e exigências do bebê (e cada um é de um jeito). Isso significa muitas vezes atrasar encontros, desmarcar passeios, deixar de fazer sala para visitas. Estar indisponível em certos momentos para atender telefonemas. Às vezes também deixar de dormir e até comer comida fria. Daí a minha sugestão (sou maruja de primeira viagem, mas funcionou): tranque-se com seu bebê, desligue-se do mundo e se sinta à vontade. Procure informações, aprenda o essencial e, na Hora H, vocês saberão o que fazer.
É claro que muitas dúvidas irão pintar. Por exemplo, seria ótimo se cada seio fosse transparente e viesse com dosador. Você saberia exatamente quantos mls/dia o seu bebê estaria mamando. Mas se seu filho faz coco e xixi regularmente, não apresenta sinal de desidratação e está ganhando peso, parabéns ele está se alimentando bem. E o processo é assim, quanto mais o bebê suga, mais leite você produz, uma relação de procura e oferta mais que perfeita que só o tempo pode ajustar.
Nos primeiros meses, é normal que a criança mame com freqüência e horário irregulares. Com Laura foi assim: ela não acordava para mamar. Dormia feito uma anja. A noite toda e o dia inteiro. Foi preciso que eu interviesse e, nos primeiros dias, a acordasse de três em três horas. Até hoje não sei se agi corretamente. Foi indicação dos médicos, mas, no meu coração de mãe, naquele momento, a recomendação encontrou acolhida. Era duro! Dava dó! Mas eu o fiz. Pensava estar fazendo o melhor para ela.
Laurinha parecia uma ratinha, de tão pequenininha. E antes de cada mamada, era necessário que eu a despisse por completo e fizesse uma série de cosquinhas. Ficávamos as duas assim, peladas. In natura, mãe e filha...
Aos poucos, ela mesma começou a expressar sua necessidade. E hoje, graças a Deus, minha filha mama muito. Mama a hora e o quanto quer. Mama de manhã, às vezes a manhã toda. Mama durante a tarde. À noite, tem diminuído as mamadas. Mama por volta das 23hs e depois só acorda no dia seguinte, às 7hs da manhã, muito bem disposta a mamar de novo e recomeçar um dia inteirinho de mamadas. Assim nos sentimos felizes. Além de saciar a fome dela, saciamos nossa necessidade de estarmos juntas e nos amarmos.

Self-service ou Livre Demanda
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de tempo de permanência na mama. Até os seis meses de idade, com exclusividade, e até os dois anos, como alimentação complementar. Essa ausência de restrições é o que se chama de Amamentação em Livre Demanda. A criança aprende a “buscar” o suprimento do tamanho da sua necessidade. Aqui em casa, vamos nos mantendo assim... livres. Outro dia, minha avó disse que estou deixando Laura “mal acostumada” (como assim????), pois não se passara meia hora de uma mamada e ela estava de volta ao meu peito para mamar. Perguntei a ela se ficaria satisfeita caso tivesse sede e alguém a impedisse de beber água, caso tivesse fome e alguém a impedisse de comer. E emendei: da primeira vez ela bebera água, agora é hora do jantar.
Aliás, sabe que isso faz sentido? O leite do início da mamada, o chamado leite anterior, pelo seu alto teor de líquido, tem aspecto semelhante ao da água de côco, mata a sede. E ele é muito rico em anticorpos produzidos contra os agentes infecciosos com os quais a mãe já teve contato. Já o leite do meio da mamada tende a ter uma coloração branca opaca devido ao aumento da concentração de caseína. O leite do final da mamada, o chamado leite posterior, é mais amarelado devido à presença de betacaroteno, pigmento lipossolúvel presente na dieta da mãe. Ou seja, a concentração de gordura no leite aumenta no decorrer de uma mamada. Assim, o leite do final é mais rico em energia (calorias) e sacia melhor a criança.
De forma que não há necessidade em se iniciar os alimentos complementares antes dos seis meses, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança, pois a introdução precoce de outros alimentos (até mesmo de chazinhos e água) está associada a maior número de episódios de diarréia; maior número de hospitalizações por doenças respiratórias; maior risco de desnutrição, se os alimentos introduzidos forem nutricionalmente inferiores ao leite materno; e menor duração do aleitamento.
Além disso, na amamentação, os sabores e aromas de alimentos consumidos pela mãe acabam sendo transmitidos para o bebê, de forma que o leite materno oferece diferentes experiências que vão refletir nos hábitos alimentares da criança e, em conseqüência, do adulto. Ou seja, crianças que mamam no peito aceitam melhor a introdução da alimentação complementar. Sem falar que o aleitamento materno diminui o risco de alergias; diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes; reduz a chance de obesidade; provoca efeito positivo na inteligência; é responsável por um melhor desenvolvimento da cavidade bucal da criança. E, em contrapartida, a mulher que amamenta está mais protegida contra osteoporose e diversos tipos de câncer. Mas, se tudo isso ainda não for suficiente, amamentar ainda auxilia a perda de peso adquirida com a gravidez, já que o organismo da mulher precisa “queimar” calorias na produção do leite.
Como se vê, amamentar é muito mais que encher a barriga. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Além de constituir a mais sensível e eficaz intervenção para proteção e nutrição, é também a mais econômica forma de alimentação
Plano de Amamentação
Muito embora na minha família quase todas as mulheres dissessem não à amamentação – alegando que não tinham leite – nunca passou pela minha cabeça a possibilidade de não amamentar minha filha. Também sempre ouvi de muitas primas dizerem que não amamentaram seus filhos para não deformarem seus seios. Gente!! Meus seios são o que mais gosto no meu corpo e nunca também passou pela minha cabeça que amamentar pudesse torná-los disformes.
Um dos pontos fundamentais em meu Plano de Parto era poder amamentar Laura no primeiro momento de sua chegada. E isso pesou muito para que eu escolhesse o Parto Natural, queria ter a certeza de que minha filha não sairia dos meus braços antes de nos desfrutarmos da primeira mamada.
Essa decisão, eu tomei a partir dos diversos artigos que li. Eles me fizeram entender que, além de contribuir para a “descida” mais rápida do leite materno - que pode demorar até três ou quatro dias -, fortalecer os laços afetivos mamãe-bebê, e transmitir segurança àquele serzinho que acabara de chegar a um ambiente totalmente estranho (onde a partir de então precisaria que alguém satisfizesse suas necessidades, ao contrário do ambiente uterino, onde tinha tudo o que precisava sem esforço algum), Laura estaria recebendo logo “sua primeira dose de vacina” (devido à elevada presença de anticorpos no colostro), além de uma espécie de “elixir” (vou chamar assim) que a prepararia para as futuras refeições, claro, no peito da mamãezinha.
É que uma pesquisa realizada pela Queen Mary, Universidade de Londres, revelou uma substância chamada PSTI (pancreatic secretory trypsin inhibitor - em português, inibidor da secreção da tripsina pancreática) que protege e repara o intestino delicado dos recém-nascidos. O PSTI impede que o pâncreas seja danificado pelas enzimas digestivas que produz. E, segundo os cientistas, apesar de ela ter sido encontrada em todas as amostras de leite materno, está presente em níveis mais altos no colostro (aquela aguinha rala que sai nos primeiros dias antes do leite propriamente dito). Bem, o fato é que até hoje, com quase três meses de vida, Laura nunca teve uma só colicazinha.
Mas, a despeito de todo o poder nutricional e da proteção que o leite materno proporciona, o que me parece mais incrível é o laço que ele cria entre mim e minha filha. As trocas de olhares, o chamego daquela mãozinha sobre o meu peito enquanto adormece com a boca no bico, a barriga com barriga, o calor e a respiração. A amamentação nos matém assim, juntinhas! É maravilhoso observar que os meus seios latejam e começam a chorar a cada instante que Laura, sozinha em seu berço, desperta para mais uma “mamazinha”. Ela não precisa sinalizar, são eles que me avisam: é hora de mamar.
Eu e Laura nem bem começamos nossa curtição e  os conselhos já começaram a pipocar. Uns dizem que não devo deixar a menina mamar assim tão livremente pois ela pode se “viciar” (hahahahaha) e depois “será um custo tirar esse vício”!!! Alguns sugerem a introdução da chupeta para acalmá-la, do contrário, só vai dormir “chupetando” o meu bico. Que privilégio! Antes isso. Uma chupeta livre de bactérias, que não deforma os dentes e que eu posso lançar mão dela a cada suspiro. Outros já vêm logo perguntando se antes de terminar a licença à maternidade tratarei de disciplinar a Livre Demanda. O quê??? Fazer minha filha sofrer por antecipação? Se o sofrimento tiver que vir que seja adiado pelo maior espaço de tempo possível. E para os que querem mesmo saber quando pretendo iniciar o desmame: perguntem à Laura, somente ela poderá dizer quando tem a intenção de recusar a “mamazinha” da mamãe.
Na nossa sociedade, dita moderna, a mulher, com freqüência, sente-se pressionada a desmamar, muitas vezes contra a sua vontade e sem que ela e o bebê estejam prontos pra isso. Existem vários mitos relacionados, tais como as crenças de que o leite da mãe é prejudicial para a criança sob o ponto de vista psicológico, que ela jamais desmama por si própria, e que menino que mama fica muito dependente. Mas o homem é o único mamífero em que o desmame se dá por influência desses fatores socioculturais. Com a Laura, espero que o desmame seja um processo no seu desenvolvimento. A independência é uma parte disso tudo e chega pra todos; para uns, mais cedo; para outros, mais tarde. Minha filha será dependente enquanto ela precisar, e enquanto quiser minha bichinha permanecerá aninhada. Eu, mamífera e mãe disposta a dar o melhor de mim, estarei atenta acompanhando, participando e esperando, naturalmente, o crescimento e a independência da minha Laura. Neste dia, ela estará apta a cortar mais este cordão que nos une, vencendo mais uma etapa de adaptação nesta escola que é a vida. Eu estarei feliz, vendo-a correr para sua individualização.
E, como boa provedora, espero poder doar a ela o meu sangue, do mesmo jeito de quando estivera dentro da minha barriga, porém agora em forma de leite, por muito tempo ainda. Graças a Deus que tudo isso já é, em nosso país, um caso político. Viva o Lula que estendeu minha licença por seis meses. Para quem ainda não se ligou, se liga, existem leis que incentivam e protegem as mães que amamentam os seus filhos (clique aqui).

IMPORTANTE: AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE POST SÃO FRUTOS DE LEITURA E REINTERPRETAÇÕES DE UMA MÃE DE PRIMEIRA VIAGEM, PARA ASSEGURAR-SE DE INFORMAÇÕES TÉCNICAS E CIENTÍFICAS É ALTAMENTE RECOMENDADO IR DIRETO ÀS FONTES.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Capítulo II: Aprendendo o beabá

No dia seguinte ao parto, eu olhava para Laura e não cabia em mim de contentamento: aquele bebezinho era todinho meu!!! Tinha a sensação de que minha vida seria dali pra frente um eterno brincar de casinha. Laura permaneceria ao meu lado por um período INDETERMINADO (minha vontade era escrever PARA SEMPRE, mas como dizem que filho a gente cria para o mundo, contentarei-me com um "indeterminado")! Pelo menos por longos oito meses (quer dizer, eu pensava que seriam longos, mas já se passaram dois corridésimos!!), estaríamos grudadas: seis da licença, mais duas férias que deixei acumular pensando em dedicá-los à maternidade.

Ao deixar a Casa de Parto, nós não sabíamos ao certo para aonde iríamos. Nossa casa continuava em obras. Não queria me hospedar com parentes, nem amigos. Queria viver plenamente aquele começo de vida nova, na quietude da minha solidão (claro, para “minha solidão”, leia-se eu, Laura e Wilson). Como eu e ele não temos mãe, nem tia, irmã ou prima mais velha por perto, desde o início sabíamos que não haveria a quem recorrer, nenhuma ajuda externa, nenhum aconselhamento sequer. Sabe como é, né? Avós são excelentes para aqueles momentos em que as novas criaturinhas não param de chorar. Têm sempre uma receitinha milagrosa, uma simpatia, um jeitinho safo de carregar... Mas, pra falar a mais pura verdade, quem me conhece sabe que eu jamais me adaptaria a este esquema “dependência familiar”. É aquela história, assombração sabe pra quem aparece, e pra quem não deve aparecer também. O que vejo várias amigas contar é que por mais que mães e sogras amem e tenham a mais boa vontade acabam criando atritos (inclusive entre elas mesmas) por divergências de opinião. E angu mexido com mais de uma colher de pau acaba desandando.

Ah, neimmmm! Prefiro fazer as coisas do meu jeito a ter que ficar discutindo com pessoas, bem intencionadas (outras nem tanto assim) a me dizerem como devo agir. Sempre fui de quebrar a cabeça e, muitas vezes, a cara também. Mas sempre dei muito valor a tudo o que aprendi e conquistei com muito custo, e, porque não, um bocadinho de dor! Se não há ninguém pra ajudar, o melhor é que ninguém há também pra atrapalhar. Por isso, nossa gravidez e a vida pós-chegada da Laura foram muito bem planejadas. E olha que muita coisa saiu do script, como a famigerada obra (leia-se, o gerenciamento dos pedreiros) e a falta de um local adequado pra ficar nos primeiros dias. Mas, afora isso, basicamente eu e Wilson sabíamos que iríamos ter que dar conta de todo o serviço da casa, além de cuidar de um bebê recém-nascido, diga-se de passagem, arte sobre a qual éramos ambos totalmente inexperientes. Combinamos, desde o início, que ele ficaria por conta do lar e eu me dedicaria cem por cento à Laura, pelo menos nos primeiros momentos. É óbvio que, na realidade, em algumas tarefas eu tenho que ajudá-lo, como passar as roupinhas dela, às vezes, lavar um banheiro, correr um pano na casa, fazer comida. Mas este é um assunto que merecerá um post inteirinho pra ele, um capítulo hiper, super, mega especial: o nosso planejamento familiar.

Bebê a bordo sem bula ou manual

Durante toda a gravidez, eu estudei muito sobre o assunto. Lia artigos acadêmicos, blogs, sites. Sabia a cada semana (dia e, se bobeasse, hora) o que se passava com Laura em seu desenvolvimento. Termos científicos, como tocólise, lanugo, mecônio, e outros, faziam parte de um vocabulário familiar. Contudo, a vida do bebê extra-uterina, eu, protelei e, confesso que me esqueci de pesquisar. Tudo seria pra mim, pra nós, a mais assustadora, mas também a mais instigante, novidade. Noites antes do nascimento, ficávamos imaginando o que faríamos quando, felizes da vida, chegássemos com aquele “embrulho” em casa.

Bem, neném não vem com manual (frase mais que batida, mas deu vontade de colocar). Se viesse, eu leria tudinho (adoro ler manuais de eletro-eletrônicos e bulas de remédio). Mas acho que de nada adiantaria, pois, pelo muito que ouvi dizer, cada criança é de um jeito e cada mãe e pai sabe a melhor maneira de lidar com sua cria. Basta estarem dispostos a ouvir, observar, serenar, agir com a cabeça, mas principalmente, com o coração. Imagina, Laura passara nove meses dentro de mim! Eu brinco que ela é meu pedacinho de carne! E mãe tem o instinto para guiá-la. Saber como pegar, aconchegar, prover, alimentar...? Há meses vínhamos treinando nossa forma de comunicar. E, naturalmente, nós já tratávamos Laura assim, como se deve, um ser dotado de inteligência, desejos e necessidades. Conversávamos muito com ela ainda na barriga e explicávamos toda a nossa situação. Eu pedia que ela fosse boazinha. Que chorasse quando tivesse que chorar, mas que já viesse sabendo o tipo de mãe e pai que iria encontrar.

No livro Nossos Filhos são Espíritos (do qual falei no Relato de Parto), o autor desenvolve um raciocínio interessante: ele diz que o bebê, quanto mais novo, tem uma enorme capacidade de entendimento. Segundo ele, para suportar as limitações do corpo ainda em formação, o espírito traz vivas as lembranças do mundo espiritual, o motivo de estar na Terra e o seu propósito encarnatório, sua bagagem moral e intelectual. E, à medida que vai desenvolvendo o corpo, inversamente, vai se tornando “mais criança”, para, então, aprender tudo de novo. Nós, Wilson e eu, acreditamos nisso. E, cotidianamente, Laura tem nos provado o quanto é capaz de atender aos nossos pedidos e compreender nossas limitações.

É claro que o recém-nascido humano depende dos cuidados dos pais, e ela absolutamente não é diferente. Muito mais que cuidar, é preciso ser mãe e pai. E isso requer muita disponibilidade, física e emocional. É preciso muito afeto, mas também muita disposição e dedicação. É lógico que para o bom desempenho da minha função eu tenho precisado de consultores, como jovens e velhas amigas, cunhadas, médicos, livros, sites, blogs, minhas queridas listas de discussão... Mas tenho a consciência de que, por mais que não sejamos experts, eu e Wilson nos preparamos para nos doar à Laura. E isso é o que mais conta: nossa disposição em ouvi-la, estudá-la, compreendê-la e amá-la. Não pretendemos terceirizar nossa missão.

O caminho tem sido árduo (e isso inclui perder o jogo do Brasil na Copa do Mundo, caso do Wilson que ficou lavando roupas da Laura, enquanto eu a amamentava ou brincava, pois ela exigiu o tempo todo a minha atenção; invariavelmente comer comida fria; tomar banho depois da meia-noite; ficar horas com vontade de fazer xixi...), mas muito compensador. Estamos cansados, mas não exauridos. A cada dia, Laura nos renova. É um mundo mágico, gigante, e estamos apaixonadamente dispostos a vencer cada etapa, cada dificuldade. E, como já disse, é sobre cada uma delas e sobre essas primeiras descobertas que falarei nos próximos post, e irei, assim, tecendo este blog.

Quarto Trimestre de Gestação

A primeira coisa que descobrimos antes mesmo de sair com Laura da Casa de Parto é que, assim como todos os bebês, mesmo com 38 semanas de gestação, ela não nascera pronta! De todos os mamíferos, o bebê humano é o único que, para conseguir sair do ventre da mãe (bípede e, por isso, com a bacia mais estreita que os quadrúpedes), precisa nascer antes de atingir toda sua maturidade. Seria impossível a expulsão natural, pela vagina, por causa do desenvolvimento do perímetro cefálico, se ele nascesse, por exemplo, com doze meses de gestação.

Por isso, em sua maioria, os nossos “fetos extra-uterinos” sentem muito frio (ainda não são capazes de manter a temperatura ideal), espirram e tossem muito (estão a amadurecer o pulmão), sentem cólicas (por falta de amadurecimento do sistema digestivo), precisam ser colocados para arrotar, e vêm com uma série de “defeitos de fábrica”, como Refluxo Gastroesofágico (o que responde pelas famosas golfadas), Reflexo de Moro (pequenos espasmos causados por sustos), Reflexo Gastro-Cólico (uma tal diarréia benigna, que é o esvaziamento do intestino tão logo o estômago recebe novo alimento), além de precisarem chorar para se comunicar.

Quase todos esses nomes eu e Wilson fomos descobrindo à medida que Laura ia nos apresentando os sintomas. Dessa lista toda, escapamos das cólicas (que ela nunca teve, Graças a Deus) e do choro (minha bebezinha é uma anja, ela quase não chora, apenas solta uns resmungos graves e bravos quando não conseguimos captar de imediato sua mensagem, mas é só nos conectar e ela logo sorri!).

De fato, o comportamento dos recém-nascidos é muito variável e depende de vários fatores,
como personalidade, experiências intra-uterinas, o tipo de parto vivenciado, fatores ambientais, incluindo o estado emocional dos pais e, principalmente, o estágio de maturação que ele nasce. E eu acredito que ter estado sozinha com Laura desde o primeiro dia foi positivo no processo desse reconhecimento. A ocasião fez o ladrão e como toda mamífera tenho sabido como lamber minha cria. Foi por meio dessas peculiaridades que acabei descobrindo, por exemplo, a Amamentação por Livre Demanda, a Cama Compartilhada, o uso das Fraldas de Pano e o Colo como Extensão do Útero. Para compreender tudo isso, foi preciso rever conceitos e, principalmente, libertar-me dos preconceitos. Mas, como tudo isso foi fruto da experiência, tenho me sentido segura das minhas escolhas, certa de que poderei revê-las e mudar de rumo, guiada pelas necessidades de Laura.
No próximo post, falaremos sobre como cheguei e porque optei pela Amamentação por Livre Demanda. Até lá.