Fonte: mamaesnaitalia.com
Filha querida,
Hoje faz cinco meses que a mamãe e o papai se tornaram seres mais completos, mais felizes, mais humanos, melhores. A nossa união se solidificou, nosso propósito se tornou real, pois no dia 11 de abril, você nasceu!
Sabe filha, você foi desejada por mim a vida inteira. Durante muitos anos, planejada. Por doze meses, esperada. Sim! Lembra-se da minha primeira gravidez que não foi adiante? Por algum motivo, Deus achou por bem adiar os nossos planos e nós três – papai, mamãe e você – confiamos Nele! Outro corpinho, mais saudável, precisou ser gerado e, finalmente, apenas três meses mais tarde, um novo veículo estava se formando para nossa união tão abençoada. No dia 10 de agosto de 2009, uma linda sementinha se plantara. E valeu à pena esperar!
Meu amor, você é muito mais do pedi a Deus! Que presente iluminado! Meiga, feminina, charmosa, dengosa, delicada, tranqüila, calma, feliz, linda, linda, linda (até pernas grossas, grossíssimas, você tem!). E ainda que não fosse assim, eu lhe amaria do mesmo jeito, afinal, para o nosso reencontro, foram quase 36 anos de espera.
Por isso, eu gostaria de lhe agradecer. Assim como o fiz com você ainda na minha barriga, assim como eu o fiz nos seus primeiros minutos de vida, hoje, novamente, eu quero lhe agradecer. Agradecer por você aceitar vir à Terra sendo nossa filha e confiar a nós a sublime missão de lhe assistir em sua mais nova jornada espiritual.
Quero agradecer a você por me proporcionar a experiência mais maravilhosa da minha vida: sentir-lhe crescendo dentro de mim, da minha matéria se tornar um ser humano lindo (minha bolinha de carne!), saudável, completo, enquanto eu me tornava a criatura mais bela do planeta, verdadeiramente filha de Deus, um espírito privilegiado, um corpo feminino em perfeito equilíbrio com a natureza, uma fêmea realizada, uma MULHER.
Agradecer a você por confiar em minha coragem, dar forças à minha obstinação e proporcionar-me, mais uma vez, outra transformação. Parir é nascer de novo, minha filha. Experienciamos tudo isso juntas! Cúmplices, companheiras, nasciturnas e, agora, é como se tivéssemos a mesma idade! Ah, minha pequena, você ainda há de viver, do lugar que vivi, o ato mais purificador, mais sublime, cujo poder de transmutação só poderia mesmo se originar da mais essencial alquimia que existe entre amar, gerar, gestar e, depois, parir um ser.
Agradecer a você por me permitir lhe nutrir do meu próprio plasma, do meu próprio sangue que com amor se transforma no leite que alimenta suas células, fortifica o seu corpo e acalenta a sua alma, enquanto a minha? Ah, a minha ganha um passeio pelo Céu. Como é maravilhosamente indescritível a sensação de plenitude que a cada mamada você me presenteia, com seu olhar profundo, sábio e, ao mesmo tempo, inocente e singelo; com suas mãozinhas macias que, ainda descontroladas, ziguezagueiam acariciando o meu peito, o meu rosto, o meu cabelo; com pausas longas e silêncios polifônicos que entrecortam suspiros e gramelôs repletos de significado.
Agradecer a você pelo sorriso escancarado, sincero e iluminado com que a cada manhã você desperta e me desperta encantada!
Agradecer-lhe por, todos os dias, dar-me a oportunidade de cuidar de você, fazer sua massagem, cortar suas unhas, limpar seu narizinho, ajudar-lhe a arrotar, escolher suas roupas, dar-lhe o seu banho, limpar seu bumbum, trocar-lhe as suas fraldas, ensinando-me, em cada um desses momentos, os segredos tão simples da mais pura humildade.
Agradecer-lhe por me permitir acompanhar suas descobertas – primeiro foi a linguinha (era só pedir e você nos mostrava), depois as mãozinhas, os dedinhos, os pezinhos de Shrek -; suas conquistas – primeiro aprendeu a sorrir, a dormir sozinha por uma noite inteirinha, a gargalhar, a gritar, a chutar a gente quando quer brincar, a firmar as pernoconas e o pescocinho (já não se parece mais com um cachorrinho de Kombi!), a sentar-se ainda que cambaleante, a se virar de um lado para outro, a nos dar seus deliciosos Bêsos molhados e até a nos imitar!
Agradecer-lhe por, mesmo antes de nascer, ter mudado os meus hábitos; melhorado a minha alimentação; conduzido-me a tantas leituras sobre os mistérios da vida e do planeta; descortinado outros milhares de universos; me apresentado tantas pessoas bacanas; me mostrado a irrefutabilidade do poder da ação e da reação; me tornado mais responsável pelos meus atos e pela influência que eles podem causar no mundo que desejo deixar para você!
Obrigada, minha filha, por ter me feito mãe! Obrigada por me fazer resgatar minha relação com a figura feminina, me livrar de ressentimentos, e me deixar assim, em profunda disponibilidade para servir e amar outra mulher. Obrigada pela oportunidade d’eu poder começar tudo de novo! Obrigada por me dar uma família de presente! Obrigada por me deixar experimentar o amor incondicional, imenso, pleno, que incrivelmente cresce a cada momento e me convence que, mesmo sendo chama (como afirma o poeta), não se apagará jamais!
Estando aqui neste planeta, nenhum de nós é perfeito. Viemos a essa escola aprender o amor e você tem se mostrado professora exímia, aluna dedicada. Da minha parte, tenho feito todo o esforço que posso, com prazer, com carinho, com zelo e com lealdade. O que mais posso lhe prometer? Posso reafirmar o que lhe escrevi naquela primeira carta, quando ainda habitava a barriga da mamãe: viverei a cada segundo da minha vida imbuída do propósito de lhe fazer feliz. Muitas dificuldades você vai encontrar no seu caminho. Vai sorrir. Mas também vai sofrer, vai doer, vai chorar. Poderemos, algumas vezes, discutir, discordar e até brigar. Faz parte do aprendizado e do crescimento. Mas tenha certeza, minha amada, que irei sempre lhe respeitar, lhe instruir, acompanhar suas experiências, amparar os seus passos, acolher suas escolhas e lhe ofertar o meu colo, sempre, sempre cheio de afeto! Repleto de amor! De lealdade! De Verdade!
Não tardará, e chegará o dia em que você vai partir. Vai pra longe, muito longe, vai até aonde o seu desejo alcançar, mas vai sempre voltar. Sabe por quê? Porque terá a certeza de que cá estarei, também para sempre, pronta a te encontrar de novo minha menina, meu bebê, minha Tuquinha, meu Tetê! Ter-te em meus braços para, sempre que for preciso, renascermos juntas e vivermos, sempre, tudo de novo. Daí, será a sua vez de me carregar no colo e me ensinar sempre a ser como você. Por ora, o seu “HD” está limpo. Papai e mamãe esperam lhe ajudar a inculcá-lo dos mais sublimes valores e sentimentos com os quais você nos inspira cotidianamente.
Com sinceridade, Mamãe.
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