Alguns ecos...

Alguns ecos: a maioria destes textos é tecida de matéria prima que Laura me oferece, e também das várias leituras a que ela me induz, mas que muitas vezes, introjetadas, não consigo nem mais citar a fonte. Contudo todas elas podem e devem ser acessadas por meio dos meus Gadgets.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Eu materno, ele paterna e nós declaramos o nosso amor



Há quatro dias, nossa Tuquinha completou 5 meses! No dia, 11 de setembro, publiquei uma carta que escrevi a ela, com o objetivo de deixar aqui registrada, para quando ela puder folhear (ops!) essas páginas da nossa vida. Hoje, com imenso orgulho e prazer, publico essa linda declaração do Papai-Corujão, que, pela primeira vez, nos deu a honra de participar dessa escritura...

"Querida Laura,

Escrever sobre você, sobre o quanto sua chegada – há exatos cinco meses – representou, acaba tornando-se algo difícil. Pois sempre acabo falando de mim mesmo. Estou tentando fugir de coisas como a experiência sublime de ser pai, o quanto sua chegada me transformou como pessoa, ou como encontrei uma razão para minha desorganizada, egoísta e incompleta vida. Tudo isso é verdade, filha, mas quero falar de você, a pessoa mais especial que surgiu neste planeta. E de que forma surgiu!

Sua chegada, querida filha, se deu em meio ao perfume dos incensos, à luz tranqüila de velas coloridas e às doces harmonias de uma Ave Maria. Inesquecíveis momentos!

Seus olhos calmos e ativos, passeando pelo quarto e quedando sempre nos olhos marejados de sua mãe, em uma incrível troca de sentimentos, o zelo das parteiras, cercando vocês duas de cuidados, de um carinho que transcende e muito o aspecto profissional e que vai habitar o terreno do humano em um momento tão singular da vida de três pessoas... É impressionante a paz que me inunda ainda agora e me faz emocionar. Mal sabia eu que aqueles mesmos olhinhos que eu contemplava pela primeira vez seriam os olhos mais brilhantes que jamais tive a oportunidade de mirar e admirar. 
Lembro-me agora do maravilhoso cartão que ganhei na ocasião do meu aniversário. Todos deixaram lindíssimas mensagens, lindas mesmo, mas quero falar sobre as linhas escritas por meu pai. Primeiro porque era uma mensagem escrita por um pai - o que tento fazer agora -mas, sobretudo, pela sabedoria e simplicidade que encerram. Transcrevo uma parte:

“...Agradeço a Deus muito pelo presente que você ganhou, e também nós. Esta linda filha, que Deus abençoe sempre. Obrigado à você e à Letícia...”

Você, Laura, é isso: um lindo presente de Deus para toda a família. E Ele espera que cuidemos deste presente zelando para que se conserve sempre belo, radiante e puro no mais amplo dos significados.

E faremos isso, meu amor!

Queremos que você seja a pessoa mais amada do mundo. Que olhe sempre para seus pais e tenha a sensação de segurança, aconchego e carinho.

Quero escrever sem malabarismos lingüísticos ou filosofias, uma mensagem simples, como simples é a forma com a qual você se relaciona comigo, com sua mãe e com o mundo. Quero dizer que sua voz é a coisinha mais linda e que é impossível ouvi-la sem dar um sorriso. Que olhar para seu cucuruto e não deixá-lo cheirando a cuspe de tanto beijá-lo é algo simplesmente incogitável. Que me exercito como artista ao ter de criar estórias que te agradem e prendam sua atenção por, pelo menos, alguns minutos. Que sentir sua respiração ao dormir nos meus braços me deixa feliz e orgulhoso de merecer sua confiança. Quê mais... Que você possui a gengivinha mais linda, as pernas mais roliças e o pezinho mais gostoso de beijar. Que você é toda perfeitinha, feminina e charmosa. Que você me deixa envergonhado com minha dificuldade de perdoar, ao sorrir, segundos depois de ter sido forçada a engolir aquele remédio amargo que te desperta de um sono tranqüilo para te deixar agitada, suada e exausta de tanto gritar e resistir. Ao nos fitar sem mágoas nem rancores e abrir aquele sorriso lindo, percebo o quanto ainda sou atrasado espiritualmente...

Enfim, Laura querida, falar de você é fácil, pois você é uma companheira agradável de viagem. Fico feliz em saber que dividirei com uma pessoa assim a poltrona nesse fantástico percurso encarnatório. Estamos só começando. Muita coisa ainda vai acontecer, mas, desde já te digo que estou vivendo momentos indescritíveis e quiméricos ao seu lado. Pura poesia! Agradeço a você, agradeço a Deus e à Letícia. Valorizo a dádiva de viver e me dedicar a uma pessoa, a ajudá-la a dar seus primeiros passos e receber tanto por isso. Espero ser merecedor deste presente e viver em paz com você e mamãe pelo resto de meus dias. Espero ainda dar-te um irmãozinho ou irmãzinha para que você tenha uma companhia conectada à sua geração, mas, principalmente para que você vivencie um amor mais amplo, experienciado em seus diversos matizes: materno, paterno e fraterno.

Termino dizendo que o amor que te devoto cresce a cada novo dia. Fico pensando então em quando você já estiver na idade escolar e puder ler essa mensagem. Seu pai certamente estará mais barrigudo, grisalho talvez, provavelmente ranzinza e casmurro, já com ciúme dos primeiros amiguinhos. Mas a estará estimando ainda mais. Muito mais. Estará orgulhoso e feliz por ter vivido tantas experiências a seu lado e ansioso pelas novas descobertas.

Te amo muito, filha!

Papai."

sábado, 11 de setembro de 2010

Há Cinco Meses no Paraíso


Fonte: mamaesnaitalia.com

Filha querida,

Hoje faz cinco meses que a mamãe e o papai se tornaram seres mais completos, mais felizes, mais humanos, melhores. A nossa união se solidificou, nosso propósito se tornou real, pois no dia 11 de abril, você nasceu!

Sabe filha, você foi desejada por mim a vida inteira. Durante muitos anos, planejada. Por doze meses, esperada. Sim! Lembra-se da minha primeira gravidez que não foi adiante? Por algum motivo, Deus achou por bem adiar os nossos planos e nós três – papai, mamãe e você – confiamos Nele! Outro corpinho, mais saudável, precisou ser gerado e, finalmente, apenas três meses mais tarde, um novo veículo estava se formando para nossa união tão abençoada. No dia 10 de agosto de 2009, uma linda sementinha se plantara. E valeu à pena esperar!

Meu amor, você é muito mais do pedi a Deus! Que presente iluminado! Meiga, feminina, charmosa, dengosa, delicada, tranqüila, calma, feliz, linda, linda, linda (até pernas grossas, grossíssimas, você tem!). E ainda que não fosse assim, eu lhe amaria do mesmo jeito, afinal, para o nosso reencontro, foram quase 36 anos de espera.

Por isso, eu gostaria de lhe agradecer. Assim como o fiz com você ainda na minha barriga, assim como eu o fiz nos seus primeiros minutos de vida, hoje, novamente, eu quero lhe agradecer. Agradecer por você aceitar vir à Terra sendo nossa filha e confiar a nós a sublime missão de lhe assistir em sua mais nova jornada espiritual.

Quero agradecer a você por me proporcionar a experiência mais maravilhosa da minha vida: sentir-lhe crescendo dentro de mim, da minha matéria se tornar um ser humano lindo (minha bolinha de carne!), saudável, completo, enquanto eu me tornava a criatura mais bela do planeta, verdadeiramente filha de Deus, um espírito privilegiado, um corpo feminino em perfeito equilíbrio com a natureza, uma fêmea realizada, uma MULHER.

Agradecer a você por confiar em minha coragem, dar forças à minha obstinação e proporcionar-me, mais uma vez, outra transformação. Parir é nascer de novo, minha filha. Experienciamos tudo isso juntas! Cúmplices, companheiras, nasciturnas e, agora, é como se tivéssemos a mesma idade! Ah, minha pequena, você ainda há de viver, do lugar que vivi, o ato mais purificador, mais sublime, cujo poder de transmutação só poderia mesmo se originar da mais essencial alquimia que existe entre amar, gerar, gestar e, depois, parir um ser.

Agradecer a você por me permitir lhe nutrir do meu próprio plasma, do meu próprio sangue que com amor se transforma no leite que alimenta suas células, fortifica o seu corpo e acalenta a sua alma, enquanto a minha? Ah, a minha ganha um passeio pelo Céu. Como é maravilhosamente indescritível a sensação de plenitude que a cada mamada você me presenteia, com seu olhar profundo, sábio e, ao mesmo tempo, inocente e singelo; com suas mãozinhas macias que, ainda descontroladas, ziguezagueiam acariciando o meu peito, o meu rosto, o meu cabelo; com pausas longas e silêncios polifônicos que entrecortam suspiros e gramelôs repletos de significado.

Agradecer a você pelo sorriso escancarado, sincero e iluminado com que a cada manhã você desperta e me desperta encantada!

Agradecer-lhe por, todos os dias, dar-me a oportunidade de cuidar de você, fazer sua massagem, cortar suas unhas, limpar seu narizinho, ajudar-lhe a arrotar, escolher suas roupas, dar-lhe o seu banho, limpar seu bumbum, trocar-lhe as suas fraldas, ensinando-me, em cada um desses momentos, os segredos tão simples da mais pura humildade.

Agradecer-lhe por me permitir acompanhar suas descobertas – primeiro foi a linguinha (era só pedir e você nos mostrava), depois as mãozinhas, os dedinhos, os pezinhos de Shrek -; suas conquistas – primeiro aprendeu a sorrir, a dormir sozinha por uma noite inteirinha, a gargalhar, a gritar, a chutar a gente quando quer brincar, a firmar as pernoconas e o pescocinho (já não se parece mais com um cachorrinho de Kombi!), a sentar-se ainda que cambaleante, a se virar de um lado para outro, a nos dar seus deliciosos Bêsos molhados e até a nos imitar!

Agradecer-lhe por, mesmo antes de nascer, ter mudado os meus hábitos; melhorado a minha alimentação; conduzido-me a tantas leituras sobre os mistérios da vida e do planeta; descortinado outros milhares de universos; me apresentado tantas pessoas bacanas; me mostrado a irrefutabilidade do poder da ação e da reação; me tornado mais responsável pelos meus atos e pela influência que eles podem causar no mundo que desejo deixar para você!

Obrigada, minha filha, por ter me feito mãe! Obrigada por me fazer resgatar minha relação com a figura feminina, me livrar de ressentimentos, e me deixar assim, em profunda disponibilidade para servir e amar outra mulher. Obrigada pela oportunidade d’eu poder começar tudo de novo! Obrigada por me dar uma família de presente! Obrigada por me deixar experimentar o amor incondicional, imenso, pleno, que incrivelmente cresce a cada momento e me convence que, mesmo sendo chama (como afirma o poeta), não se apagará jamais!

Estando aqui neste planeta, nenhum de nós é perfeito. Viemos a essa escola aprender o amor e você tem se mostrado professora exímia, aluna dedicada. Da minha parte, tenho feito todo o esforço que posso, com prazer, com carinho, com zelo e com lealdade. O que mais posso lhe prometer? Posso reafirmar o que lhe escrevi naquela primeira carta, quando ainda habitava a barriga da mamãe: viverei a cada segundo da minha vida imbuída do propósito de lhe fazer feliz. Muitas dificuldades você vai encontrar no seu caminho. Vai sorrir. Mas também vai sofrer, vai doer, vai chorar. Poderemos, algumas vezes, discutir, discordar e até brigar. Faz parte do aprendizado e do crescimento. Mas tenha certeza, minha amada, que irei sempre lhe respeitar, lhe instruir, acompanhar suas experiências, amparar os seus passos, acolher suas escolhas e lhe ofertar o meu colo, sempre, sempre cheio de afeto! Repleto de amor! De lealdade! De Verdade!

Não tardará, e chegará o dia em que você vai partir. Vai pra longe, muito longe, vai até aonde o seu desejo alcançar, mas vai sempre voltar. Sabe por quê? Porque terá a certeza de que cá estarei, também para sempre, pronta a te encontrar de novo minha menina, meu bebê, minha Tuquinha, meu Tetê! Ter-te em meus braços para, sempre que for preciso, renascermos juntas e vivermos, sempre, tudo de novo. Daí, será a sua vez de me carregar no colo e me ensinar sempre a ser como você. Por ora, o seu “HD” está limpo. Papai e mamãe esperam lhe ajudar a inculcá-lo dos mais sublimes valores e sentimentos com os quais você nos inspira cotidianamente.

Com sinceridade,
Mamãe.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Laurinha Recomenda

Agora, com embasamento histórico e científico, reafirmamos a importância do colo em: "Colo Mágico", afinal, foi o "dotô" quem receitou, mas desde quando?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Botando o Bebê na Roda

Por aqui ainda continuamos comemorando o mês dos pais. Também, pudera! Nessa casinha nós temos um pai que é um verdadeiro Pãe!!! Ele acaba de liberar a compra de mais um sling (temos um pouch e um carregador, agora queremos um de argolas).
Assim, aproveito a oportunidade para lembrar que o produto é também um "democratizador de bebês". A liberada que o Wilson deu, não foi à toa. Sim, com o sling, os papais também podem e devem experimentar a deliciosa sensação de ter seus filhotinhos grudados, no colinho, como o fazem as mamães.
Emerson e João
Marcos e Lena
Os maridos das Materna/ Matrice(s)  Adriana Guimarães (esquerda), Keli McGee (centro) e Danielle Nagh (direita) não perdem tempo!
Cian e Nenagh
São também exemplos de que as dicas que a Lilith (uma marca de slings) utiliza para vender o produto são mesmo quentes: "O bebê pode ser de todos: o uso do sling permite que não só a mãe seja responsável pelo bebê, mas que o pai, irmãos ou qualquer outra pessoa possa dividir esta tarefa e se responsabilizar pelo bebê também. Neste sentido, o sling promove uma maior democracia familiar!"
Além disso, ao ter contato com um maior número de pessoas, bebê que cresce slingando se desenvolve mais, pois "participa ativamente da vida ao seu redor, favorecendo a socialização e o pertencimento à vida da família, e ao mundo que o rodeia. O ato de carregar estabelece uma parceria implícita entre a criança e seu carregador. A criança, ao participar do cotidiano do cuidador, aprende a reconhecer a disposição e os limites que este vive, favorecendo a empatia e a compreensão; permanece mais tempo em silêncio e em estado de alerta, e observa o mundo sob uma ótica diferente do lugar de quem o carrega, e não o teto como quando está no berço, ou os joelhos das pessoas de dentro do carrinho. Por chorar e reclamar menos, passa mais tempo apto a interagir melhor com o ambiente e com outras pessoas".
Por essas e outras, continuaremos daqui agradecendo ao papai por mais um presente. E para os que  querem saber mais sobre os motivos do nosso contentamento, deixo a indicação da fonte: http://luzdalilith.blogspot.com/2008/12/por-que-promover-o-uso-do-sling.html


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Colo não faz mal a ninguém

Vou aproveitar a linda foto que ilustrou o post anterior (era para ser do Wilson com a Laurinha, mas acho que o Shrek caiu super bem) para falar do miraculoso poder do baby sling - aquela “tipóia de carregar bebê” que o monstrinho está usando – uma versão moderna de como os bebês são carregados há séculos pelo mundo afora.
A intenção do carregador, o pouch sling ou tipóia de bolsa/de rede (no caso do Shrek), como a de vários outros modelos – ring sling ou tipóia de argolas (que a materna Keli usa com a bela Nenagh, na foto acima), wrap sling ou pano comprido, mei-tai, canguru ou mochila - é proporcionar à mãe (e ao pai também, por que não?) a oportunidade de ter o bebê coladinho ao seu corpo de forma mais orgânica e ergonômica – em posição que lembra o período gestacional. Durante o uso do sling, as mãos das mães se mantêm livres para outras atividades, enquanto a criança se mantém aquecida, aconchegada, enfim, mais segura, principalmente durante o período de transição do mundo da barriga para este mundão daqui de fora. No sling, além de apertadinho, como no útero, o bebê pode escutar mais de pertinho o palpitar do coração da mãe, sentir sua respiração, o seu calor e, com o movimento do seu andar, relembrar o embalo que viveu os nove meses dentro da barriga.
A idéia, que é super difundida no exterior, começa agora a se tornar popular no Brasil, não sem antes enfrentar os velhos preconceitos arraigados em nossa sociedade. Quantas mães não ouvem de suas avós: “larga esse menino, porque assim, o dia inteiro no colo, ele acaba ficando mal acostumado”. Mal acostumado a quê? A carinho, a calor humano, a amor, a alimento para a alma? É por acreditar que essas coisas não acostumam mal ninguém, e, mais ainda, por acreditar que o que faltam ao mundo de hoje são adultos criados com muito amor, que eu não nego, por nadica de nada, o colinho de mamãe à pequena Laura. Como nem sempre posso estar absolutamente disponível, além de não dar conta do peso com esse meu corpinho macérrimo de mãe que amamenta após um Parto Natural, hahahaha – esnobei, pronto! -encontrei no sling um aliado.

Mas por que não negar o colo?

Já falei aqui no blog sobre o que, após várias leituras, aprendi a chamar de “Quarto Trimestre Gestacional” - período em que, mesmo fora da barriga, o bebê continua em estado de formação. De todos os mamíferos, o feto humano é o único que, para conseguir sair do ventre da mãe - bípede e, por isso, com a bacia mais estreita que os quadrúpedes - precisa nascer antes de atingir toda maturidade. Seria impossível a expulsão natural, por causa do desenvolvimento do perímetro encefálico, se ele nascesse, por exemplo, com doze meses de gestação.
Não bastasse essa condição de “feto extra-uterino” - situação em que o corpo ainda em formação é exposto a uma horda de hostilidades - sem falar das limitações a que o espírito, velho muitas vezes, encontra-se submetido, o bebê precisa superar o choque que o nascimento representa. Afinal, ele vem de um ninho - onde não é necessário nenhum esforço para sequer se alimentar - para um ambiente desconhecido, que inclui mudanças de temperatura, de luminosidade, de som, de meios de alimentação, onde é preciso, até mesmo, aprender a respirar.
Daquela perfeição do universo antes habitado para o lado de fora, resta apenas o pulsar da mãe: seu cheiro, sua voz, seu calor... E, para provê-lo de tudo isso: o insubstituível colo! E aí, meus caros, me vêm os palpiteiros de plantão dizerem: “deixe sua filha se frustrar um pouquinho para não ficar mal acostumada”, ou “um chorinho de nada faz bem para fortalecer o pulmão”. Como se a vida já não fosse repleta de frustrações e sofrimentos vãos! Não deixo não. Deixei uma vez, seguindo o conselho da minha avó de 100 anos, mas me arrependi amargamente. Como me arrependi!! Meus olhos se enchem de lágrimas só de lembrar...
Atribuir o poder de chantagem a um ser que ainda não se contaminou com os vícios da nossa sociedade, e que nem capacidade intelectual tem ainda para fazê-la, seria no mínimo leviano, não acham não? Quer dizer que bom mesmo é amarrar a criança sobre cadeiras de quatro rodas, delicadamente chamadas carrinhos de bebê, diante de uma televisão e aguardar que ela seja (en)formada como um sujeito passivo? Tanto melhor se ela aprender a curar suas carências sozinha, por meio de quilos de chocolates, não é mesmo? Sem falar de outras drogas como o fazem aqueles que não tiveram amor e autoconfiança como alicerce de uma boa educação e que, adultos, cometem horrores para chamar pela atenção que não tiveram na infância. Pensar que tudo é tão simples: o antídoto teria sido um bom colo de mãe!
É por isso que me sinto muito feliz, muito feliz mesmo, a cada vez que minha pequena Laura sorri em meu colo e eu descubro como esse ato de amor tem o poder de trazer a ela afago e segurança. Itens que não têm preço e que não se compram em lugar nenhum deste mundo. Mas que certamente são alguns dos alimentos mais preciosos que posso oferecer a ela, certa de estar contribuindo para a formação de um ser humano muito mais íntegro, sustido, por isso, seguro e feliz.
Sei que a dependência dela vai passar rápido. Tão mais rápido, quanto mais as necessidades dela forem supridas. Já já, Laura estará engatinhando, vai querer desbravar os cômodos da casa, o nosso quintal, depois virá o mundo. E, quando isso acontecer, espero estar aqui, velhinha, vendo como a criança que fora amada se transformara na grande mulher, inteira, realizada, que terá sim seus momentos de fragilidade, mas que, com certeza, se sentirá para sempre confiante. Segura de que, em qualquer idade, sempre que quiser, poderá encontrar amor, calor e humanidade nesses braços que estarão abertos para lhe acolher. Não é preciso ir tão longe. O resultado, de curto prazo, já está aí: Laura é uma criança que quase nunca chora. Ela não precisa. Sabe que estou sempre aqui, disponível, ao seu lado. O seu choro raro são apenas gramelôs de um ser em formação que precisa comunicar suas necessidades, seus incômodos, suas pequenas angústias. Nada demais. Nada que um coração atento de mãe não saiba compreender.

Slingueiras Maternas/ Matrices: mulheres para as quais ser mãe é antes de tudo uma atitude responsável
Materna Keli McGeen e Nenagh

Antes de Laura nascer eu, provavelmente, não concordaria com 80% do que pratico hoje. Mas bastou nos conhecermos para deixar que a intuição se tornasse minha melhor conselheira. Revi meus conceitos e refiz minhas escolhas responsáveis, embora nem sempre acertadas. Disponibilizar meu colo, assim como fazer Cama Compartilhada, Amamentar em Livre Demanda foram algumas delas.
Certamente, eu não teria tanta coragem em assumi-las sem o concurso de mulheres maravilhosas com as quais compartilho experiências, angústias, medos e descobertas (e, sempre, claro, com o apoio impagável do Wilson, pai de Laura). Às Maternas/ Matrices slingueiras, minha homenagem e eterna gratidão. Obrigada!!!
Materna Danielle Nagy e Lena
Materna Maria Kacinskas e Alexandre
Materna Adriana Guimarães e Helena
Adriana Guimarães com a gostoosa da Helena, slingando na Bolívia, ao lado de duas bolivianas slingueiras

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Não Basta Ser Pai...

A cada dia, imbuída deste meu novo papel no mundo, convenço-me mais da importância do exemplo que deixamos para os nossos filhos. A chegada da Laura, entre milhares de ensinamentos, instalou à minha frente um enorme e sincero espelho, de onde posso observar os meus defeitos, envergonhar-me deles e tratar logo de corrigi-los (com muuuita dificuldade, é claro). É impressionante como essas criaturinhas nos vêm com esse poder de nos transformar. Pelo menos é o que tenho tentado já que pretendo olhar fundo nos olhos da minha filha e ser chamada por ela de Mãe, assim mesmo, com M maiúsculo. Mas essa minha luta não é solitária. Ao meu lado, há uma pessoa que, em especial nesta semana, esteve no centro das atenções.
No último domingo, comemoramos o primeio Dia dos Pais do Wilson. Foi uma grande festa que se fez, especialmente, em nossos corações. Durante os três dias que antecederam, eu - com Laura sempre no meu colo, colaborando com sua compreensão (e com inspiração!) - tratei de preparar o presente. Comprar? De jeito nenhum. Depois de pensar, pensar, pensar, cheguei à conclusão que loja nenhuma do mundo teria à venda produto que expressasse tamanho contentamento que a paternidade do Wilson nos traz. E que Deus nos abençoe!!!
A produção do presente me levou a uma rica viagem por cada um dos momentos pelos quais passamos - Wilson e eu - até ter Laura em nossos braços. Montei um vídeo - lindo, modéstia à parte - com fotos e filmes desde o nosso tempo de namoro, passando pelos anos do test drive em que moramos juntos, pela decisão do casamento, pelas cerimônias, pela Lua de Mel, até os meses de gestação, desaguando, claro, no filme mais lindo de nossas vidas: o nascimento à luz de velas. E esse processo de "regurgitamento" serviu-me para, mais que colher lembranças, agradecer a Deus o pai que, à minha filha, Ele confiou.  
Desde o início, foi assim... todos os nossos planos em relação aos filhos foram traçados à quatro mãos. Conversamos muito sobre nossas expectativas, nossas dificuldades, nossas possibilidades, mudanças necessárias. Estudamos, trabalhamos, nos casamos, poupamos, investimos, continuamos a estudar, a discutir, a planejar... vislumbrar tanto as questões práticas, quanto todas as questões filosóficas que a educação e a formação de um filho puderam nos suscitar. A chegada de Laura foi fruto de muito acordo, várias renúncias e compartilhamento. Mesmo antes da gravidez, o Wilson-pai se fez presente em todos os instantes.
Durante os nove meses, ele também esteve prenhe. Junto a mim, mudou seus hábitos. Cuidou da nossa vida financeira, do nosso bem-estar emocional, da nossa saúde. Foram pratos e mais pratos de frutas levados à cama todas as manhãs... Verduras e legumes fresquinhos à nossa mesa... Massagens... Conselhos... Até a cervejinha de fim de semana ele deixou de tomar (também não precisava tanto!). Foi um companheirão! Quando decidi pelo Parto Natural, mais que apoiar, Wilson se mostrou uma doula em perfeição. Após o nascimento, passou as primeiras noites em claro, lavou fraldas, faxinou a casa, cuidou de toda infra-estrutura. Doou seu amor, suas ideias geniais. E, passados quatro meses, reafirma, a cada dia, sua competência em ser um verdadeiro pai.
Não só apenas porque provê a casa, porque troca fraldas, faz comida, lava e passa, conta histórias, dança, cria músicas, nos ensina a rezar, alimenta nossa filha com seu amor... Mas, principalmente, porque dá a ela, a cada dia, o exemplo que se espera de um pai.
Ele não apenas apregoa, mas luta a cada dia para conduzir os seus atos com respeito, honestidade, ética, bom caráter, perseverança, lealdade. E eu acho que é isso que se espera de um pai. Que seja falível, posto que é humano, mas que se esforce em ser, a cada segundo, uma pessoa melhor.
Estou batendo nessa tecla do exemplo porque sempre pude observar nos atos dele a presença fortíssima da conduta do avô de Laura, o seu pai. O Sr. Paquiel é um homem que sempre lutou muito e sempre mostrou aos filhos os efeitos benévolos de valores como o equilíbrio, a honestidade, a caridade, a compaixão. Mas, fundamentalmente, o respeito e o amor pela família, a começar pela mãe. Foram 40 anos de um casamento perfeito! Wilson conta que jamais presenciou uma discussão entre o casal. E, ainda hoje, Sr. Paquiel se mantém assim... fervoroso ao amor que dedicou durante toda a vida à sua querida Zizinha.
Sabe, sempre tive enorme necessidade de confessar isso: foi esse amor - do Sr. Paquiel e de Dona Zizinha - que me levou ao altar. O dia em que eu - vinda de uma família de pais, irmão, primos, tios (t.o.d.o.s) separados, desquitados, divorciados - descobri que existia um casal cujo amor e respeito redundou na felicidade de filhos também amorosos e dispostos a seguir estes exemplos, eu pude crer que esse precioso presente também estava ao meu alcance. Ele era real. E, assim, eu disse sim. Sim ao Wilson-marido, sim ao Wilson-companheiro, sim ao Wilson-pai. Mulher independente e afeita à produção autônoma de filhos, compreendi o valor da família. Revi meus conceitos. Realimentei sonhos adormecidos. Resgatei sentimentos, esperanças e investi na minha felicidade.
A luta diária não é nada, nada fácil. Mas com perseverança e muita, muita fé em Deus, vamos seguindo assim... apoiados, principalmente, naquele que nos deu o maior exemplo de todos. Que escolheu vir à Terra no seio de uma família, uma sagrada família - Jesus! E como Wilson sempre gosta de dizer: que possamos aproveitar nossa estada neste Planeta, que nossa vida em família possa tornar mais leve o aprendizado, e que possamos, a partir de dentro, contribuir para um mundo um bocadinho melhor.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nosso varal está em festa!!!!!

Há 10 dias, chegou dos EUA a querida Tia Marília e, com ela, nossas novas fraldas! Por aqui elas estão fazendo o maior sucesso. Acreditem: fácil manutenção e bumbum 100% sequinho! Laurinha recomenda!
Olhem o charme:


quinta-feira, 22 de julho de 2010

As Dores do Mundo

Minha amada filha não tem estado muito afim de abrir mão do colinho da mamãe pra que eu possa escrever (bem-aventurado seja o colinho da mamãe).  Há muito queria ter deixado impresso o meu contentamento pelos três meses na companhia de Laura. Mas sei que esse espaço se por um lado é uma das formas de reviver os maravilhosos milésimos de segundo (todos eles) que ela me proporciona, por outro, o blog não pode se sobrepujar aos momentos de dedicação que a mesma exige de mim. Por isso, a minha ausência aqui é sinal de muuuita Laura em minha vida: alegria e alimento para o meu coração.
Hoje estou contrariando um pouquinho a vontade da minha pequena (e a minha também), que está aqui ao lado, no carrinho, em meio a alguns beicinhos e muitos gritos de reclamação, porque achei importante deixar registradas algumas importantes passagens que povoaram nossa semana. Não entrarei em detalhes, deixarei apenas as sensações...
Algumas decisões e experiências vividas por mim e por ela nesses últimos dias podem trazer repercussões imensas por muitos anos. E quando esses anos chegarem, e Laura tiver a oportunidade de rever as palavras que aqui deixei, ela poderá ter a certeza de que teve um pai e uma mãe sempre dispostos a fazerem por ela tudo o que lhes estivera ao alcance, sempre na tentativa de lhe proporcionar uma formação pautada pela honestidade, pela dignidade, e, sobretudo, pelo amor. Muitos serão os erros, mas o nosso empenho será sempre em busca dos acertos, certos de que esse caminho será também repleto de encruzilhadas, nas quais teremos que fazer várias opções. Sempre será preciso escolher. Chegará um dia em que essa parte do jogo ela também terá que aprender. E, nesse dia, ela vai poder contar com pais amorosos e vividos, e, assim, suas angústias encontrarão antítodos de paz e esperança.
Na vida, passamos por muitas decepções, por momentos difícieis, por experiências que nos fazem ver que é preciso mudar. Muitas delas vêm carregadas de dor, mas nos ajudam a amadurecer. E o sentido da vida é esse mesmo: agir, pensar, rever, avaliar, voltar atrás, refazer, mudar e, se preciso for, abandonar... Mas sempre, sempre, tendo em mente que cá estamos unicamente para aprender e crescer.
Bem, a maternidade (e a paternidade também) é uma chance maravilhosa para encarar tudo isso de uma forma diferente. Ela nos convida, a todo momento, a avaliar nossas atitudes e, diante da nossa consciência, tornarmos seres humanos melhores para servimos de espelho aos nossos pequenos. Eu e Wilson sabemos que não seremos capazes de evitar os sofrimentos pelos quais Laura terá que passar em sua vida, sofrimentos necessários à sua evolução. Mas sabemos também que poderemos deixar a ela o legado do nosso aprendizado. Por isso, minha filha, saiba que muitas vezes é preciso saber perder para ganhar; é preciso silenciar para dizer; é preciso morrer para viver...
Hoje foi a primeira vez que mamãe assistiu quieta à sua pequena dor. Você estava no meu colinho, mas não parava de resmungar... Mamãe falhou em todas as tentativas: deu mamazinha, trocou a roupinha (frio, calor, xixi, coco?), cantou go pá lá, dançou, certificou-se de que você não sentia nenhum incômodo físico, mas ainda assim você chorou. Mostrou-se inquieta, até insatisfeita, eu diria. Queria que eu ficasse com você nos braços, às vezes pedia para sentar, outras pra levantar, mas não parava de reclamar. Expliquei que eu não tinha mais capacidade e competência para lhe curar do que quer que fosse que estava sentindo. Deixei você sozinha por poucos minutos no berço, chorando... e você adormeceu. Ai, doeu muito mais em mim. Como doeu! Mas, passados menos de quinze minutos, você despertou novamente, olhou-me com seus olhinhos ternos, sinceros e brilhantes e eu compreendi. Você também me compreendeu.
A vida é assim. Apesar de tão novinha aqui na Terra, você também precisa de momentos que são só seus. Para curar suas dores...
Sempre que senti-las pode buscar ajuda em mim. Não serei sempre capaz de evitá-las, mas estarei sempre disposta a renovar o meu voto de amor por ti. E para que você o guarde na memória segue o texto abaixo, escrito na minha agenda de gestação quando você ainda estava na barriga da mamãe, mas que continua e continuará para sempre atual:

"Meu amor,
Hoje é dia 25 de fevereiro. Estou na trigésima primeira semana de gravidez e aproveito essas páginas vazias para enchê-las das palavras que me vêm ao coração e deixar registrado o quanto você já nos faz tão felizes! A mim e ao seu pai! Estamos ansiosos e na correira para terminar de cosntruir a casa que deverá lhe acolher com tanto carinho! Por isso, nem sempre tenho tomado notas neste diário. Mas você sabe que todos os dias conversamos com você, com muito amor. Você nos enche de alegrias, de expectativas e, principalmente, de esperanças em dias muito melhores. Desde que você foi gerada, a cada dia, somos um pouco mais felizes e unidos! Você nos transforma a todo momento. Cada segundo lutamos por nos tornarmos pessoas das quais possamos nos orgulhar e fazer juz ao merecimento que Deus nos confiou: gerar e cuidar da preciosidade que é você. É maravilhoso lhe ter crescendo dentro de mim e perceber que da nossa matéria você vai se tornando um ser individual, tão você! Cada dia, cada semana, é linda a evolução. É simplesmente delicioso, maravilhoso, indescritível sentir você se mexendo em mim! E o papai também experimenta essa delícia ao se conectar com o deleite da mamãe. Todas as noites, antes de dormir, nos dedicamos a sentir gostosamente os seus movimentos de vida. Você é nossa luz e, agora, toda a razão do nosso viver. Nós nos amamos ainda mais, por reconhecer o presente que pudemos oferecer um ao outro:você!!! Escolhemos juntos tudo o que lhe diz respeito. Nos deliciamos com a compra do seu enxoval e, apesar da apreensão com as responsabilidades financeiras que isso representa, o fato de você existir é condição suficiente para nos sentirmos fortes e capazes de vencer qualquer luta. Você é nossa pequena guerreira e lidera nossa batalha cotidiana. Obrigada por trazer tanta benção à nossa existência. Obrigada por nos ensinar tanto! Você já foi capaz de melhorar tanto o ser humano que sou que até me emociono só em pensar: mudou meus hábitos alimentares, minha rotina, meu trato com as pessoas, minha aparência (como eu me sindo linda, linda, linda, com você dentro de mim, fico horas a me admirar no espelho), mas mudou principalmente a minha razão e a minha vontade de estar neste mundo, atenta a tudo o que, juntos, nós três, vamos conquistar. Nós te amamos muito e gostaríamos de firmar com você um pacto: vamos fazer da nossa família entes aliados e cúmplices, paladinos da ética, da moral, da caridade, da benevolência e, sobretudo, do amor. Nosso compromisso começa em nosso Lar!!!! Seja muito bem-vinda, Laura! Perdoe as minhas fraquezas, as vezes em que já te fiz algum mal, mesmo te amando tanto. Eu prometo: viverei para sermos felizes: eu, você, papai e quem mais se juntar a nós!
Com afeto e sinceridade,
Mamãe".

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fraldas de Pano: uma volta 'mais que muderna' ao passado

Gente, este post não se configura exatamente em um capítulo da história de Laurinha, o quarto eu ainda estou devendo...e falarei sobre Refluxo Gastro-Esofágico! É que a "mocinha" está exigindo muito a atenção da mamãe e, claro, eu sou todinha dela!!!! Mas não pude deixar de passar por aqui para registrar a nossa nova investida: o uso das fraldas de pano.
Bem, tudo começou com a Amamentação em Livre Demanda... hehehehe. Bebê que come muito... vocês já sabem... intestino em bom funcionamento... caquinha à toda hora! Aqui em casa, minha quase bebê (quase porque há pouco completou o que chamei no post anterior de Quarto Trimestre Gestacional e está ainda a caminho da "maturidade") apresenta o chamado Reflexo Gastro-Cólico (que faz parte daquela listinha dos "pequenos defeitos fisiológicos" que bebezinhos podem apresentar nos primeiros meses de nascidos, uma vez que ainda não estão totalmente formados). Trata-se de uma espécie de "diarréia benigna", vamos dizer assim, que não é sinal de problema algum, tampouco faz mal ao bebê (a não ser causar assaduras, se as trocas não forem eficientes). A evacuação é desencadeada pela chegada do alimento ao estômago (gastro), que se distende e lança o aviso para a medula espinhal, que, por sua vez, avisa ao intestino (cólon) ser hora de funcionar. É o chamado movimento peristáltico, destinado a empurrar o alimento pra frente, como um riozinho. Em alguns recém-nascidos (caso da Laura), isso acontece a cada mamada.
Como na Livre Demanda Laura mama quase o dia inteiro, a nossa contribuição para o lixo ambiental começou a nos assustar. Cerca de 10 fraldas descartáveis por dia!!!! Daí, fizemos as contas: 3.650 fraldas por ano! Suponhamos que ela continuasse nesse ritmo (o que não acontecerá, claro), se ela desfraldar com 3 anos, teríamos contribuido com 10.950 fraldas a poluir o mundo! Não! Não é esse o planeta que queremos deixar para nossos netos e bisnetos.
Foi conversando com a nova amiga Mirian Kenia (que se tornou amiga a partir da troca de experiências sobre a maternidade), que descobri uma lista de discussão na internet sobre Fraldas de Pano. Lá existem mães maravilhosas, super empenhadas em proporcionar o melhor para seus filhos e que, feríssimas no assunto, deram-me todas as dicas e dividiram comigo uma verdadeira cartilha.
Aluna aplicada, tratei logo de experimentar: comprei minha primeira leva de fraldas de pano, uns modelos super moderninhos que as mamães mais descoladas têm usado em suas crias e que lembram aquelas antigas calças-enxutas (que em BH não se acha mais para comprar), mas que, além de mais bonitas, apresentam um novo sistema: elas possuem umas aberturas (como fronhas) chamdos de pocket (ou bolsos) onde são colocados os inserts (ou absorventes) - tiras feitas em tecidos específicos para absorver ou deixar passar o xixi, como a microfibra, o soft ou fleece (que dá o aspecto "sempre-seco" semelhate ao das fraldas descartáveis), o cânhamo ou hemp, e até de bambu.
Existem fraldas nacionais, mas o mercado ainda está se desenvolvendo. E existem também muitos produtos importados cuja performance, infelizmente, ainda supera a do produto brasileiro. É que as fraldas nacionais ainda não contam com um tecido plástico chamado PUL, que recobre a parte interna das gringas e evita os vazamentos. Eu acabei comprando 5 nacionais e 2 importadas para fazer o teste inicial. Apaixonei-me pelas importadas e acabei encomendando mais doze delas - quantidade suficiente para me libertar de vez das fraldas de plástico. Quer dizer, não totalmente. Ainda fico insegura de sair com as de pano, pois como os cocozinhos são muitos, quase líquidos e muito volumosos, infelizmente (e vergonhosamente), por enquanto, continarei usando as descartáveis nessas ocasiões. Com a consciência um pouco mais tranquila, embora alerta e disposta a abandoná-las por completo tão logo o coco endureça e se torne menos frequente.

Como funciona
Desde o nascimento da Laura, eu e Wilson temos nos revezado na função de lavar à mão e passar todas as suas roupinhas. Chegamos a usar aquelas tradicionais fraldas de pano C....r e a experiência em lavá-las à mão não foi das melhores... os dedos daqui de casa ficaram feridos!!!
Ao escolher as "fraldas de pano mudernas", fui surpreendida com a informação de que as mesmas não poderiam ser passadas. O quê!!!! Quase morri! Chorei na lista de discussão. Fui criticada. Quase apedrejada! Em pleno século 21, lavando roupas à mão e passando fraldas? Explicaram-me que o calor do ferro diminui o poder de absorção do tecido e tentaram me convencer de que ferro nada esteriliza. O pediatra da Laura disse que matar bactéria não mata mesmo, mas que dificulta beeem a vida delas. Mas, como estávamos dificultando mais a nossa vida, que a delas, rendemo-nos. Compramos uma máquina de lavar nova (só para as roupas da Laura) e decidimos secar as fraldas durante à noite (quando - apenas dentro das nossas mentes repletas de pensamentos esterilizados - há menos poeira e, portanto, mais segurança ao bumbunzinho da nossa filhinha).
Nos primeiros raios da manhã, lá vamos nós, recolhemos as fraldas e (ai, que medo) vestimos Laurinha.
A manutenção é mais fácil do que se imagina: fraldas sujas vão direto para um balde com água e tampa; fim do dia: água corrente para tirar o excesso de coco e "bora" pra máquina; de lá para o varal; do varal para o bumbum; e tudo de novo. É importante usar pouco sabão, pois o excesso pode impermeabilizar a camada superficial da fralda. E um inconveniente é que não se pode também usar pomadas no bumbum, pelo mesmo motivo acima exposto.
Ah, detalhe: descobri, aqui mesmo no Brasil, uns absorventes excelentes feitos deste tal material que deixa o bumbum sequinho. Tenho utilizados-os entre o bumbum e a fralda, o que normalmente me dispensa de trocá-la por inteiro. Quase sempre troco apenas o absorvente que retém a umidade e mantém a fralda limpa e seca. Ainda tenho apanhado um pouco. Confesso que principalmente com relação ao ajuste das fraldas, vez ou outra, o xixi vaza. Mas acredito nas mães "velhas de guerra" que me garantem: essa fase de vazamentos vai passar e, no futuro, estaremos felizes em ter contribuído minimamente para a saúde do nosso planeta (e do bumbum da Laurinha também, né, porque ninguém merece tanta química presente naqueles super, hiper, mega power gels que garantem a absorção nas descartáveis).


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Terceiro Capítulo: Sim, eu tenho peito!

Amamentar é uma característica natural, de toda mamífera ou, pelo menos, deveria ser. Mas o ato, que é, sobretudo, uma forma de sobrevivência da espécie, requer muita paciência, disponibilidade e até bom humor. É preciso persistência.
É claro que muitas mulheres que deixam de amamentar o fazem por sérios problemas fisiológicos, mas são raríssimas essas situações. O fato é que à maioria faltam mesmo informações. Informações de que não existe “leite fraco”; de que o bebê não aprende a mamar da primeira vez que é colocado no peito; de que esse é um processo de aprendizagem para as duas partes; de que nem sempre que o bebê chora é porque está com fome e que, portanto, toda mulher produz a quantidade de leite necessária à demanda do seu filho; de que o leite não “seca” assim de uma hora para outra sem que haja uma solução com um pouco de obstinação; de que, a despeito de todo trabalho, as vantagens de se dar o peito são absurdamente maiores que a opção pelo aleitamento artificial.
Mas, além de obter informação, é imprescindível que a mulher se sinta compreendida e apoiada pelos amigos e família. Gente pra dar maus conselhos, fazer comparações e cobranças é o que não falta. Amamentar pressupõe estar disponível aos horários e exigências do bebê (e cada um é de um jeito). Isso significa muitas vezes atrasar encontros, desmarcar passeios, deixar de fazer sala para visitas. Estar indisponível em certos momentos para atender telefonemas. Às vezes também deixar de dormir e até comer comida fria. Daí a minha sugestão (sou maruja de primeira viagem, mas funcionou): tranque-se com seu bebê, desligue-se do mundo e se sinta à vontade. Procure informações, aprenda o essencial e, na Hora H, vocês saberão o que fazer.
É claro que muitas dúvidas irão pintar. Por exemplo, seria ótimo se cada seio fosse transparente e viesse com dosador. Você saberia exatamente quantos mls/dia o seu bebê estaria mamando. Mas se seu filho faz coco e xixi regularmente, não apresenta sinal de desidratação e está ganhando peso, parabéns ele está se alimentando bem. E o processo é assim, quanto mais o bebê suga, mais leite você produz, uma relação de procura e oferta mais que perfeita que só o tempo pode ajustar.
Nos primeiros meses, é normal que a criança mame com freqüência e horário irregulares. Com Laura foi assim: ela não acordava para mamar. Dormia feito uma anja. A noite toda e o dia inteiro. Foi preciso que eu interviesse e, nos primeiros dias, a acordasse de três em três horas. Até hoje não sei se agi corretamente. Foi indicação dos médicos, mas, no meu coração de mãe, naquele momento, a recomendação encontrou acolhida. Era duro! Dava dó! Mas eu o fiz. Pensava estar fazendo o melhor para ela.
Laurinha parecia uma ratinha, de tão pequenininha. E antes de cada mamada, era necessário que eu a despisse por completo e fizesse uma série de cosquinhas. Ficávamos as duas assim, peladas. In natura, mãe e filha...
Aos poucos, ela mesma começou a expressar sua necessidade. E hoje, graças a Deus, minha filha mama muito. Mama a hora e o quanto quer. Mama de manhã, às vezes a manhã toda. Mama durante a tarde. À noite, tem diminuído as mamadas. Mama por volta das 23hs e depois só acorda no dia seguinte, às 7hs da manhã, muito bem disposta a mamar de novo e recomeçar um dia inteirinho de mamadas. Assim nos sentimos felizes. Além de saciar a fome dela, saciamos nossa necessidade de estarmos juntas e nos amarmos.

Self-service ou Livre Demanda
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de tempo de permanência na mama. Até os seis meses de idade, com exclusividade, e até os dois anos, como alimentação complementar. Essa ausência de restrições é o que se chama de Amamentação em Livre Demanda. A criança aprende a “buscar” o suprimento do tamanho da sua necessidade. Aqui em casa, vamos nos mantendo assim... livres. Outro dia, minha avó disse que estou deixando Laura “mal acostumada” (como assim????), pois não se passara meia hora de uma mamada e ela estava de volta ao meu peito para mamar. Perguntei a ela se ficaria satisfeita caso tivesse sede e alguém a impedisse de beber água, caso tivesse fome e alguém a impedisse de comer. E emendei: da primeira vez ela bebera água, agora é hora do jantar.
Aliás, sabe que isso faz sentido? O leite do início da mamada, o chamado leite anterior, pelo seu alto teor de líquido, tem aspecto semelhante ao da água de côco, mata a sede. E ele é muito rico em anticorpos produzidos contra os agentes infecciosos com os quais a mãe já teve contato. Já o leite do meio da mamada tende a ter uma coloração branca opaca devido ao aumento da concentração de caseína. O leite do final da mamada, o chamado leite posterior, é mais amarelado devido à presença de betacaroteno, pigmento lipossolúvel presente na dieta da mãe. Ou seja, a concentração de gordura no leite aumenta no decorrer de uma mamada. Assim, o leite do final é mais rico em energia (calorias) e sacia melhor a criança.
De forma que não há necessidade em se iniciar os alimentos complementares antes dos seis meses, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança, pois a introdução precoce de outros alimentos (até mesmo de chazinhos e água) está associada a maior número de episódios de diarréia; maior número de hospitalizações por doenças respiratórias; maior risco de desnutrição, se os alimentos introduzidos forem nutricionalmente inferiores ao leite materno; e menor duração do aleitamento.
Além disso, na amamentação, os sabores e aromas de alimentos consumidos pela mãe acabam sendo transmitidos para o bebê, de forma que o leite materno oferece diferentes experiências que vão refletir nos hábitos alimentares da criança e, em conseqüência, do adulto. Ou seja, crianças que mamam no peito aceitam melhor a introdução da alimentação complementar. Sem falar que o aleitamento materno diminui o risco de alergias; diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes; reduz a chance de obesidade; provoca efeito positivo na inteligência; é responsável por um melhor desenvolvimento da cavidade bucal da criança. E, em contrapartida, a mulher que amamenta está mais protegida contra osteoporose e diversos tipos de câncer. Mas, se tudo isso ainda não for suficiente, amamentar ainda auxilia a perda de peso adquirida com a gravidez, já que o organismo da mulher precisa “queimar” calorias na produção do leite.
Como se vê, amamentar é muito mais que encher a barriga. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Além de constituir a mais sensível e eficaz intervenção para proteção e nutrição, é também a mais econômica forma de alimentação
Plano de Amamentação
Muito embora na minha família quase todas as mulheres dissessem não à amamentação – alegando que não tinham leite – nunca passou pela minha cabeça a possibilidade de não amamentar minha filha. Também sempre ouvi de muitas primas dizerem que não amamentaram seus filhos para não deformarem seus seios. Gente!! Meus seios são o que mais gosto no meu corpo e nunca também passou pela minha cabeça que amamentar pudesse torná-los disformes.
Um dos pontos fundamentais em meu Plano de Parto era poder amamentar Laura no primeiro momento de sua chegada. E isso pesou muito para que eu escolhesse o Parto Natural, queria ter a certeza de que minha filha não sairia dos meus braços antes de nos desfrutarmos da primeira mamada.
Essa decisão, eu tomei a partir dos diversos artigos que li. Eles me fizeram entender que, além de contribuir para a “descida” mais rápida do leite materno - que pode demorar até três ou quatro dias -, fortalecer os laços afetivos mamãe-bebê, e transmitir segurança àquele serzinho que acabara de chegar a um ambiente totalmente estranho (onde a partir de então precisaria que alguém satisfizesse suas necessidades, ao contrário do ambiente uterino, onde tinha tudo o que precisava sem esforço algum), Laura estaria recebendo logo “sua primeira dose de vacina” (devido à elevada presença de anticorpos no colostro), além de uma espécie de “elixir” (vou chamar assim) que a prepararia para as futuras refeições, claro, no peito da mamãezinha.
É que uma pesquisa realizada pela Queen Mary, Universidade de Londres, revelou uma substância chamada PSTI (pancreatic secretory trypsin inhibitor - em português, inibidor da secreção da tripsina pancreática) que protege e repara o intestino delicado dos recém-nascidos. O PSTI impede que o pâncreas seja danificado pelas enzimas digestivas que produz. E, segundo os cientistas, apesar de ela ter sido encontrada em todas as amostras de leite materno, está presente em níveis mais altos no colostro (aquela aguinha rala que sai nos primeiros dias antes do leite propriamente dito). Bem, o fato é que até hoje, com quase três meses de vida, Laura nunca teve uma só colicazinha.
Mas, a despeito de todo o poder nutricional e da proteção que o leite materno proporciona, o que me parece mais incrível é o laço que ele cria entre mim e minha filha. As trocas de olhares, o chamego daquela mãozinha sobre o meu peito enquanto adormece com a boca no bico, a barriga com barriga, o calor e a respiração. A amamentação nos matém assim, juntinhas! É maravilhoso observar que os meus seios latejam e começam a chorar a cada instante que Laura, sozinha em seu berço, desperta para mais uma “mamazinha”. Ela não precisa sinalizar, são eles que me avisam: é hora de mamar.
Eu e Laura nem bem começamos nossa curtição e  os conselhos já começaram a pipocar. Uns dizem que não devo deixar a menina mamar assim tão livremente pois ela pode se “viciar” (hahahahaha) e depois “será um custo tirar esse vício”!!! Alguns sugerem a introdução da chupeta para acalmá-la, do contrário, só vai dormir “chupetando” o meu bico. Que privilégio! Antes isso. Uma chupeta livre de bactérias, que não deforma os dentes e que eu posso lançar mão dela a cada suspiro. Outros já vêm logo perguntando se antes de terminar a licença à maternidade tratarei de disciplinar a Livre Demanda. O quê??? Fazer minha filha sofrer por antecipação? Se o sofrimento tiver que vir que seja adiado pelo maior espaço de tempo possível. E para os que querem mesmo saber quando pretendo iniciar o desmame: perguntem à Laura, somente ela poderá dizer quando tem a intenção de recusar a “mamazinha” da mamãe.
Na nossa sociedade, dita moderna, a mulher, com freqüência, sente-se pressionada a desmamar, muitas vezes contra a sua vontade e sem que ela e o bebê estejam prontos pra isso. Existem vários mitos relacionados, tais como as crenças de que o leite da mãe é prejudicial para a criança sob o ponto de vista psicológico, que ela jamais desmama por si própria, e que menino que mama fica muito dependente. Mas o homem é o único mamífero em que o desmame se dá por influência desses fatores socioculturais. Com a Laura, espero que o desmame seja um processo no seu desenvolvimento. A independência é uma parte disso tudo e chega pra todos; para uns, mais cedo; para outros, mais tarde. Minha filha será dependente enquanto ela precisar, e enquanto quiser minha bichinha permanecerá aninhada. Eu, mamífera e mãe disposta a dar o melhor de mim, estarei atenta acompanhando, participando e esperando, naturalmente, o crescimento e a independência da minha Laura. Neste dia, ela estará apta a cortar mais este cordão que nos une, vencendo mais uma etapa de adaptação nesta escola que é a vida. Eu estarei feliz, vendo-a correr para sua individualização.
E, como boa provedora, espero poder doar a ela o meu sangue, do mesmo jeito de quando estivera dentro da minha barriga, porém agora em forma de leite, por muito tempo ainda. Graças a Deus que tudo isso já é, em nosso país, um caso político. Viva o Lula que estendeu minha licença por seis meses. Para quem ainda não se ligou, se liga, existem leis que incentivam e protegem as mães que amamentam os seus filhos (clique aqui).

IMPORTANTE: AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE POST SÃO FRUTOS DE LEITURA E REINTERPRETAÇÕES DE UMA MÃE DE PRIMEIRA VIAGEM, PARA ASSEGURAR-SE DE INFORMAÇÕES TÉCNICAS E CIENTÍFICAS É ALTAMENTE RECOMENDADO IR DIRETO ÀS FONTES.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Laurinha Inspiração!

Gente, estou preparando o texto sobre a Amamentação, conforme prometido. E tenho várias outras coisas para compartilhar, como as travessuras que Laura vem aprontando nesses dois meses de vida (ela já bota a língua pra gente, chama pra brincar, aprendeu uma dancinha que inventei com um mantra que eu ouvia quando estava grávida e faz beicinho se não danço com ela sem parar... uma graça, até gravei, mas estou relutando em publicar...).
Estou aqui hoje, de passagem, rapidinho para contar que nosso relato está inaugurando o Twitter do Núcleo do Bem Nascer!!! Quanta honra para nós. Que essa história feliz sirva de inspiração a tantas mamães e bebês quantos forem os acessos, pois é essa a nossa intenção.
Vamos humanizar todos os nacimentos dessa Terra!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Capítulo II: Aprendendo o beabá

No dia seguinte ao parto, eu olhava para Laura e não cabia em mim de contentamento: aquele bebezinho era todinho meu!!! Tinha a sensação de que minha vida seria dali pra frente um eterno brincar de casinha. Laura permaneceria ao meu lado por um período INDETERMINADO (minha vontade era escrever PARA SEMPRE, mas como dizem que filho a gente cria para o mundo, contentarei-me com um "indeterminado")! Pelo menos por longos oito meses (quer dizer, eu pensava que seriam longos, mas já se passaram dois corridésimos!!), estaríamos grudadas: seis da licença, mais duas férias que deixei acumular pensando em dedicá-los à maternidade.

Ao deixar a Casa de Parto, nós não sabíamos ao certo para aonde iríamos. Nossa casa continuava em obras. Não queria me hospedar com parentes, nem amigos. Queria viver plenamente aquele começo de vida nova, na quietude da minha solidão (claro, para “minha solidão”, leia-se eu, Laura e Wilson). Como eu e ele não temos mãe, nem tia, irmã ou prima mais velha por perto, desde o início sabíamos que não haveria a quem recorrer, nenhuma ajuda externa, nenhum aconselhamento sequer. Sabe como é, né? Avós são excelentes para aqueles momentos em que as novas criaturinhas não param de chorar. Têm sempre uma receitinha milagrosa, uma simpatia, um jeitinho safo de carregar... Mas, pra falar a mais pura verdade, quem me conhece sabe que eu jamais me adaptaria a este esquema “dependência familiar”. É aquela história, assombração sabe pra quem aparece, e pra quem não deve aparecer também. O que vejo várias amigas contar é que por mais que mães e sogras amem e tenham a mais boa vontade acabam criando atritos (inclusive entre elas mesmas) por divergências de opinião. E angu mexido com mais de uma colher de pau acaba desandando.

Ah, neimmmm! Prefiro fazer as coisas do meu jeito a ter que ficar discutindo com pessoas, bem intencionadas (outras nem tanto assim) a me dizerem como devo agir. Sempre fui de quebrar a cabeça e, muitas vezes, a cara também. Mas sempre dei muito valor a tudo o que aprendi e conquistei com muito custo, e, porque não, um bocadinho de dor! Se não há ninguém pra ajudar, o melhor é que ninguém há também pra atrapalhar. Por isso, nossa gravidez e a vida pós-chegada da Laura foram muito bem planejadas. E olha que muita coisa saiu do script, como a famigerada obra (leia-se, o gerenciamento dos pedreiros) e a falta de um local adequado pra ficar nos primeiros dias. Mas, afora isso, basicamente eu e Wilson sabíamos que iríamos ter que dar conta de todo o serviço da casa, além de cuidar de um bebê recém-nascido, diga-se de passagem, arte sobre a qual éramos ambos totalmente inexperientes. Combinamos, desde o início, que ele ficaria por conta do lar e eu me dedicaria cem por cento à Laura, pelo menos nos primeiros momentos. É óbvio que, na realidade, em algumas tarefas eu tenho que ajudá-lo, como passar as roupinhas dela, às vezes, lavar um banheiro, correr um pano na casa, fazer comida. Mas este é um assunto que merecerá um post inteirinho pra ele, um capítulo hiper, super, mega especial: o nosso planejamento familiar.

Bebê a bordo sem bula ou manual

Durante toda a gravidez, eu estudei muito sobre o assunto. Lia artigos acadêmicos, blogs, sites. Sabia a cada semana (dia e, se bobeasse, hora) o que se passava com Laura em seu desenvolvimento. Termos científicos, como tocólise, lanugo, mecônio, e outros, faziam parte de um vocabulário familiar. Contudo, a vida do bebê extra-uterina, eu, protelei e, confesso que me esqueci de pesquisar. Tudo seria pra mim, pra nós, a mais assustadora, mas também a mais instigante, novidade. Noites antes do nascimento, ficávamos imaginando o que faríamos quando, felizes da vida, chegássemos com aquele “embrulho” em casa.

Bem, neném não vem com manual (frase mais que batida, mas deu vontade de colocar). Se viesse, eu leria tudinho (adoro ler manuais de eletro-eletrônicos e bulas de remédio). Mas acho que de nada adiantaria, pois, pelo muito que ouvi dizer, cada criança é de um jeito e cada mãe e pai sabe a melhor maneira de lidar com sua cria. Basta estarem dispostos a ouvir, observar, serenar, agir com a cabeça, mas principalmente, com o coração. Imagina, Laura passara nove meses dentro de mim! Eu brinco que ela é meu pedacinho de carne! E mãe tem o instinto para guiá-la. Saber como pegar, aconchegar, prover, alimentar...? Há meses vínhamos treinando nossa forma de comunicar. E, naturalmente, nós já tratávamos Laura assim, como se deve, um ser dotado de inteligência, desejos e necessidades. Conversávamos muito com ela ainda na barriga e explicávamos toda a nossa situação. Eu pedia que ela fosse boazinha. Que chorasse quando tivesse que chorar, mas que já viesse sabendo o tipo de mãe e pai que iria encontrar.

No livro Nossos Filhos são Espíritos (do qual falei no Relato de Parto), o autor desenvolve um raciocínio interessante: ele diz que o bebê, quanto mais novo, tem uma enorme capacidade de entendimento. Segundo ele, para suportar as limitações do corpo ainda em formação, o espírito traz vivas as lembranças do mundo espiritual, o motivo de estar na Terra e o seu propósito encarnatório, sua bagagem moral e intelectual. E, à medida que vai desenvolvendo o corpo, inversamente, vai se tornando “mais criança”, para, então, aprender tudo de novo. Nós, Wilson e eu, acreditamos nisso. E, cotidianamente, Laura tem nos provado o quanto é capaz de atender aos nossos pedidos e compreender nossas limitações.

É claro que o recém-nascido humano depende dos cuidados dos pais, e ela absolutamente não é diferente. Muito mais que cuidar, é preciso ser mãe e pai. E isso requer muita disponibilidade, física e emocional. É preciso muito afeto, mas também muita disposição e dedicação. É lógico que para o bom desempenho da minha função eu tenho precisado de consultores, como jovens e velhas amigas, cunhadas, médicos, livros, sites, blogs, minhas queridas listas de discussão... Mas tenho a consciência de que, por mais que não sejamos experts, eu e Wilson nos preparamos para nos doar à Laura. E isso é o que mais conta: nossa disposição em ouvi-la, estudá-la, compreendê-la e amá-la. Não pretendemos terceirizar nossa missão.

O caminho tem sido árduo (e isso inclui perder o jogo do Brasil na Copa do Mundo, caso do Wilson que ficou lavando roupas da Laura, enquanto eu a amamentava ou brincava, pois ela exigiu o tempo todo a minha atenção; invariavelmente comer comida fria; tomar banho depois da meia-noite; ficar horas com vontade de fazer xixi...), mas muito compensador. Estamos cansados, mas não exauridos. A cada dia, Laura nos renova. É um mundo mágico, gigante, e estamos apaixonadamente dispostos a vencer cada etapa, cada dificuldade. E, como já disse, é sobre cada uma delas e sobre essas primeiras descobertas que falarei nos próximos post, e irei, assim, tecendo este blog.

Quarto Trimestre de Gestação

A primeira coisa que descobrimos antes mesmo de sair com Laura da Casa de Parto é que, assim como todos os bebês, mesmo com 38 semanas de gestação, ela não nascera pronta! De todos os mamíferos, o bebê humano é o único que, para conseguir sair do ventre da mãe (bípede e, por isso, com a bacia mais estreita que os quadrúpedes), precisa nascer antes de atingir toda sua maturidade. Seria impossível a expulsão natural, pela vagina, por causa do desenvolvimento do perímetro cefálico, se ele nascesse, por exemplo, com doze meses de gestação.

Por isso, em sua maioria, os nossos “fetos extra-uterinos” sentem muito frio (ainda não são capazes de manter a temperatura ideal), espirram e tossem muito (estão a amadurecer o pulmão), sentem cólicas (por falta de amadurecimento do sistema digestivo), precisam ser colocados para arrotar, e vêm com uma série de “defeitos de fábrica”, como Refluxo Gastroesofágico (o que responde pelas famosas golfadas), Reflexo de Moro (pequenos espasmos causados por sustos), Reflexo Gastro-Cólico (uma tal diarréia benigna, que é o esvaziamento do intestino tão logo o estômago recebe novo alimento), além de precisarem chorar para se comunicar.

Quase todos esses nomes eu e Wilson fomos descobrindo à medida que Laura ia nos apresentando os sintomas. Dessa lista toda, escapamos das cólicas (que ela nunca teve, Graças a Deus) e do choro (minha bebezinha é uma anja, ela quase não chora, apenas solta uns resmungos graves e bravos quando não conseguimos captar de imediato sua mensagem, mas é só nos conectar e ela logo sorri!).

De fato, o comportamento dos recém-nascidos é muito variável e depende de vários fatores,
como personalidade, experiências intra-uterinas, o tipo de parto vivenciado, fatores ambientais, incluindo o estado emocional dos pais e, principalmente, o estágio de maturação que ele nasce. E eu acredito que ter estado sozinha com Laura desde o primeiro dia foi positivo no processo desse reconhecimento. A ocasião fez o ladrão e como toda mamífera tenho sabido como lamber minha cria. Foi por meio dessas peculiaridades que acabei descobrindo, por exemplo, a Amamentação por Livre Demanda, a Cama Compartilhada, o uso das Fraldas de Pano e o Colo como Extensão do Útero. Para compreender tudo isso, foi preciso rever conceitos e, principalmente, libertar-me dos preconceitos. Mas, como tudo isso foi fruto da experiência, tenho me sentido segura das minhas escolhas, certa de que poderei revê-las e mudar de rumo, guiada pelas necessidades de Laura.
No próximo post, falaremos sobre como cheguei e porque optei pela Amamentação por Livre Demanda. Até lá.