Alguns ecos...

Alguns ecos: a maioria destes textos é tecida de matéria prima que Laura me oferece, e também das várias leituras a que ela me induz, mas que muitas vezes, introjetadas, não consigo nem mais citar a fonte. Contudo todas elas podem e devem ser acessadas por meio dos meus Gadgets.

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Eu materno, ele paterna e nós declaramos o nosso amor



Há quatro dias, nossa Tuquinha completou 5 meses! No dia, 11 de setembro, publiquei uma carta que escrevi a ela, com o objetivo de deixar aqui registrada, para quando ela puder folhear (ops!) essas páginas da nossa vida. Hoje, com imenso orgulho e prazer, publico essa linda declaração do Papai-Corujão, que, pela primeira vez, nos deu a honra de participar dessa escritura...

"Querida Laura,

Escrever sobre você, sobre o quanto sua chegada – há exatos cinco meses – representou, acaba tornando-se algo difícil. Pois sempre acabo falando de mim mesmo. Estou tentando fugir de coisas como a experiência sublime de ser pai, o quanto sua chegada me transformou como pessoa, ou como encontrei uma razão para minha desorganizada, egoísta e incompleta vida. Tudo isso é verdade, filha, mas quero falar de você, a pessoa mais especial que surgiu neste planeta. E de que forma surgiu!

Sua chegada, querida filha, se deu em meio ao perfume dos incensos, à luz tranqüila de velas coloridas e às doces harmonias de uma Ave Maria. Inesquecíveis momentos!

Seus olhos calmos e ativos, passeando pelo quarto e quedando sempre nos olhos marejados de sua mãe, em uma incrível troca de sentimentos, o zelo das parteiras, cercando vocês duas de cuidados, de um carinho que transcende e muito o aspecto profissional e que vai habitar o terreno do humano em um momento tão singular da vida de três pessoas... É impressionante a paz que me inunda ainda agora e me faz emocionar. Mal sabia eu que aqueles mesmos olhinhos que eu contemplava pela primeira vez seriam os olhos mais brilhantes que jamais tive a oportunidade de mirar e admirar. 
Lembro-me agora do maravilhoso cartão que ganhei na ocasião do meu aniversário. Todos deixaram lindíssimas mensagens, lindas mesmo, mas quero falar sobre as linhas escritas por meu pai. Primeiro porque era uma mensagem escrita por um pai - o que tento fazer agora -mas, sobretudo, pela sabedoria e simplicidade que encerram. Transcrevo uma parte:

“...Agradeço a Deus muito pelo presente que você ganhou, e também nós. Esta linda filha, que Deus abençoe sempre. Obrigado à você e à Letícia...”

Você, Laura, é isso: um lindo presente de Deus para toda a família. E Ele espera que cuidemos deste presente zelando para que se conserve sempre belo, radiante e puro no mais amplo dos significados.

E faremos isso, meu amor!

Queremos que você seja a pessoa mais amada do mundo. Que olhe sempre para seus pais e tenha a sensação de segurança, aconchego e carinho.

Quero escrever sem malabarismos lingüísticos ou filosofias, uma mensagem simples, como simples é a forma com a qual você se relaciona comigo, com sua mãe e com o mundo. Quero dizer que sua voz é a coisinha mais linda e que é impossível ouvi-la sem dar um sorriso. Que olhar para seu cucuruto e não deixá-lo cheirando a cuspe de tanto beijá-lo é algo simplesmente incogitável. Que me exercito como artista ao ter de criar estórias que te agradem e prendam sua atenção por, pelo menos, alguns minutos. Que sentir sua respiração ao dormir nos meus braços me deixa feliz e orgulhoso de merecer sua confiança. Quê mais... Que você possui a gengivinha mais linda, as pernas mais roliças e o pezinho mais gostoso de beijar. Que você é toda perfeitinha, feminina e charmosa. Que você me deixa envergonhado com minha dificuldade de perdoar, ao sorrir, segundos depois de ter sido forçada a engolir aquele remédio amargo que te desperta de um sono tranqüilo para te deixar agitada, suada e exausta de tanto gritar e resistir. Ao nos fitar sem mágoas nem rancores e abrir aquele sorriso lindo, percebo o quanto ainda sou atrasado espiritualmente...

Enfim, Laura querida, falar de você é fácil, pois você é uma companheira agradável de viagem. Fico feliz em saber que dividirei com uma pessoa assim a poltrona nesse fantástico percurso encarnatório. Estamos só começando. Muita coisa ainda vai acontecer, mas, desde já te digo que estou vivendo momentos indescritíveis e quiméricos ao seu lado. Pura poesia! Agradeço a você, agradeço a Deus e à Letícia. Valorizo a dádiva de viver e me dedicar a uma pessoa, a ajudá-la a dar seus primeiros passos e receber tanto por isso. Espero ser merecedor deste presente e viver em paz com você e mamãe pelo resto de meus dias. Espero ainda dar-te um irmãozinho ou irmãzinha para que você tenha uma companhia conectada à sua geração, mas, principalmente para que você vivencie um amor mais amplo, experienciado em seus diversos matizes: materno, paterno e fraterno.

Termino dizendo que o amor que te devoto cresce a cada novo dia. Fico pensando então em quando você já estiver na idade escolar e puder ler essa mensagem. Seu pai certamente estará mais barrigudo, grisalho talvez, provavelmente ranzinza e casmurro, já com ciúme dos primeiros amiguinhos. Mas a estará estimando ainda mais. Muito mais. Estará orgulhoso e feliz por ter vivido tantas experiências a seu lado e ansioso pelas novas descobertas.

Te amo muito, filha!

Papai."

sábado, 11 de setembro de 2010

Há Cinco Meses no Paraíso


Fonte: mamaesnaitalia.com

Filha querida,

Hoje faz cinco meses que a mamãe e o papai se tornaram seres mais completos, mais felizes, mais humanos, melhores. A nossa união se solidificou, nosso propósito se tornou real, pois no dia 11 de abril, você nasceu!

Sabe filha, você foi desejada por mim a vida inteira. Durante muitos anos, planejada. Por doze meses, esperada. Sim! Lembra-se da minha primeira gravidez que não foi adiante? Por algum motivo, Deus achou por bem adiar os nossos planos e nós três – papai, mamãe e você – confiamos Nele! Outro corpinho, mais saudável, precisou ser gerado e, finalmente, apenas três meses mais tarde, um novo veículo estava se formando para nossa união tão abençoada. No dia 10 de agosto de 2009, uma linda sementinha se plantara. E valeu à pena esperar!

Meu amor, você é muito mais do pedi a Deus! Que presente iluminado! Meiga, feminina, charmosa, dengosa, delicada, tranqüila, calma, feliz, linda, linda, linda (até pernas grossas, grossíssimas, você tem!). E ainda que não fosse assim, eu lhe amaria do mesmo jeito, afinal, para o nosso reencontro, foram quase 36 anos de espera.

Por isso, eu gostaria de lhe agradecer. Assim como o fiz com você ainda na minha barriga, assim como eu o fiz nos seus primeiros minutos de vida, hoje, novamente, eu quero lhe agradecer. Agradecer por você aceitar vir à Terra sendo nossa filha e confiar a nós a sublime missão de lhe assistir em sua mais nova jornada espiritual.

Quero agradecer a você por me proporcionar a experiência mais maravilhosa da minha vida: sentir-lhe crescendo dentro de mim, da minha matéria se tornar um ser humano lindo (minha bolinha de carne!), saudável, completo, enquanto eu me tornava a criatura mais bela do planeta, verdadeiramente filha de Deus, um espírito privilegiado, um corpo feminino em perfeito equilíbrio com a natureza, uma fêmea realizada, uma MULHER.

Agradecer a você por confiar em minha coragem, dar forças à minha obstinação e proporcionar-me, mais uma vez, outra transformação. Parir é nascer de novo, minha filha. Experienciamos tudo isso juntas! Cúmplices, companheiras, nasciturnas e, agora, é como se tivéssemos a mesma idade! Ah, minha pequena, você ainda há de viver, do lugar que vivi, o ato mais purificador, mais sublime, cujo poder de transmutação só poderia mesmo se originar da mais essencial alquimia que existe entre amar, gerar, gestar e, depois, parir um ser.

Agradecer a você por me permitir lhe nutrir do meu próprio plasma, do meu próprio sangue que com amor se transforma no leite que alimenta suas células, fortifica o seu corpo e acalenta a sua alma, enquanto a minha? Ah, a minha ganha um passeio pelo Céu. Como é maravilhosamente indescritível a sensação de plenitude que a cada mamada você me presenteia, com seu olhar profundo, sábio e, ao mesmo tempo, inocente e singelo; com suas mãozinhas macias que, ainda descontroladas, ziguezagueiam acariciando o meu peito, o meu rosto, o meu cabelo; com pausas longas e silêncios polifônicos que entrecortam suspiros e gramelôs repletos de significado.

Agradecer a você pelo sorriso escancarado, sincero e iluminado com que a cada manhã você desperta e me desperta encantada!

Agradecer-lhe por, todos os dias, dar-me a oportunidade de cuidar de você, fazer sua massagem, cortar suas unhas, limpar seu narizinho, ajudar-lhe a arrotar, escolher suas roupas, dar-lhe o seu banho, limpar seu bumbum, trocar-lhe as suas fraldas, ensinando-me, em cada um desses momentos, os segredos tão simples da mais pura humildade.

Agradecer-lhe por me permitir acompanhar suas descobertas – primeiro foi a linguinha (era só pedir e você nos mostrava), depois as mãozinhas, os dedinhos, os pezinhos de Shrek -; suas conquistas – primeiro aprendeu a sorrir, a dormir sozinha por uma noite inteirinha, a gargalhar, a gritar, a chutar a gente quando quer brincar, a firmar as pernoconas e o pescocinho (já não se parece mais com um cachorrinho de Kombi!), a sentar-se ainda que cambaleante, a se virar de um lado para outro, a nos dar seus deliciosos Bêsos molhados e até a nos imitar!

Agradecer-lhe por, mesmo antes de nascer, ter mudado os meus hábitos; melhorado a minha alimentação; conduzido-me a tantas leituras sobre os mistérios da vida e do planeta; descortinado outros milhares de universos; me apresentado tantas pessoas bacanas; me mostrado a irrefutabilidade do poder da ação e da reação; me tornado mais responsável pelos meus atos e pela influência que eles podem causar no mundo que desejo deixar para você!

Obrigada, minha filha, por ter me feito mãe! Obrigada por me fazer resgatar minha relação com a figura feminina, me livrar de ressentimentos, e me deixar assim, em profunda disponibilidade para servir e amar outra mulher. Obrigada pela oportunidade d’eu poder começar tudo de novo! Obrigada por me dar uma família de presente! Obrigada por me deixar experimentar o amor incondicional, imenso, pleno, que incrivelmente cresce a cada momento e me convence que, mesmo sendo chama (como afirma o poeta), não se apagará jamais!

Estando aqui neste planeta, nenhum de nós é perfeito. Viemos a essa escola aprender o amor e você tem se mostrado professora exímia, aluna dedicada. Da minha parte, tenho feito todo o esforço que posso, com prazer, com carinho, com zelo e com lealdade. O que mais posso lhe prometer? Posso reafirmar o que lhe escrevi naquela primeira carta, quando ainda habitava a barriga da mamãe: viverei a cada segundo da minha vida imbuída do propósito de lhe fazer feliz. Muitas dificuldades você vai encontrar no seu caminho. Vai sorrir. Mas também vai sofrer, vai doer, vai chorar. Poderemos, algumas vezes, discutir, discordar e até brigar. Faz parte do aprendizado e do crescimento. Mas tenha certeza, minha amada, que irei sempre lhe respeitar, lhe instruir, acompanhar suas experiências, amparar os seus passos, acolher suas escolhas e lhe ofertar o meu colo, sempre, sempre cheio de afeto! Repleto de amor! De lealdade! De Verdade!

Não tardará, e chegará o dia em que você vai partir. Vai pra longe, muito longe, vai até aonde o seu desejo alcançar, mas vai sempre voltar. Sabe por quê? Porque terá a certeza de que cá estarei, também para sempre, pronta a te encontrar de novo minha menina, meu bebê, minha Tuquinha, meu Tetê! Ter-te em meus braços para, sempre que for preciso, renascermos juntas e vivermos, sempre, tudo de novo. Daí, será a sua vez de me carregar no colo e me ensinar sempre a ser como você. Por ora, o seu “HD” está limpo. Papai e mamãe esperam lhe ajudar a inculcá-lo dos mais sublimes valores e sentimentos com os quais você nos inspira cotidianamente.

Com sinceridade,
Mamãe.


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Botando o Bebê na Roda

Por aqui ainda continuamos comemorando o mês dos pais. Também, pudera! Nessa casinha nós temos um pai que é um verdadeiro Pãe!!! Ele acaba de liberar a compra de mais um sling (temos um pouch e um carregador, agora queremos um de argolas).
Assim, aproveito a oportunidade para lembrar que o produto é também um "democratizador de bebês". A liberada que o Wilson deu, não foi à toa. Sim, com o sling, os papais também podem e devem experimentar a deliciosa sensação de ter seus filhotinhos grudados, no colinho, como o fazem as mamães.
Emerson e João
Marcos e Lena
Os maridos das Materna/ Matrice(s)  Adriana Guimarães (esquerda), Keli McGee (centro) e Danielle Nagh (direita) não perdem tempo!
Cian e Nenagh
São também exemplos de que as dicas que a Lilith (uma marca de slings) utiliza para vender o produto são mesmo quentes: "O bebê pode ser de todos: o uso do sling permite que não só a mãe seja responsável pelo bebê, mas que o pai, irmãos ou qualquer outra pessoa possa dividir esta tarefa e se responsabilizar pelo bebê também. Neste sentido, o sling promove uma maior democracia familiar!"
Além disso, ao ter contato com um maior número de pessoas, bebê que cresce slingando se desenvolve mais, pois "participa ativamente da vida ao seu redor, favorecendo a socialização e o pertencimento à vida da família, e ao mundo que o rodeia. O ato de carregar estabelece uma parceria implícita entre a criança e seu carregador. A criança, ao participar do cotidiano do cuidador, aprende a reconhecer a disposição e os limites que este vive, favorecendo a empatia e a compreensão; permanece mais tempo em silêncio e em estado de alerta, e observa o mundo sob uma ótica diferente do lugar de quem o carrega, e não o teto como quando está no berço, ou os joelhos das pessoas de dentro do carrinho. Por chorar e reclamar menos, passa mais tempo apto a interagir melhor com o ambiente e com outras pessoas".
Por essas e outras, continuaremos daqui agradecendo ao papai por mais um presente. E para os que  querem saber mais sobre os motivos do nosso contentamento, deixo a indicação da fonte: http://luzdalilith.blogspot.com/2008/12/por-que-promover-o-uso-do-sling.html


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Não Basta Ser Pai...

A cada dia, imbuída deste meu novo papel no mundo, convenço-me mais da importância do exemplo que deixamos para os nossos filhos. A chegada da Laura, entre milhares de ensinamentos, instalou à minha frente um enorme e sincero espelho, de onde posso observar os meus defeitos, envergonhar-me deles e tratar logo de corrigi-los (com muuuita dificuldade, é claro). É impressionante como essas criaturinhas nos vêm com esse poder de nos transformar. Pelo menos é o que tenho tentado já que pretendo olhar fundo nos olhos da minha filha e ser chamada por ela de Mãe, assim mesmo, com M maiúsculo. Mas essa minha luta não é solitária. Ao meu lado, há uma pessoa que, em especial nesta semana, esteve no centro das atenções.
No último domingo, comemoramos o primeio Dia dos Pais do Wilson. Foi uma grande festa que se fez, especialmente, em nossos corações. Durante os três dias que antecederam, eu - com Laura sempre no meu colo, colaborando com sua compreensão (e com inspiração!) - tratei de preparar o presente. Comprar? De jeito nenhum. Depois de pensar, pensar, pensar, cheguei à conclusão que loja nenhuma do mundo teria à venda produto que expressasse tamanho contentamento que a paternidade do Wilson nos traz. E que Deus nos abençoe!!!
A produção do presente me levou a uma rica viagem por cada um dos momentos pelos quais passamos - Wilson e eu - até ter Laura em nossos braços. Montei um vídeo - lindo, modéstia à parte - com fotos e filmes desde o nosso tempo de namoro, passando pelos anos do test drive em que moramos juntos, pela decisão do casamento, pelas cerimônias, pela Lua de Mel, até os meses de gestação, desaguando, claro, no filme mais lindo de nossas vidas: o nascimento à luz de velas. E esse processo de "regurgitamento" serviu-me para, mais que colher lembranças, agradecer a Deus o pai que, à minha filha, Ele confiou.  
Desde o início, foi assim... todos os nossos planos em relação aos filhos foram traçados à quatro mãos. Conversamos muito sobre nossas expectativas, nossas dificuldades, nossas possibilidades, mudanças necessárias. Estudamos, trabalhamos, nos casamos, poupamos, investimos, continuamos a estudar, a discutir, a planejar... vislumbrar tanto as questões práticas, quanto todas as questões filosóficas que a educação e a formação de um filho puderam nos suscitar. A chegada de Laura foi fruto de muito acordo, várias renúncias e compartilhamento. Mesmo antes da gravidez, o Wilson-pai se fez presente em todos os instantes.
Durante os nove meses, ele também esteve prenhe. Junto a mim, mudou seus hábitos. Cuidou da nossa vida financeira, do nosso bem-estar emocional, da nossa saúde. Foram pratos e mais pratos de frutas levados à cama todas as manhãs... Verduras e legumes fresquinhos à nossa mesa... Massagens... Conselhos... Até a cervejinha de fim de semana ele deixou de tomar (também não precisava tanto!). Foi um companheirão! Quando decidi pelo Parto Natural, mais que apoiar, Wilson se mostrou uma doula em perfeição. Após o nascimento, passou as primeiras noites em claro, lavou fraldas, faxinou a casa, cuidou de toda infra-estrutura. Doou seu amor, suas ideias geniais. E, passados quatro meses, reafirma, a cada dia, sua competência em ser um verdadeiro pai.
Não só apenas porque provê a casa, porque troca fraldas, faz comida, lava e passa, conta histórias, dança, cria músicas, nos ensina a rezar, alimenta nossa filha com seu amor... Mas, principalmente, porque dá a ela, a cada dia, o exemplo que se espera de um pai.
Ele não apenas apregoa, mas luta a cada dia para conduzir os seus atos com respeito, honestidade, ética, bom caráter, perseverança, lealdade. E eu acho que é isso que se espera de um pai. Que seja falível, posto que é humano, mas que se esforce em ser, a cada segundo, uma pessoa melhor.
Estou batendo nessa tecla do exemplo porque sempre pude observar nos atos dele a presença fortíssima da conduta do avô de Laura, o seu pai. O Sr. Paquiel é um homem que sempre lutou muito e sempre mostrou aos filhos os efeitos benévolos de valores como o equilíbrio, a honestidade, a caridade, a compaixão. Mas, fundamentalmente, o respeito e o amor pela família, a começar pela mãe. Foram 40 anos de um casamento perfeito! Wilson conta que jamais presenciou uma discussão entre o casal. E, ainda hoje, Sr. Paquiel se mantém assim... fervoroso ao amor que dedicou durante toda a vida à sua querida Zizinha.
Sabe, sempre tive enorme necessidade de confessar isso: foi esse amor - do Sr. Paquiel e de Dona Zizinha - que me levou ao altar. O dia em que eu - vinda de uma família de pais, irmão, primos, tios (t.o.d.o.s) separados, desquitados, divorciados - descobri que existia um casal cujo amor e respeito redundou na felicidade de filhos também amorosos e dispostos a seguir estes exemplos, eu pude crer que esse precioso presente também estava ao meu alcance. Ele era real. E, assim, eu disse sim. Sim ao Wilson-marido, sim ao Wilson-companheiro, sim ao Wilson-pai. Mulher independente e afeita à produção autônoma de filhos, compreendi o valor da família. Revi meus conceitos. Realimentei sonhos adormecidos. Resgatei sentimentos, esperanças e investi na minha felicidade.
A luta diária não é nada, nada fácil. Mas com perseverança e muita, muita fé em Deus, vamos seguindo assim... apoiados, principalmente, naquele que nos deu o maior exemplo de todos. Que escolheu vir à Terra no seio de uma família, uma sagrada família - Jesus! E como Wilson sempre gosta de dizer: que possamos aproveitar nossa estada neste Planeta, que nossa vida em família possa tornar mais leve o aprendizado, e que possamos, a partir de dentro, contribuir para um mundo um bocadinho melhor.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

As Dores do Mundo

Minha amada filha não tem estado muito afim de abrir mão do colinho da mamãe pra que eu possa escrever (bem-aventurado seja o colinho da mamãe).  Há muito queria ter deixado impresso o meu contentamento pelos três meses na companhia de Laura. Mas sei que esse espaço se por um lado é uma das formas de reviver os maravilhosos milésimos de segundo (todos eles) que ela me proporciona, por outro, o blog não pode se sobrepujar aos momentos de dedicação que a mesma exige de mim. Por isso, a minha ausência aqui é sinal de muuuita Laura em minha vida: alegria e alimento para o meu coração.
Hoje estou contrariando um pouquinho a vontade da minha pequena (e a minha também), que está aqui ao lado, no carrinho, em meio a alguns beicinhos e muitos gritos de reclamação, porque achei importante deixar registradas algumas importantes passagens que povoaram nossa semana. Não entrarei em detalhes, deixarei apenas as sensações...
Algumas decisões e experiências vividas por mim e por ela nesses últimos dias podem trazer repercussões imensas por muitos anos. E quando esses anos chegarem, e Laura tiver a oportunidade de rever as palavras que aqui deixei, ela poderá ter a certeza de que teve um pai e uma mãe sempre dispostos a fazerem por ela tudo o que lhes estivera ao alcance, sempre na tentativa de lhe proporcionar uma formação pautada pela honestidade, pela dignidade, e, sobretudo, pelo amor. Muitos serão os erros, mas o nosso empenho será sempre em busca dos acertos, certos de que esse caminho será também repleto de encruzilhadas, nas quais teremos que fazer várias opções. Sempre será preciso escolher. Chegará um dia em que essa parte do jogo ela também terá que aprender. E, nesse dia, ela vai poder contar com pais amorosos e vividos, e, assim, suas angústias encontrarão antítodos de paz e esperança.
Na vida, passamos por muitas decepções, por momentos difícieis, por experiências que nos fazem ver que é preciso mudar. Muitas delas vêm carregadas de dor, mas nos ajudam a amadurecer. E o sentido da vida é esse mesmo: agir, pensar, rever, avaliar, voltar atrás, refazer, mudar e, se preciso for, abandonar... Mas sempre, sempre, tendo em mente que cá estamos unicamente para aprender e crescer.
Bem, a maternidade (e a paternidade também) é uma chance maravilhosa para encarar tudo isso de uma forma diferente. Ela nos convida, a todo momento, a avaliar nossas atitudes e, diante da nossa consciência, tornarmos seres humanos melhores para servimos de espelho aos nossos pequenos. Eu e Wilson sabemos que não seremos capazes de evitar os sofrimentos pelos quais Laura terá que passar em sua vida, sofrimentos necessários à sua evolução. Mas sabemos também que poderemos deixar a ela o legado do nosso aprendizado. Por isso, minha filha, saiba que muitas vezes é preciso saber perder para ganhar; é preciso silenciar para dizer; é preciso morrer para viver...
Hoje foi a primeira vez que mamãe assistiu quieta à sua pequena dor. Você estava no meu colinho, mas não parava de resmungar... Mamãe falhou em todas as tentativas: deu mamazinha, trocou a roupinha (frio, calor, xixi, coco?), cantou go pá lá, dançou, certificou-se de que você não sentia nenhum incômodo físico, mas ainda assim você chorou. Mostrou-se inquieta, até insatisfeita, eu diria. Queria que eu ficasse com você nos braços, às vezes pedia para sentar, outras pra levantar, mas não parava de reclamar. Expliquei que eu não tinha mais capacidade e competência para lhe curar do que quer que fosse que estava sentindo. Deixei você sozinha por poucos minutos no berço, chorando... e você adormeceu. Ai, doeu muito mais em mim. Como doeu! Mas, passados menos de quinze minutos, você despertou novamente, olhou-me com seus olhinhos ternos, sinceros e brilhantes e eu compreendi. Você também me compreendeu.
A vida é assim. Apesar de tão novinha aqui na Terra, você também precisa de momentos que são só seus. Para curar suas dores...
Sempre que senti-las pode buscar ajuda em mim. Não serei sempre capaz de evitá-las, mas estarei sempre disposta a renovar o meu voto de amor por ti. E para que você o guarde na memória segue o texto abaixo, escrito na minha agenda de gestação quando você ainda estava na barriga da mamãe, mas que continua e continuará para sempre atual:

"Meu amor,
Hoje é dia 25 de fevereiro. Estou na trigésima primeira semana de gravidez e aproveito essas páginas vazias para enchê-las das palavras que me vêm ao coração e deixar registrado o quanto você já nos faz tão felizes! A mim e ao seu pai! Estamos ansiosos e na correira para terminar de cosntruir a casa que deverá lhe acolher com tanto carinho! Por isso, nem sempre tenho tomado notas neste diário. Mas você sabe que todos os dias conversamos com você, com muito amor. Você nos enche de alegrias, de expectativas e, principalmente, de esperanças em dias muito melhores. Desde que você foi gerada, a cada dia, somos um pouco mais felizes e unidos! Você nos transforma a todo momento. Cada segundo lutamos por nos tornarmos pessoas das quais possamos nos orgulhar e fazer juz ao merecimento que Deus nos confiou: gerar e cuidar da preciosidade que é você. É maravilhoso lhe ter crescendo dentro de mim e perceber que da nossa matéria você vai se tornando um ser individual, tão você! Cada dia, cada semana, é linda a evolução. É simplesmente delicioso, maravilhoso, indescritível sentir você se mexendo em mim! E o papai também experimenta essa delícia ao se conectar com o deleite da mamãe. Todas as noites, antes de dormir, nos dedicamos a sentir gostosamente os seus movimentos de vida. Você é nossa luz e, agora, toda a razão do nosso viver. Nós nos amamos ainda mais, por reconhecer o presente que pudemos oferecer um ao outro:você!!! Escolhemos juntos tudo o que lhe diz respeito. Nos deliciamos com a compra do seu enxoval e, apesar da apreensão com as responsabilidades financeiras que isso representa, o fato de você existir é condição suficiente para nos sentirmos fortes e capazes de vencer qualquer luta. Você é nossa pequena guerreira e lidera nossa batalha cotidiana. Obrigada por trazer tanta benção à nossa existência. Obrigada por nos ensinar tanto! Você já foi capaz de melhorar tanto o ser humano que sou que até me emociono só em pensar: mudou meus hábitos alimentares, minha rotina, meu trato com as pessoas, minha aparência (como eu me sindo linda, linda, linda, com você dentro de mim, fico horas a me admirar no espelho), mas mudou principalmente a minha razão e a minha vontade de estar neste mundo, atenta a tudo o que, juntos, nós três, vamos conquistar. Nós te amamos muito e gostaríamos de firmar com você um pacto: vamos fazer da nossa família entes aliados e cúmplices, paladinos da ética, da moral, da caridade, da benevolência e, sobretudo, do amor. Nosso compromisso começa em nosso Lar!!!! Seja muito bem-vinda, Laura! Perdoe as minhas fraquezas, as vezes em que já te fiz algum mal, mesmo te amando tanto. Eu prometo: viverei para sermos felizes: eu, você, papai e quem mais se juntar a nós!
Com afeto e sinceridade,
Mamãe".