Este blog é uma tentativa de refletir as incríveis experiências que Laura me proporciona desde o dia 11 de abril de 2010.
Alguns ecos...
Alguns ecos: a maioria destes textos é tecida de matéria prima que Laura me oferece, e também das várias leituras a que ela me induz, mas que muitas vezes, introjetadas, não consigo nem mais citar a fonte. Contudo todas elas podem e devem ser acessadas por meio dos meus Gadgets.
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terça-feira, 3 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Nosso varal está em festa!!!!!
Há 10 dias, chegou dos EUA a querida Tia Marília e, com ela, nossas novas fraldas! Por aqui elas estão fazendo o maior sucesso. Acreditem: fácil manutenção e bumbum 100% sequinho! Laurinha recomenda!
Olhem o charme:
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Fraldas de Pano: uma volta 'mais que muderna' ao passado
Gente, este post não se configura exatamente em um capítulo da história de Laurinha, o quarto eu ainda estou devendo...e falarei sobre Refluxo Gastro-Esofágico! É que a "mocinha" está exigindo muito a atenção da mamãe e, claro, eu sou todinha dela!!!! Mas não pude deixar de passar por aqui para registrar a nossa nova investida: o uso das fraldas de pano.
Bem, tudo começou com a Amamentação em Livre Demanda... hehehehe. Bebê que come muito... vocês já sabem... intestino em bom funcionamento... caquinha à toda hora! Aqui em casa, minha quase bebê (quase porque há pouco completou o que chamei no post anterior de Quarto Trimestre Gestacional e está ainda a caminho da "maturidade") apresenta o chamado Reflexo Gastro-Cólico (que faz parte daquela listinha dos "pequenos defeitos fisiológicos" que bebezinhos podem apresentar nos primeiros meses de nascidos, uma vez que ainda não estão totalmente formados). Trata-se de uma espécie de "diarréia benigna", vamos dizer assim, que não é sinal de problema algum, tampouco faz mal ao bebê (a não ser causar assaduras, se as trocas não forem eficientes). A evacuação é desencadeada pela chegada do alimento ao estômago (gastro), que se distende e lança o aviso para a medula espinhal, que, por sua vez, avisa ao intestino (cólon) ser hora de funcionar. É o chamado movimento peristáltico, destinado a empurrar o alimento pra frente, como um riozinho. Em alguns recém-nascidos (caso da Laura), isso acontece a cada mamada.
Como na Livre Demanda Laura mama quase o dia inteiro, a nossa contribuição para o lixo ambiental começou a nos assustar. Cerca de 10 fraldas descartáveis por dia!!!! Daí, fizemos as contas: 3.650 fraldas por ano! Suponhamos que ela continuasse nesse ritmo (o que não acontecerá, claro), se ela desfraldar com 3 anos, teríamos contribuido com 10.950 fraldas a poluir o mundo! Não! Não é esse o planeta que queremos deixar para nossos netos e bisnetos.
Foi conversando com a nova amiga Mirian Kenia (que se tornou amiga a partir da troca de experiências sobre a maternidade), que descobri uma lista de discussão na internet sobre Fraldas de Pano. Lá existem mães maravilhosas, super empenhadas em proporcionar o melhor para seus filhos e que, feríssimas no assunto, deram-me todas as dicas e dividiram comigo uma verdadeira cartilha.
Aluna aplicada, tratei logo de experimentar: comprei minha primeira leva de fraldas de pano, uns modelos super moderninhos que as mamães mais descoladas têm usado em suas crias e que lembram aquelas antigas calças-enxutas (que em BH não se acha mais para comprar), mas que, além de mais bonitas, apresentam um novo sistema: elas possuem umas aberturas (como fronhas) chamdos de pocket (ou bolsos) onde são colocados os inserts (ou absorventes) - tiras feitas em tecidos específicos para absorver ou deixar passar o xixi, como a microfibra, o soft ou fleece (que dá o aspecto "sempre-seco" semelhate ao das fraldas descartáveis), o cânhamo ou hemp, e até de bambu.
Existem fraldas nacionais, mas o mercado ainda está se desenvolvendo. E existem também muitos produtos importados cuja performance, infelizmente, ainda supera a do produto brasileiro. É que as fraldas nacionais ainda não contam com um tecido plástico chamado PUL, que recobre a parte interna das gringas e evita os vazamentos. Eu acabei comprando 5 nacionais e 2 importadas para fazer o teste inicial. Apaixonei-me pelas importadas e acabei encomendando mais doze delas - quantidade suficiente para me libertar de vez das fraldas de plástico. Quer dizer, não totalmente. Ainda fico insegura de sair com as de pano, pois como os cocozinhos são muitos, quase líquidos e muito volumosos, infelizmente (e vergonhosamente), por enquanto, continarei usando as descartáveis nessas ocasiões. Com a consciência um pouco mais tranquila, embora alerta e disposta a abandoná-las por completo tão logo o coco endureça e se torne menos frequente.
Como funciona
Desde o nascimento da Laura, eu e Wilson temos nos revezado na função de lavar à mão e passar todas as suas roupinhas. Chegamos a usar aquelas tradicionais fraldas de pano C....r e a experiência em lavá-las à mão não foi das melhores... os dedos daqui de casa ficaram feridos!!!
Ao escolher as "fraldas de pano mudernas", fui surpreendida com a informação de que as mesmas não poderiam ser passadas. O quê!!!! Quase morri! Chorei na lista de discussão. Fui criticada. Quase apedrejada! Em pleno século 21, lavando roupas à mão e passando fraldas? Explicaram-me que o calor do ferro diminui o poder de absorção do tecido e tentaram me convencer de que ferro nada esteriliza. O pediatra da Laura disse que matar bactéria não mata mesmo, mas que dificulta beeem a vida delas. Mas, como estávamos dificultando mais a nossa vida, que a delas, rendemo-nos. Compramos uma máquina de lavar nova (só para as roupas da Laura) e decidimos secar as fraldas durante à noite (quando - apenas dentro das nossas mentes repletas de pensamentos esterilizados - há menos poeira e, portanto, mais segurança ao bumbunzinho da nossa filhinha).
Nos primeiros raios da manhã, lá vamos nós, recolhemos as fraldas e (ai, que medo) vestimos Laurinha.
A manutenção é mais fácil do que se imagina: fraldas sujas vão direto para um balde com água e tampa; fim do dia: água corrente para tirar o excesso de coco e "bora" pra máquina; de lá para o varal; do varal para o bumbum; e tudo de novo. É importante usar pouco sabão, pois o excesso pode impermeabilizar a camada superficial da fralda. E um inconveniente é que não se pode também usar pomadas no bumbum, pelo mesmo motivo acima exposto.
Ah, detalhe: descobri, aqui mesmo no Brasil, uns absorventes excelentes feitos deste tal material que deixa o bumbum sequinho. Tenho utilizados-os entre o bumbum e a fralda, o que normalmente me dispensa de trocá-la por inteiro. Quase sempre troco apenas o absorvente que retém a umidade e mantém a fralda limpa e seca. Ainda tenho apanhado um pouco. Confesso que principalmente com relação ao ajuste das fraldas, vez ou outra, o xixi vaza. Mas acredito nas mães "velhas de guerra" que me garantem: essa fase de vazamentos vai passar e, no futuro, estaremos felizes em ter contribuído minimamente para a saúde do nosso planeta (e do bumbum da Laurinha também, né, porque ninguém merece tanta química presente naqueles super, hiper, mega power gels que garantem a absorção nas descartáveis).
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Capítulo II: Aprendendo o beabá
Ao deixar a Casa de Parto, nós não sabíamos ao certo para aonde iríamos. Nossa casa continuava em obras. Não queria me hospedar com parentes, nem amigos. Queria viver plenamente aquele começo de vida nova, na quietude da minha solidão (claro, para “minha solidão”, leia-se eu, Laura e Wilson). Como eu e ele não temos mãe, nem tia, irmã ou prima mais velha por perto, desde o início sabíamos que não haveria a quem recorrer, nenhuma ajuda externa, nenhum aconselhamento sequer. Sabe como é, né? Avós são excelentes para aqueles momentos em que as novas criaturinhas não param de chorar. Têm sempre uma receitinha milagrosa, uma simpatia, um jeitinho safo de carregar... Mas, pra falar a mais pura verdade, quem me conhece sabe que eu jamais me adaptaria a este esquema “dependência familiar”. É aquela história, assombração sabe pra quem aparece, e pra quem não deve aparecer também. O que vejo várias amigas contar é que por mais que mães e sogras amem e tenham a mais boa vontade acabam criando atritos (inclusive entre elas mesmas) por divergências de opinião. E angu mexido com mais de uma colher de pau acaba desandando.
Ah, neimmmm! Prefiro fazer as coisas do meu jeito a ter que ficar discutindo com pessoas, bem intencionadas (outras nem tanto assim) a me dizerem como devo agir. Sempre fui de quebrar a cabeça e, muitas vezes, a cara também. Mas sempre dei muito valor a tudo o que aprendi e conquistei com muito custo, e, porque não, um bocadinho de dor! Se não há ninguém pra ajudar, o melhor é que ninguém há também pra atrapalhar. Por isso, nossa gravidez e a vida pós-chegada da Laura foram muito bem planejadas. E olha que muita coisa saiu do script, como a famigerada obra (leia-se, o gerenciamento dos pedreiros) e a falta de um local adequado pra ficar nos primeiros dias. Mas, afora isso, basicamente eu e Wilson sabíamos que iríamos ter que dar conta de todo o serviço da casa, além de cuidar de um bebê recém-nascido, diga-se de passagem, arte sobre a qual éramos ambos totalmente inexperientes. Combinamos, desde o início, que ele ficaria por conta do lar e eu me dedicaria cem por cento à Laura, pelo menos nos primeiros momentos. É óbvio que, na realidade, em algumas tarefas eu tenho que ajudá-lo, como passar as roupinhas dela, às vezes, lavar um banheiro, correr um pano na casa, fazer comida. Mas este é um assunto que merecerá um post inteirinho pra ele, um capítulo hiper, super, mega especial: o nosso planejamento familiar.
Bebê a bordo sem bula ou manual
Durante toda a gravidez, eu estudei muito sobre o assunto. Lia artigos acadêmicos, blogs, sites. Sabia a cada semana (dia e, se bobeasse, hora) o que se passava com Laura em seu desenvolvimento. Termos científicos, como tocólise, lanugo, mecônio, e outros, faziam parte de um vocabulário familiar. Contudo, a vida do bebê extra-uterina, eu, protelei e, confesso que me esqueci de pesquisar. Tudo seria pra mim, pra nós, a mais assustadora, mas também a mais instigante, novidade. Noites antes do nascimento, ficávamos imaginando o que faríamos quando, felizes da vida, chegássemos com aquele “embrulho” em casa.
Bem, neném não vem com manual (frase mais que batida, mas deu vontade de colocar). Se viesse, eu leria tudinho (adoro ler manuais de eletro-eletrônicos e bulas de remédio). Mas acho que de nada adiantaria, pois, pelo muito que ouvi dizer, cada criança é de um jeito e cada mãe e pai sabe a melhor maneira de lidar com sua cria. Basta estarem dispostos a ouvir, observar, serenar, agir com a cabeça, mas principalmente, com o coração. Imagina, Laura passara nove meses dentro de mim! Eu brinco que ela é meu pedacinho de carne! E mãe tem o instinto para guiá-la. Saber como pegar, aconchegar, prover, alimentar...? Há meses vínhamos treinando nossa forma de comunicar. E, naturalmente, nós já tratávamos Laura assim, como se deve, um ser dotado de inteligência, desejos e necessidades. Conversávamos muito com ela ainda na barriga e explicávamos toda a nossa situação. Eu pedia que ela fosse boazinha. Que chorasse quando tivesse que chorar, mas que já viesse sabendo o tipo de mãe e pai que iria encontrar.
No livro Nossos Filhos são Espíritos (do qual falei no Relato de Parto), o autor desenvolve um raciocínio interessante: ele diz que o bebê, quanto mais novo, tem uma enorme capacidade de entendimento. Segundo ele, para suportar as limitações do corpo ainda em formação, o espírito traz vivas as lembranças do mundo espiritual, o motivo de estar na Terra e o seu propósito encarnatório, sua bagagem moral e intelectual. E, à medida que vai desenvolvendo o corpo, inversamente, vai se tornando “mais criança”, para, então, aprender tudo de novo. Nós, Wilson e eu, acreditamos nisso. E, cotidianamente, Laura tem nos provado o quanto é capaz de atender aos nossos pedidos e compreender nossas limitações.
É claro que o recém-nascido humano depende dos cuidados dos pais, e ela absolutamente não é diferente. Muito mais que cuidar, é preciso ser mãe e pai. E isso requer muita disponibilidade, física e emocional. É preciso muito afeto, mas também muita disposição e dedicação. É lógico que para o bom desempenho da minha função eu tenho precisado de consultores, como jovens e velhas amigas, cunhadas, médicos, livros, sites, blogs, minhas queridas listas de discussão... Mas tenho a consciência de que, por mais que não sejamos experts, eu e Wilson nos preparamos para nos doar à Laura. E isso é o que mais conta: nossa disposição em ouvi-la, estudá-la, compreendê-la e amá-la. Não pretendemos terceirizar nossa missão.
O caminho tem sido árduo (e isso inclui perder o jogo do Brasil na Copa do Mundo, caso do Wilson que ficou lavando roupas da Laura, enquanto eu a amamentava ou brincava, pois ela exigiu o tempo todo a minha atenção; invariavelmente comer comida fria; tomar banho depois da meia-noite; ficar horas com vontade de fazer xixi...), mas muito compensador. Estamos cansados, mas não exauridos. A cada dia, Laura nos renova. É um mundo mágico, gigante, e estamos apaixonadamente dispostos a vencer cada etapa, cada dificuldade. E, como já disse, é sobre cada uma delas e sobre essas primeiras descobertas que falarei nos próximos post, e irei, assim, tecendo este blog.
Quarto Trimestre de Gestação
A primeira coisa que descobrimos antes mesmo de sair com Laura da Casa de Parto é que, assim como todos os bebês, mesmo com 38 semanas de gestação, ela não nascera pronta! De todos os mamíferos, o bebê humano é o único que, para conseguir sair do ventre da mãe (bípede e, por isso, com a bacia mais estreita que os quadrúpedes), precisa nascer antes de atingir toda sua maturidade. Seria impossível a expulsão natural, pela vagina, por causa do desenvolvimento do perímetro cefálico, se ele nascesse, por exemplo, com doze meses de gestação.
Por isso, em sua maioria, os nossos “fetos extra-uterinos” sentem muito frio (ainda não são capazes de manter a temperatura ideal), espirram e tossem muito (estão a amadurecer o pulmão), sentem cólicas (por falta de amadurecimento do sistema digestivo), precisam ser colocados para arrotar, e vêm com uma série de “defeitos de fábrica”, como Refluxo Gastroesofágico (o que responde pelas famosas golfadas), Reflexo de Moro (pequenos espasmos causados por sustos), Reflexo Gastro-Cólico (uma tal diarréia benigna, que é o esvaziamento do intestino tão logo o estômago recebe novo alimento), além de precisarem chorar para se comunicar.
Quase todos esses nomes eu e Wilson fomos descobrindo à medida que Laura ia nos apresentando os sintomas. Dessa lista toda, escapamos das cólicas (que ela nunca teve, Graças a Deus) e do choro (minha bebezinha é uma anja, ela quase não chora, apenas solta uns resmungos graves e bravos quando não conseguimos captar de imediato sua mensagem, mas é só nos conectar e ela logo sorri!).
De fato, o comportamento dos recém-nascidos é muito variável e depende de vários fatores,
como personalidade, experiências intra-uterinas, o tipo de parto vivenciado, fatores ambientais, incluindo o estado emocional dos pais e, principalmente, o estágio de maturação que ele nasce. E eu acredito que ter estado sozinha com Laura desde o primeiro dia foi positivo no processo desse reconhecimento. A ocasião fez o ladrão e como toda mamífera tenho sabido como lamber minha cria. Foi por meio dessas peculiaridades que acabei descobrindo, por exemplo, a Amamentação por Livre Demanda, a Cama Compartilhada, o uso das Fraldas de Pano e o Colo como Extensão do Útero. Para compreender tudo isso, foi preciso rever conceitos e, principalmente, libertar-me dos preconceitos. Mas, como tudo isso foi fruto da experiência, tenho me sentido segura das minhas escolhas, certa de que poderei revê-las e mudar de rumo, guiada pelas necessidades de Laura.
No próximo post, falaremos sobre como cheguei e porque optei pela Amamentação por Livre Demanda. Até lá.
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