Alguns ecos...

Alguns ecos: a maioria destes textos é tecida de matéria prima que Laura me oferece, e também das várias leituras a que ela me induz, mas que muitas vezes, introjetadas, não consigo nem mais citar a fonte. Contudo todas elas podem e devem ser acessadas por meio dos meus Gadgets.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Enfim... o Natal...


Atualizando... com certo atraso... aí vai como ficou nosso presépio na Noite de Natal.

Na semana do dia 16 de dezembro, recebemos o reino animal. Papai Wilson trouxe o camelo, o burrinho, o boi, a ovelhinha...
Lemos as historinhas: "Como ao Boizinho foi prometida uma grande alegria"; e "A Canção de Ninar".



Construímos também uma árvore, no galho seco (lindo, rsrsrs!) que foi a árvore dos desejos da festa de aniversário de 2 aninhos da Laura. Penduramos nele algumas pinhas e sementes que trouxemos da Serra do Cipó! Deixamos no gramado, de frente pra casa. Adornamos também com luzes brancas. Eu adorei!




Significado:
Árvore de Natal:
No mundo, milhões de famílias celebram o Natal ao redor de uma árvore. A árvore, símbolo da vida, é uma tradição mais antiga do que o próprio Cristianismo, e não é exclusiva de uma só religião.
Muito antes de existir o Natal , os egípcios traziam galhos verdes de palmeiras para dentro de suas casas no dia mais curto do ano em dezembro como um símbolo de triunfo da vida sobre a morte.
Já o costume de ornamentar a árvore pode ter surgido do hábito que os druidas tinham de decorar velhos carvalhos com maçãs douradas para as festividades deste mesmo dia do ano.A primeira referência a uma " Árvore de Natal" é do século XVI. Na Alemanha, famílias ricas e pobres decoravam árvores com papel colorido, frutas e doces


Finalmente... depois de muita expectativa, nossa cena natalina aportou conosco nos mares de Arraial D'ajuda! Sim... fomos para a praia e as pedrinhas da lagoa e da cachoeira ganharam reforço da areia e das conchinhas do mar da Bahia de todos os santos... as plantinhas de Lagoa Santa foram acrescidas de plânctons de água salgada e o alecrim da Tia Mônica... 

Fizemos uma comidinha simples e honesta. Sob o olhar da madrinha, do padrinho e da amiguinha Sofia, Laura trouxe o menino Jesus em sua manjedoura. 

Sofia completou com os anjinhos. Ouvimos do papai a história "O Estábulo"; cantamos parabéns; sopramos a velinha; trocamos presentes simples, significativos e verdadeiros e dormimos embalados pelo som do mar....


Laura se manteve atenta e ativa em tudo. Interessou-se profundamente pelas histórias, especialmente àquela da Noite Santa. E, agora, sempre que vê uma estrela brilhando lá no alto diz que deve ser a Estrela de Belém! É gratificante ver o significado que a data  25 de dezembro tomou para ela.


Em 2013, teremos muitas histórias mais para contar...

Histórias passadas... nossas aventuras pelas cachoeiras do Cipó, pelas praias da Bahia, e o caminho para a nova escolinha...
Ficamos devendo as fotos da festa de aniversário de 2 aninhos, que ficou linda, produzida pelas mãos de uma fada-Madrinha!!! Será um dos próximos posts, eu prometo!
E muitas aventuras que ainda iremos viver!

Que venha 2013 repleto de paz, luz, prosperidade, simplicidade, amigos e realizações....
E, como diria minha pequena Laura:
 "Tudo de bom pra mim; tudo de bom pra você; tudo de bom pra nós! Namastê!"

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Nós não temos Papai Noel!


No nosso Natal não tem Papai Noel.
Não tem neve.
Moramos no meio dos Trópicos, dizemos não ao consumismo e odiamos o bonecão da C***-C***!
Natal, pra gente, sempre foi uma data linda e muito importante: é quando comemoramos o nascimento do Menino-Jesus.

Meu marido e eu sempre ficamos muito chateados com as decorações de Natal promovidas pela prefeitura da nossa cidade e patrocinada com o nosso dinheiro. Em lugar do presépio - que é a representação do verdadeiro significado da cena natalina - reproduções horrorosas do espírito capitalista. No altar, o velhinho gordo de roupas vermelhas, provocante - verdadeira ode ao comprar, comprar, comprar.

Na nossa casa, especialmente nessa época fazemos questão de trazer um pouquinho da natureza para mais perto de nós. E, este ano, o nosso Advento foi ainda mais especial! Capitaneados por uma linda garotinha, estamos os três fazendo um caminho inverso ao que o capitalismo nos propõe: estamos entrando cada vez mais para dentro de nós!

Enquanto lá fora as lojas fervilham de pessoas desesperadas por corresponder ao espírito do Capital, nós buscamos silêncio e resgatamos o que para nós é o verdadeiro espírito do Natal.

Limpamos a casa, cortamos a grama...abrindo espaço para o novo! E, agora, a cada domingo, trazemos um Reino da natureza para compor o nosso presépio; acendemos uma vela colorida (a cada semana uma cor); e, antes de dormir, contamos uma bela história para nos prepararmos e esperarmos pela Noite Santa.

Natal pra nós é o momento mais que especial para transmitir à nossa menina nossa tradição espiritual. É repetir o que tentamos fazer a cada domingo, quando botamos flores à mesa para enfeitar nossa oração.

Domingo passado, sentamos os três para confeccionar os personagens: Maria, José, os animais... foram obras do Wilson; eu modelei os anjos; e Laura, por conta própria, nos presenteou com a manjedoura (hahaha e, fez também um "coco"). Escolhemos materiais simples como papel de pão e cola. Simples como foi o dia a dia e o exemplo que Jesus nos deixou. Simples como a vida que queremos conquistar.
No primeiro dia do Advento, trouxemos para o presépio o Reino Mineral, pedrinhas que catamos em volta da lagoa, na beira da mata, trouxemos da cachoeira, do parquinho próximo à nossa casa e até do nosso quintal; acendemos uma vela verde dentro da lanterna e contamos a história " A Viagem de Maria sobre as Estrelas". Um grande anjo completou a cena, nos lembrando que há 2012 anos, ele desceu à Terra para anunciar um momento especial. O nosso dia foi, todo, uma verdadeira oração!

Até o Natal, todos os domingos, manteremos a tradição. Um novo Reino chegará ao presépio, uma vela de outra cor e uma história mais.
No dia 25, nascerá o Menino-Jesus em nossos corações. Vamos trocar presentes para comemorar mais um aniversário de Cristo! De preferência, presentes feitos por nós. Até lá, nosso presépio terá recebido o Reino Vegetal (folhas, sementes, flores, musgos); o Reino Animal (besouros, joaninhas, moscas, bois, camelos, ovelhas); os Humanos e os presentes - Maria, José, os três Reis Magos, Pastores, incenso, mirra, ouro; e, por fim, o Menino-Deus.

Queremos, ao compartilhar este post, propor que todos os pais reflitam sobre o mundo que pretendem deixar para os seus filhos e, principalmente, sobre que filhos que pretendem criar para este mundo! O Natal é uma ótima oportunidade, não acham?!


Dia 10 de dezembro de 2012
Atualizando...




Ontem, o nosso presépio ganhou o Reino Vegetal. Acendemos uma vela verde e contamos as histórias de São Nicolau e dos Vaga-lumes de Natal!


Sugestões para o seu Advento:

http://www.jardimdasamoras.com.br/anjos_advento.htm
http://praticaswaldorf.blogspot.com.br/2011/11/o-advento-passo-passo.html
http://jardimmaturi.blogspot.com.br/
http://www.festascristas.com.br/advento/advento-textos-diversos/471-chegando-o-natal

Interessante também:
A verdadeira história do Papai Noel


sábado, 24 de novembro de 2012

Terrible Two... no meio do caminho, um retiro... Beautiful Two, Three, Four...




Aos 13 meses de idade...
Cadê meu anjinho que estava aqui?

B.A.T.E.U  A.S.A.S  E  V.O.O.U........

A famosa Crise dos Dois Anos chegou como um furacão. Foi um tapa na minha cara! Literalmente. 

O título do email que mandei pedindo socorro às amigas maternas: "1 ano e 4 meses: ela grita, bate e SE estapeia!"

Laura teve um nascimento super tranquilo, foi um RN tranquilíssimo, nunca teve cólicas, parece que nunca sentiu dor, só aprendeu a chorar aos 7 meses (qdo descobriu que essa era uma forma de comunicação bastante eficaz), teve muito colo (ainda tem), muito peito (ainda tem), é criada apenas por mim e meu marido. Não temos parentes próximos, nem babás e ela apenas se relaciona com outras crianças socialmente, em raros fins de semana. Laura começou a desenvolver a fala muito cedo. Com 6 meses falou mama e papa. E hoje fala praticamente de tudo. Claro, não formula frases. Mas faz associações, conta histórias, diz o que quer e fala perfeitamente muitas palavras, com referências claras a masculino e feminino, plural e conjugação dos verbos que utiliza. Ou seja, parece-me que não há dificuldades em se comunicar. Do nosso lado, nunca forçamos nada. Mas sempre conversamos muito com ela. Aliás, antes mesmo de concebê-la. Assim foi durante a gestação. E, depois que nasceu, sempre explicamos tudo a ela. Se vamos trocar a fralda, se vamos dar banho, porque precisa comer, etc, etc... Sempre dizemos a ela que confie em nós, porque estamos incumbidos de educá-la, que a amamos muito e que queremos o melhor para ela, etc... Acontece que, de um mês pra cá, ela está tendo comportamentos insuportáveis. Eu e meu marido estamos muuuito tristes, pois jamais imaginaríamos sentir isso, pelo menos tão cedo. Afinal, embora todos dizem que ela seja "muito adultinha", ela é ainda um bebê e, ao mesmo tempo, é tão doce minha menina!!! Faz charminho, me dá vários beijos e abraços espontâneos ao longo do dia, faz carinho e até massagem, sem que eu peça! Mas a história que quero contar começou assim: sempre que contrariada, ela dá gritos raivosos, como se estivesse nos xingando e muito altos. Aliás, a primeira vez que isso aconteceu, ela tinha 5 meses, rs, e foi com a nossa cachorra. A frequência e a intensidade dessas manifestações foram aumentando. Evoluíram para os tapas. Ai os tapas! Na nossa cara.  Eu sempre segurava a mãozinha dela e dizia firme "não pode", "isso não é legal", "isso machuca", "ninguém nunca fez isso com você", "não se pode fazer isso com ninguém". Daí, como observamos que a ação é deliberada, tipo, ela olha nos nossos olhos e lasca o tapa em nossa cara, apelamos para o castigo. Um minuto no berço para pensar, depois voltamos explicamos o porquê e ela nos dá um beijo e faz um carinho como se pedisse desculpas. Hoje ela chega a fazer o movimento do tapa e depois diz não com a mãozinha, ou seja, entende bem porque esteve de castigo, entende que fez algo de errado e mostra que o faz porque quer fazer. O pior é que, agora, ao invés de nos estapear (ai, nem sei o que é pior!), ela estapeia o próprio rosto, sempre que é contrariada, como se estivesse se punindo da vontade de nos bater para expressar o seu descontentamento (bem essa viagem é da minha cabeça, rs!). Eu explico tudo de novo, tento explicar-lhe os seus sentimentos, digo que aquilo é normal, que todo mundo sente raiva, mas que não podemos nos bater ou bater nos outros, digo até que ela pode gritar se quiser. Agora, estou adotando a tática de fingir que não vejo, simplesmente ignoro para ver se surte algum efeito. Eu não sou a pessoa mais delicada do mundo, mas não gritamos com ela, e, claro, jamais levantamos a mão para minha filha. Gente, isso é comum nessa idade? Sei que a fase da birra começa mais ou menos aos dois anos. Mas essa agressividade não é prematura? Não sei o que fazer... Já devem imaginar a nossa tensão a cada vez que ela se aproxima de outra criança, né? Se alguém já passou por isso, conte-me sua experiência, por favor.

Com a experiência das mulheres que me responderam - elas diziam que tudo isso era absolutamente normal -, e, principalmente, com a minha experiência, aprendi um pouquinho... Revi minhas atitudes, me arrependi de quase todas, mas decidi que o mais importante era ME melhorar! Um ano depois, fui capaz de responder a outra materna que passava pelas mesmas questões, com o seguinte email:
Acho que sua filha está descobrindo que é um ser autônomo, com vontades, sensações, necessidades e CAPACIDADES independentes das suas. Está em uma das etapas de um processo, que começou com a crise da separação e vai se tornar mais premente por volta dos dois anos. E, provavelmente, tudo isso (que a gente lê como agressão) seja apenas ela testando a lei da ação e reação (ela bate brincando e tem uma reação de volta), testando a própria força, propondo algum tipo de relação. Bem... pelo que você descreve, não há agressividade (pelo menos ainda), apenas uma brincadeira... 

Nessa parte, lembrei-me da semana seguinte à festa de 2 anos de Laura, quando nos encontramos com os doces Julieta/Léo/Manu, e Laura deu uma "cutucada" na pequena Manuela. Manu chorou. Eu fiquei pra morrer de tristeza e vergonha. Mas vergonha mesmo eu senti foi da minha reação, pois, após me desculpar com os pais, comecei a justificar a atitude da Laura dizendo que ela estava cansada (e de fato estava, não havia dormido e estávamos na rua o dia inteiro; estávamos as duas cansadas). Porém qual não foi minha surpresa quando a pequena-grande respondeu: "Não, eu não estou cansada não. Estou descansada, descansadinha..." e me lascou outro tapa, na cara! Impotente e me sentindo profundamente agredida em meus brios por aquele ser de pouco mais de meio metro de altura, mas com tamanha decisão, ameacei botar de castigo! Ordenei que pedisse desculpas à amiguinha e lá tive outra resposta: "Eu não vou pedir desculpas não. Não vou pedir desculpas nenhuma!". No final das contas, ela acabou pedindo, QUANDO quis. Eu fiquei muito triste e falei sobre esse sentimento por longos minutos com ela.

Percebendo de fato minha tristeza, horas depois, ela me pediu desculpas também e disse que não faria aquilo de novo, pois não queria ver a mamãe triste: "Eu queio a mamãe feiz". Passou uma semana bem diferente, relembrando o acontecido, fazendo questão de afirmar que Manu era muito bebezinha e que era sua amiguinha. Teve até febre. Recuperou a temperatura, transformada. 

Compreendi que, além do desejo de pegar e do descontrole de força, movimentos e intenções, Laura se sentia preterida diante das crianças mais novas. Nossas conversas sobre a Manu e outros bebês, bem como sobre nossa expectativa em ela ganhar e ajudar a cuidar de um irmãozinho ou irmãzinha, fizeram-na entender que poderia exercer com brilhantismo outra função social e continuar sendo amada, da mesma forma. Os carinhos, nos pequenos, puderam então se tornar suaves.

No final das contas, além da alegria por termos superado essa questão, restou-me culpa e vergonha, muita vergonha. Vergonha por não ter compreendido minha filha naquele momento. Culpa por tê-la exposto e a ameaçado com castigo - uma humilhação, de fato. Vergonha por ter me sentido impotente. Mas, mais vergonha ainda por perceber que meu desequilíbrio fora fruto tão somente da minha vaidade. Do desejo insano de ter uma filha bem "educadinha", bem "comportadinha". Ou melhor, seria dizer: bem (con)formadinha! Com as intensidades sob (meu) controle. Muito embora educação seja fundamental.

E assim seguiu-se o email com o qual eu, já "experiente", respondia à outra amiga:

E eu acho que você deveria se concentrar mais na sua reação, que propriamente na ação que ela faz. Pois a forma como você lida com isso é que poderá agregar significados pra ela... Se te machuca, diga isso de forma firme, e diga que não gostaria que ela continuasse fazendo, pois machuca. Sem alterar a voz. Sem imprimir "violência". Se ela insistir, apenas a contenha e tente a distrair para outra brincadeira, outro foco, sem dar muita importância à ação.Pois quanto mais ela conseguir "causar" com isso, mais ela vai gostar da brincadeira e vai agregar importância ao que faz, percebe? Tenho lido muito sobre o comportamento infantil, pois aqui em casa estamos às voltas com uma pequena em plena fase do Terrible Two. E hoje, percebo o quanto eu deixei de acolher de forma apropriada, naquela época. Morro de tristeza e vergonha, quando me lembro de que chegava a colocar Laura por 1 minuto contida no berço, para pensar no que tinha feito. Que bobagem! Ainda bem que sempre há tempo de nos refazermos e sermos melhores. Agora, eu entendo que naquela época ela agia absolutamente sob impulsos, não conforme sua (in)capacidade de entendimento. Não fazia para me desafiar, não fazia para me irritar, muito menos para me machucar e tampouco conseguia associar o "castigo" com o não-fazer da próxima vez. Ok, ela entendia que havia feito algo que não era legal, mas na próxima vez, ela não associava a consequência (ficar presa no berço) com o que estaria prestes a cometer. Simplesmente porque crianças (bebês) dessa idade ainda prescindem de determinadas sinapses nervosas,  e, por isso, agem absolutamente sob impulsos. Seu cérebro ainda não está formado. É físico. São intensas, inclusive, em sua maneira de acariciar. E sobre "castigo"... ai, sem comentários... Péssimo! Quem sou eu, que autoritarismo é este, que faz me julgar no direito de castigar alguém? Claro, não era bem um castigo... era aquele tal "cantinho do pensamento" da super **** (que deveria arder na fogueira)... hahahahaha. Afinal, criança se ensina com amor, com exemplos, com compaixão! A fase que ela está agora é outra. Ela consegue agir com alguma compreensão (não absoluta, claro, mas já tem lá suas motivações racionais) e eu ainda me debato em conseguir entender que não há agressividade por traz de suas ações... Mas, se ainda é difícil para eu compreender dessa forma, hoje eu acolho. Eu a contenho, eu a abraço, e como percebo que agora há sim algum sentimento que move aquela ação, eu tento traduzir para ela o que ela sente. E digo que a frustração dela tem causa, algumas vezes digo que é possível inverter a situação, em outras tento acolher a decepção dela mesmo e digo que nem tudo é como a gente gostaria que fosse. Digo que se ela quiser pode bater na almofada para botar pra fora o que está sentindo, já que não consegue apenas se livrar daquilo falando.... falando...mas não nas pessoas. E sempre digo que ela vai um dia aprender a dizer o que está sentindo sem precisar gritar, bater, porque ela é ser humano e que os seres humanos são capazes disso. Hahahahaha, daí, quase sempre o descontentamento dela passa e ela diz "é, eu sou gente, né mamãe, eu não sou igual a Eti e o Nou  (nossa cachorra e gata)" . Enfim, tento me colocar no lugar dela, sentir o que ela sente e ajudá-la da melhor maneira possível a compreender e se desvencilhar daquela emoção. Às vezes conto como era comigo quando pequena... E ela adora saber e reage a isso. Mas nós estamos em outra fase, eu acho. Como disse, percebo que as ações dela agora são movidas por sentimentos de frustração, de descontentamento, de contrariedade, de raiva e às vezes há violência sim, por que não? 
Daí, quando pensei que realmente tinha chegado a um termo, eis-me escrevendo novamente em busca de auxílio, uma quase auto-análise:

Sabe, na última semana venho me sentindo um lixo... Como é possível olhar para aquele "espelhinho",  ver tanta candura, tanta doçura, tanta beleza, mas, ao mesmo tempo, tantas dificuldades que há em mim (essas sim, há em mim)! Absolutamente em mim! Na hora, não encontro a danada da paciência. A sempre controladora aqui tem, não raro, perdido o chão. Sinto raiva, dor, decepção. Se saio de perto, receio estar abandonando minha “bichinha” em seu (meu) mar de emoções. Se fico, não consigo contribuir. Falo, xingo e, por fim, chego a gritar. Depois, morro de vergonha! De culpa! De remorso! Não tenho conseguido poupar energias nem para brincar... Minha pequena consegue ser encantadora, doce, meiga, amável e carinhosa – uma companheira. Parece-me que o intelectual é um pouco avançado para a idade e o emocional não acompanha. É de uma criança de 2 anos e meio! Talvez, por isso, acaba sendo cobrada por aquilo que ainda não dá conta de responder. Por outro lado, às vezes tenho a impressão de que essa "inteligência" contribui um pouco para que ela seja muito "opiniuda". Tudo ela "sabe", tudo tem que ser do "jeito dela", na "hora dela", com "ela no comando". Cedo muitas vezes, até para que ela possa exercer sua autonomia. Aliás, cedo sempre que acho possível. Por outro lado, penso que pode ser que também exijo muito... Não amiúde, entro numas neuras de que não a tenho deixado ser bebê... Ai! Como dói essa ilusão de que conseguirei um dia ser uma mãe perfeita! Pudera, antes, ser um ser humano em perfeição... Eu fiquei em casa por conta da Laura por 11 meses, com ela no colo, ou melhor, no peito.E até hoje ela tem meu colo,  mama e mama muito. Quando digo sobre não deixar ser bebê, refiro-me a tratá-la como se ela, de fato, tivesse tal maturidade que nós "achamos" que ela tem. Porque, realmente, a linguagem dela é muito desenvolvida. Desde 1 ano que ela fala. E já há mais de 1 ano fala de tudo. Até para reclamar, ela fala de tudo. Categoriza o mundo: masculino e feminino, o que é bicho, o que é objeto, o que é planta, de que material as coisas são feitas... Recita trechos de Romeu e Julieta (rsrsrs), declama poesias de Cecília Meireles e Léo Cunha, solfeja Mozart com uma batuta invisível nas mãos, pede para ouvir Beethoven, reconhece canções de Gilberto Gil ...rsrs... tudo isso é muito sério! Presta atenção em conversas e participa também com seriedade. Tem muita concentração e é obstinada por aprender. Os olhos até brilham! Mas isso não quer dizer que ela saiba expressar seus sentimentos. Embora, para o esbugalhar dos meus olhos, sempre diga:  "Ah, eu vou bater, bater é bonito", ou "Ah, eu vou jogar no chão, jogar no chão é bonito", ou "Ah, eu vou cair, vou machucar, machucar é bom", "Ah, eu vou deitar no chão frio pra ficar dodói, ficar dodói é bom", "Ah gritar não é feio não, é lindo, lindo, lindo, lindo!". Sempre com a voz em soprano... rsrsrsrs. Ai, e como esse "Ah" me irrita! Sempre achei ser muito importante conversar e explicar todas as coisas. E, desde que ela nasceu, fazemos assim. Só que com essa de conversar e explicar, receio passar da conta. Como se esperássemos um entendimento racional por parte dela, quando, na verdade, a fase em que ela está é do sensorial... Portanto, eu sei que não adianta esperar que ela aja conforme o entendimento, pois ela vai agir conforme o seu instinto, na maioria das vezes. E, daí, eu ter consciência disso e conseguir botar em prática... é um longo caminho. Sobre deixa-la sozinha, entregue à fúria, apenas  observando de longe... Uma pedagoga Waldorf, bastante experiente, disse-me que pode não ser legal, pois a criança acaba se perdendo naquelas emoções, sentindo-se abandonada e insegura, quando, na verdade, ela precisa de uma mão para sair dali. Ela aconselha apenas segurar no colo e conter. Em silêncio. Apenas conter. Só que, não raro, isso não funciona também aqui em casa. Se eu a seguro, ela fica mais enlouquecida!
Quando eu consigo manter a calma, eu explico o que ela está sentindo. Se é raiva, vergonha, contrariedade, cansaço, fome... Às vezes até sugiro que ela bata em uma almofada para extravasar. E ela o faz. Mas não posso ficar fazendo isso sempre, em uma reunião de pessoas, por exemplo, senão ela vai viver batendo em almofadas e eu, andando pra todos os lados com uma debaixo do braço... Algumas vezes, só d'eu chamá-la para explicar o que está se passando com os seus sentimentos, ela já me olha e pára de chorar. Escuta, compreende e me dá um abraço em agradecimento. É uma belezura que me enternece! Mas nem sempre consigo agir assim. Principalmente quando a reação dela é de agressividade. Ela não é de birra. É mais de dizer: "eu vou fazer". E isso me tira do sério. E quando saio do sério, perco tudo! Perco a confiança e a segurança que ela sente em mim. As reações dela nesses momentos de "contrariedade" não são propriamente de um bebê... São, de certa forma, sagazes por demais... E é isso que me assusta, e, às vezes, irrita. Porém percebo que irrita porque são os meus ecos. E eu quero dissonar esses ecos que podem influenciar gerações, como vêm me influenciando há décadas... Penso tanto nisso! Especialmente quando decido, loucamente, mudar um ciclo de crueldades, um ciclo que vivi, minha mãe viveu, minha avó... Definitivamente é o que de melhor desejo fazer na minha vida: ser MÃE. E me esforço desesperadamente para isso. Mas o mais desesperador é saber que há de haver um rompimento interno. E eu não sei como fazê-lo... Muitas vezes, quando estou perto, me canso. Agora mesmo, sinto-me tão cansada! Assim como ela, eu também nem sempre tenho controle de mim. Ou seja, eu preciso me educar. Mas essa autoeducação é que é difícil! Bem difícil.... É isso que estou tentando confessar... 

Meu despreparo em lidar com uma criança diferente


Desde que me aventurei por este maravilhoso mundo da maternidade, os objetos de estudo aos quais me submeto pululam aos meus olhos, invadem meu coração e me consomem horas e horas de leitura, análise, discussão e reconhecimento.
Não foi diferente com a chamada Terrible Two - a Crise dos Dois Anos, quando tudo, a princípio, é movido pelo "NÃO!". Mas não é um "não" qualquer, daqueles cujo objetivo é negar. Agora, o não é afirmação. É o sim para o "EU" que desperta, se impõe!

Confesso que ganhei na loteria! Laura foi uma bebê, como não canso de dizer, que sequer chorava. Não teve cólicas, dores de ouvido, nunca ficou doente, sempre comeu bem, não raro dorme a noite inteira, é muito esperta, inteligente e é linda, linda mesmo! Generosa e carinhosa! Bem, o que mais uma mãe poderia querer?!

Uma filha que, do alto dos seus 95 cm, é capaz de impor suas vontades, com argumentos, uma capacidade incrível de concatenação e uma linguagem absurdamente desenvolvida. Sim, o que mais eu poderia querer? 

Minha filha, com 2 anos de idade não faz birra! Não se joga no chão, não chora por horas inconsolavelmente, não morde, não perde o apetite e não deixa de comer, de brincar, não nega entrar no banho, nem sair...não fica doente! Mas... para o meu susto e desespero, ela argumenta, grita, e argumenta! Argumenta muito! E insiste nos seus infinitos "porque (s)". 

Bem, eu já havia estudado sobre essa fase e já havia também me preparado para lidar com ela: contê-la, abaixar-me, olhar nos olhos, explicar, explicar, explicar de novo, para, às vezes, ignorar. Mas confesso que tamanha determinação da pequena-grande ariana me tirou dos eixos! Escrevi quilômetros e quilômetros de emails para as listas, até descobrir que a personalidade forte da minha filha me desafiava e que o baixo grau de tolerância à frustração era MEU, não dela. E que não havia nada de agressivo em suas ações!

Suspeitei também que talvez, para o próprio bem, ela devesse ser menos esperta. Pois sua sagacidade e perspicácia me provocava esperar por comportamentos mais adultos que a pequena criança não poderia me dar.

Até que, dia desses, fomos convidados a participar de um retiro infantil. Sim. A ideia era deixar os pequenos nas mãos de três grandes-poderosas maternas em atividades da antroposofia e da yoga, enquanto nós, os pais, pudéssemos fazer o que quiséssemos. A possibilidade de, pela primeira vez em 32 meses, fazer algo sozinha, ou com o Wilson apenas, fazer algo só para mim, era fantástica. Ainda mais sabendo que Laura estaria tão bem. 

Primeiro veio o medo. E com ele, mais um email às amigas-maternas:
Também estou morrendo de medo de como será a relação da Laura com as outras crianças. Ela parece ignorar qualquer regra de convívio em grupo (tem 2 anos e meio e nunca conviveu com mais de 1 criança de cada vez). Também morro de medo, de medo.... de medo de ter vergonha e muita vergonha de ter medo de ter vergonha! Conversei com uma das organizadoras esta semana, e ela me disse que eu é quem preciso relaxar, olhar para mim, não para Laura. Que pelo que ela viu da minha menina, não há nada de errado com ela e apenas com a tensão que trago em meu coração... Bem... continuo com vergonha do medo que sinto de ter vergonha, medo de incomodar... enfim... vergonha de olhar pra mim e descobrir que isso, no fundo, para além de não querer incomodar (O QUE É REAL) é também pura vaidade!!! Ai que vergonha!
Por fim, decidimos ir. E sabe o resultado? Voltamos absolutamente transformados...
Eis, mais um relato:

O Retiro Jai Arte foi transformador! Descobri (ops!) eu sou normal, minha filha é normal, minha família é normal! Todas as crianças, por uma vez que fosse, tiveram seus momentos, rsrsrs… E, cada vez mais, pude perceber como o controle é nosso – mães e pais. Em um dos dias lá no encontro, ela voltou da caminhada – após o almoço – e quis mamar. Eu sabia que era hora do soninho (sagrado de todos os dias). Seus olhinhos, sua respiração mais lenta, suas mãozinhas acariciando o mamá não me deixavam dúvidas. Mas não dei ouvidos à sua comunicação. Queria que ela aproveitasse todas as atividades. Insisti e entrei com ela na salinha da oficina. No meio da atividade, sem motivos aparentes (pelo menos aos olhos dos outros), ela gritou, gritou muito alto. Daqueles gritos que me tiram do sério. Parecia querer “agredir”. Apenas “parecia”. A desculpa que me dera fora que a cola sujava suas mãozinhas… e ela não queria ter as mãos sujas! De forma rara, eu não me envergonhei com a “agressão”. Eu havia entendido o recado. Fora preciso atendê-la em sua necessidade. Carreguei-a no colo. Levei-a para lavar as mãos e expliquei: “meu amor, você está com soninho”. Laura pediu então para voltar à sala, despediu-se dos amigos e disse que ia “mimi”. Fomos para o quarto, ela ainda chorou um pouco debaixo do chuveiro, enquanto eu cantava para ela. Mamou, dormiu. Mas, mais uma vez, eu não respeitei os limites dela. Acordei-a, pois já era hora do jantar. Ela não quis comer com o grupo. Voltou para o quarto chorando de novo. Dessa, fora a vez do pai. Fui para a contação de histórias e deixei-a com ele, para que NOS acalmássemos. Minutos depois, voltei ao quarto e lá estavam eles me esperando para terminarmos a noite, de volta, na companhia dos amigos e das histórias… Aprendi mais uma vez! E no dia seguinte, tudo foi perfeito. Ela brincou, compartilhou dos momentos QUE QUIS, dormiu seu sono tranquilo e nos sentimos mais inteiras, mais felizes… O bom é que há sempre uma oportunidade!

Nesse convívio, além de perceber que Laura não tinha comportamento destoante, pude observar como os outros pais mantinham a naturalidade diante do comportamento de seus filhos e como essas crianças conviviam em harmonia! Em Laura, enxerguei a menininha doce e amigável, capaz de relaxar, fazer yoga, produzir, imaginar, brincar com crianças mais velhas e crianças mais novas. Querida por todos! 

"Sua filha é um doce, está super preparada para a escolinha. Não há nenhuma agressividade no comportamento dela. Ela é uma lady!" - ressoam ainda os tão esperados comentários na minha cabeça, como se fossem um decreto ao meu coração. Conclusão que eu já havia chegado, mas precisava de uma confirmação! Observar-nos nos outros. Sim, quando a gente não convive em grupos, perde-se os parâmetros e as expectativas e as nossas exigências se tornam muito maiores.

A partir daí, em meio às crises, tenho procurado apenas ME conter. Respiro, e digo: "Vamos respirar? Respire fundo!” Ela respira junto. Daí, continuo: "Acha que ainda precisa gritar?". Às vezes, ela ri (com aquela capacidade que só ela tem de rir de si mesma) e diz que não. Outras, solta apitos que chegam a ensurdecer meus ouvidos. Depois sorri e diz: "Ponto! Agoia já tá bom. Guitei!". Ontem, ela estava sozinha na sala e parece-me que caiu. O pai ouvindo uns gritos de raiva foi ver o que acontecia. Laura respirou fundo, olhou para ele sorrindo e disse: "Eu estava picisando dar uns gitinhos aqui!".

Então, é isso: 'há poucos meses Laura dava os primeiros passos e eu me oferecia com muita paciência para apoiá-la. Dava minhas mãos a ela e suportava os desequilíbrios. Aprendi que com as emoções o caminho deve ser o mesmo e a paciência infinitamente maior. Minhas mãos estarão sempre aqui, para que ela as segure quando for necessário!'¹

Às duras penas, descobri que minha filha de dois anos e sete meses, quando grita e diz "não", não está querendo testar os meus limites, tampouco me desafiar, mas apenas expressar sua liberdade crescente. E eu, deixando-me perder no vale das vaidades, pensava que, com aquele extenso vocabulário e aquela desestabilizadora capacidade de articular seus pensamentos, Laura deveria ser capaz de agir conforme... conforme nem mesmo eu sou capaz. 

Hoje percebo que minha filha é uma criança. Simplesmente criança. Uma criança linda e normal como outra qualquer. Que precisa dos meus cuidados práticos, mas precisa mais ainda do meu acolhimento e da minha capacidade de traduzir... Traduzir para mim, traduzir para ela o que ela sente, o que ela pensa, e o que ela, de fato, quer. Precisa de uma mãe que a desarme com gentileza, não de uma mãe que a puna. Precisa de uma mãe observadora, capaz de intervir, desviando o foco do problema e mudando o rumo da história, prevenir ao invés de remediar. Precisa de exemplo de maturidade emocional!

Descobri que eu não quero uma criança obediente. Quero um ser humano que se sinta seguro, amado, respeitado e que, em consequência de tudo isso, colha amor, segurança e respeito como consequência de suas próprias ações. Estar atenta às necessidade básicas de sono, fome, sede, frio e calor. Mas, principalmente, às necessidades sutis. Dar a ela a possibilidade de escolhas e de decisão. Então, se a menina linda que tanto me ensina com sua infinita capacidade de amar e de perdoar, com sua curiosidade contagiante, autenticidade e sinceridade no olhar, quer sair com o pé vermelho de uma bota e o pé marrom da outra... Que devo eu fazer? Vamos lá dar créditos à sua capacidade de sentir-se bem. 

Mais que concluir que minha filha não é anormal e que as minhas expectativas é que estavam equivocadamente acima do normal, consegui entender que ela é igual a mim, igual a qualquer outro ser humano, que precisa ser ouvida, precisa se sentir acolhida, precisa ter suas necessidades físicas atendidas mas, sobretudo, precisa se expressar! E eu?  Ah, eu preciso de tanta coisa... Preciso aumentar o MEU limite de frustração com a independência dela. Preciso aceitar, com paciência, este seu processo de independização. Aceitar que ela está crescendo. Aceitar e confiar em suas capacidades. Compreender sua intensidade. Preciso, de fato, estar disposta e disponível para ajudar! Eu preciso agradecer a Deus a honra e a graça por me conceder acompanhar um serzinho tão "perfeito" (como todos nós seres-humanos), e pedir a ela perdão. Muito perdão! Agradecê-la por confiar em mim e por me dar a oportunidade de aprender a ser MÃE!

Meu caminho agora é esse, olhos nos olhos:
(não por acaso, sinto que a "crise" já passou! juro que passou!)


Ponto Zero) Equilíbrio.

Equilibrar-ME, pois o equilíbrio dela é reflexo do MEU. Identificar o que eu sinto. As minhas necessidades. As minhas dificuldades. As minhas frustrações. O meu desamparo.


1) Compaixão.

Sentir com ela o que ela sente. E, com isso, deixá-la saber o que eu sinto também. Como eu agia e como o mundo me retribuía quando eu tinha a sua idade! Como eu reagia e como isso ainda hoje reverbera em mim. Construir nossos "vínculos a partir da nossa REALidade emocional"².


2) Audição.

Escutar primeiro o que ela sempre tem a me dizer: suas motivações, suas justificativas, suas propostas. Respeitá-la.


3) Tradução.

Compreender o que ela, verdadeiramente, deseja, sem julgar. Nomear para que ela entenda seus sentimentos e suas necessidades.


4) 
Conecção // Disposição.
Oferecer a ela minha disponibilidade para ajudá-la, com o mínimo de "não(s)" e a maximização dos "sim(s)". Requer mais dedicação com sinceridade, presença emocional para além da física.

5) Confiança.

Confiar que ela é capaz de ter desejos, fazer escolhas e se sentir segura com isso. Aceitar que o processo é saudável e a independência... ah, a independência é inevitável.


6) Transição.

Prepará-la para as mudanças de ambiente, de atividades, de tempo e espaço. Para as minhas mudanças de planos e de humor. Chamar atenção para outro foco e desviar da questão-problema.


7) Foco e economia.

Importar-me com o que realmente importa. Ceder às vontades dela sempre que possível. Não supervalorizar o verniz social. O que os outros pais vão pensar não é o mais importante.


8) Adequação.

Saber que o adulto sou eu e ela a criança ÚNICA da história. Evitar os embates.


9) Humildade.

Assumir que eu também erro, voltar atrás e me desculpar quando necessário. Abaixo a soberba e o autoritarismo.


10) Amar.

Colocar o amor à frente de toda e qualquer ação!




Algumas das muitas leituras que me inspiraram (a segui-las ou contrariá-las), e que, de certa forma, foram fonte para esse texto:


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Estamos no Mamíferas!

 
Há 18 meses, minha preciosa fora coroada! Parece que foi hoje! Ainda revivo, a cada noite na hora de dormir, esses que foram os momentos mais importantes da minha vida, quando meu querido marido chorava, gritando emocionado: “Nasceu! Graças a Deus, a Laurinha nasceu!”.

Graças a Deus.

Hoje minha filha é do mundo. Está neste planeta o dobro do tempo que viveu em mim! Quantas saudades... Como ela mesma diz: saudades de quando ela morava “dentro do barrigão”! Felicidade por tê-la hoje aqui – linda, vívida, esperta, desperta!

Laura é muito especial! É a criança mais viva que um dia sonhei conhecer. A mais linda que jamais pude querer! Seu olhar, curioso, é inimitável, despido de preconceitos, inquieto, deslumbrado, enxerga a tudo com a pureza de quem vê pela primeira vez.

Laura é doce! Carinhosa e companheira! Com uma sensibilidade super aguçada, dá provas de que compreende bem tudo o que se passa, compadece-se com as situações, oferece seu abraço, seus muitos beijos e sua massagem!

Ela sabe o que quer. Mostra a que veio. É determinada, valente, obstinada. Nossa! Como é obstinada! Desde seus cinco meses de vida nos perguntamos: “Como é possível caber tanta personalidade em um corpinho tão pequeno!

É faladeira como ninguém! Fala desde que completou o primeiro ano. Fala tudo e, quando não sabe como falar, fala também. Inventa suas próprias palavras. Algumas são coringas: “Adê” é a interrogativa que serve tanto para “o que”, como “por que”, e “pra que”. “Aum”, que segundo o pai é o princípio de tudo - a primeira letra do alfabeto e o primeiro número – designa todo o resto que ela não sabe falar.

Eu tenho vivido assim... Aprendendo sempre!

Há oito meses fui convidada para escrever no Blog das Mamíferas sobre essa aprendizagem. Nossa! Que honra! Fiquei embaraçada. Muita responsabilidade. Rascunhei o texto que agora decidi, enfim, publicar, aqui. Ele continua atual. Parece que, a cada dia, mais vívido e intenso. Traz um pouquinho de nós, de como decidimos encarar esse encontro que nos une na Terra. E como temos tentado viver, lutando a cada dia, para encontrarmos a tal felicidade...

terça-feira, 3 de maio de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

20 Meses depois... mais um parto sem intervenções: a volta ao trabalho

Nossa, como ando sumida do blog!!! Juro, assunto é o que não falta! Ai, gostaria tanto de compartilhar todas as experiências... vejam só, não consegui ainda escrever sobre a Introdução à Alimentação Complementar da pequena, mas renovo meu compromisso em dividir isso com outras mães, já adiantando que com 1 ano, Laura continua uma "mamona"!!! Não escrevi sobre a experiência do engatinhar, do nosso mergulho na Medicina Antroposófica, da nossa adesão irrestrita à Alimentação Orgânica, da Festa Vegetariana e livre de açúcares do aniversário de 1 ano da minha querida filha!!! Mas tenho certeza de que todos estes assuntos serão temas para novos posts que, com certeza, irei me dedicar.
Hoje quero falar da minha volta ao trabalho: dizer que tudo foi muito mais tranquilo e orgânico do que podíamos (eu, Wilson e Laura) imaginar.  É que, com muito planejamento, tivemos a graça de passar por essa experiência quando Laura já estava prestes a completar 1 ano. Taí, acho que foi o tempo ideal! Nem menos, nem mais. Eu e minha filha pudemos nos curtir, e mais que isso, vivenciar todo o nosso processo de separação sem culpa, dor e atropelos. (Agora terei que trabalhar mais 3 anos consecutivos, sem direito às férias, para propocionar o mesmo tratamento ao BB2, hahahahahaha, ou me preparar para fazer diferente, já que o melhor é o possível!).
Durante os primeiros 11 meses de vida, Laura teve uma mãe completamente à sua disposição. Colo, peito, amor irrestritos! Tudo o que extrapolasse essa tríade, era assunto de segunda ordem em nossa rotina. Eu tive o privilégio de me deliciar de perto com todas as primeiras experiências e descobertas, foi um processo muito intenso e delicado. Tivemos todo o tempo do mundo para compreendermos, juntas, que nos tornamos dois seres independentes uma da outra, mas eternamente ligadas por um amor cúmplice e seguro que foi se construindo desde o ventre. 
O principal ensinamento que Laura me proporcionou foi de que tudo tem sua hora e que paciência é o ingrediente fundamental, não pode faltar! Ai, confesso, claro, as angústias sofridas em horas e horas seguidas de cadeira de balanço amamentando, enquanto todo o serviço da casa tinha que esperar. Ah, tinha que esperar!!! Respeitar as necessidades, os desejos, a vontade própria daquele serzinho que acabara de chegar... Tendo sempre em  mente o mantra: "tudo é fase e vai passar"! Respeitei e muitas delas já se passaram... deixando saudades, mas a certeza de que valeram à pena. Como valeram!!! E ainda me perguntam porque minha filha é tão alegre, "tão tranquilinha", tão segura, capaz de passar um dia inteiro com pessoas amigas, mas, a princípio, estranhas a ela, longe do pai e da mãe, sem reclamar!
Hoje, Laura não necessita mais do meu colo 24h por dia, quer mesmo é correr a casa engatinhanho, ou se agarrando nas paredes e nos móveis. "Dandá"! Nossa! Que alegria aquele sorriso ainda desdentado que expressa a felicidade da curiosidade, da conquista, da liberdade, do serzinho que quase anda, cambaleante. Da segurança de que o colinho encontra-se ainda disponível quando ela quiser e precisar voltar.
Laura (ainda que tenha como preferência número 1 o peitinho da mamãe), não faz da Livre Demanda desculpas para se manter plugada 24h no mamá. A transição para outros tipos de alimentação tem sido lenta e gradual, mas plena em sua evolução. Não tivemos e ainda não temos pressa: Laura experimentou outros sabores (frutas) com quase 7 meses de idade (quando já se mantinha sentada sozinha, há quase dois meses; quando já não mais tinha o reflexo da língua e podia engolir o alimento sólido; quando já podia, autônoma, aceitar ou recusar). Devagarinho, ela experimentou, um por um, os sabores dos legumes, das verduras, dos cereais, das oleaginosas. Nos mostrou tendências de um paladar que ainda está a se formar. Com 8 meses, teve respeitado o seu desejo de voltar à Amamentação Exclusiva. E agora, depois que a mamãe saiu para trabalhar, é capaz de bater um pratão, tomar suco e ainda exigir a frutinha como sobremesa, carinhosamente preparados e oferecidos pelo papai.

Mas, claro, nem tudo são flores...

Fácil não é. Ainda mais quando se opta por caminhos que, à primeira vista, parecem mais difíceis. Mas os parcos espinhos de hoje, tenho a convicção, serão flores que já vemos brotar.
No último post que publiquei, tive a oportunidade de falar sobre nossa escolha (minha e do Wilson) em não oferecer à Laura nenhum tipo de bico (chupeta, mamadeira, copinhos de transição...). E, certamente, isso foi um dificultador em nossa adaptação. Afinal, bico serve de consolo (eu acho que é engodo) e mamadeira faz bem o serviço para os pais. MAS... as consequências, na nossa opinião, com certeza, nos dariam muito mais trabalho e nos fariam menos felizes, com a consciência menos em paz.
Uns dois meses antes de voltar ao trabalho, comprei uma bomba de tirar leite e dei início às tentativas do estoque. Ainda que Laura já estivesse apta a comer outros alimentos, achava importante deixar meu leite à disposição para ser dado no copinho de cachaça, com o qual ela bebe água e, raríssimas vezes, suco (não dou leite de vaca pois entendo que leite de vaca é para bezerro, o leite da Laurinha nasceu com ela, nos seios da mamãe). A ideia era que, pelo menos, Wilson conseguisse dar a ela o leite materno misturado às frutas e cereais. Mas, nosso investimento foi praticamente em vão... A espertinha não aceita o leitinho fora da fonte nem por decreto! É capaz de identificá-lo em meio às frutas e a recusa é veemente. Se fosse na mamadeira, TALVEZ aceitasse... O resultado é que a garota agora se pluga em meu peito às 16h e se solta Deus sabe lá a que horas da manhã do dia seguinte... quando então saio para trabalhar. Aceita o jantar muito mais ou menos, mas ainda exige, a cada duas colheradas de comida, uma pausa para mamar. Assim vamos seguindo, até que ela se sinta pronta para romper mais este vínculo, ao que, tenho certeza, não se furtará.
Na primeira semana, pensamos que dormir longe do peito fosse ser mais uma dificuldade. Mas essas criaturinhas são espertas. Passado 1 mês, Laura já entende a rotina proposta pelo pai. Depois da fruta da manhã, é hora do banho morninho, uma musiquinha calminha, um aconchego no colinho e taí, a sonequinha da manhã ainda é irregular, às vezes tarda, mas não falha. E a danadinha que antes dormia, no máximo, uns vinte minutinhos, é capaz de passar 1 hora inteirinha adormecida para que Wilson tenha tempo de preparar o "papá". Para isso, acho que foi fundamental o fato de Wilson estar presente desde o momento do nascimento... assumindo as funções do banho, troca de fraldas, brincadeiras, momentos só dos dois... Foi fundamental eu me sentir segura e acreditar na cumplicidade dessa relação.
Ah, a preparação do "papá" também foi um pouco difícultada quando voltei a trabalhar. Nossa opção em oferecer à Laura apenas alimentos orgânicos e não oferecer-lhe nada, nada, nada industrializado, muito menos carnes, deu-nos um pouco mais de trabalho. Seria mais fácil se optássemos por recorrer às papinhas envidradas, aos eventuais congelados. Mas não. Mantivemo-nos firmes pela opção da alimentação natural e, sobretudo, alimentação viva. A solução foi estender a comida saudável da Laura a todos da casa. Resultado: hoje, todos comemos alimentos orgânicos, biodinâmicos, e, na medida do possível, até eu e Wilson temos tentado nos livrar do açúcar (utilizamos o mascavo, mel e rapadura), pois até o nosso café da manhã já está sendo "filado" pela piquitita. O jeito foi a mamãe se virar e diversificar os dotes culinários: tenho feito bolos e pães integrais, com frutas secas, nozes, castanhas, e todos saimos ganhando. Não raro ficamos, eu e Wilson, na cozinha até a 1h da manhã.
A única concessão às nossas escolhas é que às vezes usamos a fralda descartável. Entre lavar as fraldas de pano e curtir os momentos junto à Laura, tenho ficado, sem dúvidas, com a segunda opção. Mas sei também que é uma questão de dar tempo à nossa adaptação à nova rotina.
Escrito assim, parece que esse segundo parto foi sem atribulações. Não foi não. Mas seguimos firmes em nossa opção pelo natural. Nada de muletas, berçário e babás... Aos poucos vamos, os três, nos adaptando às necessidades uns dos outros. O Wilson fica mais cansado, ainda assim é capaz de segurar a onda sozinho por uma meia horinha de manhã para que eu possa me refazer da noite (dormida torta, amamentando). Laura faz a parte dela, que é se manter feliz e saudável. Hoje, quando peço a ela que diga "mamãe", a danada logo responde com o sonoro desafio: "papai!", hahahaha!!!E eu? Eu me explodo em satisfação. E quer saber? Achei que ia sofrer horrores longe da pequena, mas preciso confessar que não sofro nada. As horas que passo no trabalho são preciosas. É meu reencontro com minha solidão. Depois de 20 meses, eu revivo a sensação de ser só eu, na certeza de que no fim da tarde vou novamente me explodir em beijos e abraços. Por isso, na estrada, de volta pra casa, eu "corro, corro demais, corro demais, só pra te ver meu bem....".
Jamais poderia imaginar que faria isso por outra mulher. Mas faço, por você eu faço tudo, minha pequena grande Laura!!!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Copinhos de Transição: não caia nessa pegada!

Mamãe eu quero, mamãe eu quero chupeitar...
...só dá chupeta a mamãe que não quer dar mamá


Há muito estou precisando voltar os olhos e os dedos (principalmente) para as bandas de cá. Mas, como este mês comecei a trabalhar de casa, o tempo anda ainda mais escasso.

Por outro lado, o que não falta é assunto... Laurinha completou seis meses, há dois sarou da assadura (estou devendo um post sobre como exterminar assadura por fungos e, consequentemente, sobre leite materno x reflexo gastrocólico); há um, se livrou totalmente do refluxo gastroesofágico (mais uma dívida de post!); iniciamos a INTRODUÇÃO à alimentação COMPLEMENTAR (e este é um post que vai render pano pra manga, pois quero muito dividir minha experiência com todas as mamães de primeira viagem que por aqui passarem).

Depois, quero contar também sobre a aula de baby-yoga que participamos, sobre a nossa incursão na medicina antroposófica e sobre a experiência com a primeira e bendita febre na vida da minha pequena! Puxa, como esses cinco e seis meses vieram cheios de novidades!

Como tem sido um assunto recorrente não só nos fóruns de discussão que participo, mas entre papos de amigas e vizinhas, vou hoje, finalmente, falar sobre minha opção pelo NÃO uso de chupetas.

Na verdade, sempre fui radicalmente contra, a começar por ser uma muleta da qual se lança mão até quando (e somente!) é conveniente à mãe. Este mês, depois de comprar um copinho de transição para apresentar água e sucos à minha pequena, bateu-me uma grande dúvida! Percorri lojas e drogarias atrás de um modelo que fosse mais orgânico, cujo bico não permitisse o livre fluxo de líquidos, que exigisse a sucção, que fosse de silicone, que fosse livre de Bisfenol A, que tivesse a famosa válvula que impede a formação e a passagem de gases.

Ou seja, uma maratona: passos de uma mãe de primeira viagem. Para no fim, Laura fazer a maior disfeita! Simplesmente usou o copo como mordedor. Depois que se cansou, o mandou longe. E, claro, caiu de boca no peitinho da mamãe.

Cá entre nós, minha filha é inteligente. A natureza cuidou de dotá-la, assim como a todos os bebês, de instinto de sobrevivência. Não há enganação. Eles sabem o que é melhor. E eu, humildemente, a obedeço! Vamos à compra de um copinho, sem bicos, sem válvulas, sem silicone, sem muita perfumaria, sem a necessidade de chupação.

Chupeta passada em revista

Pelo que ando estudando, percebo que, atualmente, a chupeta (e, em consequência, mamadeiras, chuquinhas e copinhos com biquinhos, canudos e afins) tem sido desaconselhada até mesmo por pediatras mais conservadores, por causa da possibilidade de que ela interfira negativamente não apenas na formação da arcada dentária, do palato, mas na respiração, na deglutição, na mastigação e na fala, como também, o que é ainda mais assustador, no processo de aleitamento materno, entre outros motivos.

Tem-se verificado que crianças que chupam chupetas, em geral, são amamentadas com menos frequência, o que pode comprometer a produção de leite. Embora não haja dúvidas de que o desmame precoce ocorra mais comumente entre as crianças que usam chupeta, e, ainda que não sejam conhecidos os mecanismos envolvidos nessa associação, não é difícil inferir que o problema está diretamente relacionado à facilidade que é vendida à mãe para que essa possa se desincumbir da função de prover amparo, carinho, distração, calor e aconchego à criança.

É até possível que aconteça uma inversão na ordem dos fatores, ou seja, que o uso da chupeta seja um sinal de que a mãe está tendo dificuldades na amamentação ou de que tem menor disponibilidade para amamentar. Mas é inegável o fato de que o produto é mais uma das novidades que a puericultura tratou de introduzir na vida moderna para, desvirtuando a autêntica relação fêmea-filhote, aumentar os ganhos financeiros das indústrias e empresas que se mantém neste tipo de negócio, assim como foi com o leite artificial, com a mamadeira, com os carrinhos de carregar bebês, com as fraldas descartáveis, com os lencinhos umedecidos e com um número infindo de outros artefatos industrializados.

Não bastasse esse papel desarticulador da relação materna, a chupeta pode ainda ser responsável por uma ocorrência maior de infecções, como candidíase de boca (sapinho), otite média, estomatite, amigdalite, faringite e outras tantas "ites" que são infecções contraídas por contaminação oral, além das terríveis cólicas causadas por gases que se ingere durante a sucção.

A relação entre o uso da chupeta e a lactância

Estudos comprovam que os malefícios que podem vir à tona a longo prazo se estendem às mamadeiras e aos copinhos de transição. A comparação de crânios de pessoas que viveram antes da existência dos bicos de borracha com crânios mais modernos sugere o efeito nocivo dos bicos na formação da cavidade oral.

"Todos os copinhos que a criança precisa sugar através da formação de uma pressão negativa intra-oral não são funcionais e podem alterar a rota de crescimento dos ossos da face, por prejudicar as funções, trabalhando os músculos errados. Como consequência, aumentam-se os riscos de desenvolver respiração bucal, má-oclusão, patologias respiratórias, distúrbios de fala, problemas mastigatórios e deglutição atípica", diz a odontopediatra Andréia Stankiewicz. Além, é claro, de, como falado anteriormente, levar ao desmame.

Para sugar o peito, o bebê além de ter que se esforçar - colocando em funcionamento uma horda de músculos faciais - precisa "esperar" pela descida do leite. Mamadeiras, chuquinhas e copinhos de canudo contribuem para o desgringolar deste processo. Com o fluxo maior de líquido que esses artefatos permitem, em uma presteza que basta virar o recipiente, o bebê simplesmente se torna acomodado e, certamente, desaprende a pega mamária. A consequência, que tem como resultado invariavelmente o desmame, pode ser, além de fissuras causadas no seio, a sub-lactância, ou seja, bebê desnutrido: prato cheio para os entusiastas do complemento artificial.

A esse respeito, veja pesquisa realizada pela Liga do Leite - uma organização internacional não governamental, sem fins lucrativos, que oferece informação e apoio às mães que desejam amamentar seus filhos.

ChuPEITAR ou não chupetar, eis a questão!

Não raro, tem rolado em meu meio a discussão polêmica: "e se o seu bebê fizer seu peito de bico?". De cara, recomendo a quem pensa que o peito da mãe serve apenas à alimentação do filhote que prossiga com essa leitura. Ora, se não for fazer o meu peito de bico vai fazer o peito de quem? Já ouviram falar da Fase da Oral? Freud explica!

Aquela velha história que se ouve das amigas, avós e até de profissionais da saúde - "essa menina está te chupetando e vai ficar mal acostumada"-não faz o mínimo sentido. Primeiro porque o que é natural e original é o peito e não a chupeta; segundo, porque não há nada de mal em a criança chupeitar a própria mãe. Ao contrário, sinal de bebê normal e esperto, que sabe o que é bom, barato, e saudável. 

E, de mais a mais, isso é discurso de mulheres que ainda estão presas à revolução feminista, quando foram para as ruas queimar sutiãs e decretar sua liberdade! Mas hoje, os tempos são outros. A mulher pode provar ao mundo que é capaz de agir profissionalmente em pé de igualdade com os homens, sem precisar se abdicar da maternidade ativa!!! E para a mulherada que perdeu a oportunidade de viver sua feminilidade plena é muito difícil dar o braço a torcer e concordar que maternar com amor e disponibilidade é uma forma de empoderamento muito mais orgânica e eficaz que sair às ruas queimando peças íntimas, enquanto os filhos são deixados em casa com babás, televisões, mamadeiras e chupetas. Admitir isso seria dar a mão à palmatória, e amargar um tempo que não há mais como voltar atrás. 

Afinal, para além do Leite Materno - que é o alimento ideal e perfeito para qualquer filhote - amamentar é o contato mais divino, mais sagrado, de troca entre mãe e filho. Ora, bebês não necessitam apenas de alimento para o corpo, mas, sobretudo, de alimento para a alma recém-chegada neste novo planeta; precisa ouvir e sentir a respiração da mãe, o barulho do seu coração, precisa do seu calor, precisa se sentir aninhado, tal qual esteve durante nove meses, na barriga. Sobreviver longe do ninho em que estivera protegido, onde não necessitava sequer fazer esforço algum para matar fome e sede, e ainda ter que driblar as adversidades de temperatura e som totalmente novas para ele é muito difícil. 

Filhotes precisam de tempo para se acostumar à vida, aos seus corpos em formação, a todas as sensações que o seu organismo em recém-funcionamento lhes apresenta. Precisam de tempo para aprender suportar ou lutar contra a fome, a sede, o frio, o calor, as cãibras, a dor. E ainda que a mãe supra tudo isso... ainda assim, precisa de mais peito! Bebê é gente, sente medo, tédio, solidão... E, de mais a mais, quanto mais se oferece aos bebês, de forma natural, aquilo de que eles precisam, tão mais rápido eles aprendem a suprir suas necessidades sozinhos. Ou seja, bebê amado é adulto independente, seguro e feliz!

Mal acostumadas são mães que negam ao bebê aquilo que é dele por direito!  Mal acostumadas são mães que precisam se desdobrar em mil e uma mulheres para provar ao mundo que têm poder e por isso optam pelo desmame precoce (lembrando que OMS alerta para a importância do aleitamento materno e exclusivo até os 6 meses!). Claro que há exceções! Há aquelas que realmente, por forças de alguma circunstância, não podem, de fato, amamentar.


O problema (silencioso) dos Copos de Transição, canudos, bicos e afins...


Pensei que iria esgotar o assunto no texto acima, mas o fato é que em meus ciclos de convivência o tema tem dado mais pano pra manga do que eu poderia pensar... Cheguei a ser chamada de xiita e acusada por julgar mães que decidiram por escolhas contrárias à minha. Mas, muito longe de fazer um mea culpa, volto para reafirmar, de forma breve, o porquê da minha opção por não usar chupeta, mamadeira ou copinho de transição. Lembrando que cada um escolhe seu caminho, eu apenas explico como foi e porque escolhi o meu.

Recebi alguns emails e ouvi comentários de amigas também dizendo que “um pouquinho só não faz mal”... Ora, oferecer chupeta só para o bebê adormecer, dar a mamadeira só durante as mamadas noturnas, usar o copinho de transição só quando precisar... O problema é o “só”, até quando este tipo de necessidade será estendido. Até que se crie um hábito?

É claro que precisamos fazer algumas escolhas que vão de encontro às nossas convicções, pois são momentos em que necessitamos optar pelo “menos ruim” (sic). Mas isso não quer dizer que deixam de ser escolhas ruins. Optar por um parto cesáreo (ops, cirurgia não é parto!) quando o bebê está realmente em risco é uma escolha necessária, nem por isso a cesária, em sentido amplo, é boa. Optar pela indução do parto normal, às vezes, pode ser razoável, mas nem por isso a interferência deixará de trazer algum tipo de prejuízo à mãe e ao bebê, ainda que seja distanciar-se do natural. Optar pelo uso de mamadeiras, complementos artificiais e afins pode ser necessário, claro, mas nem por isso é o melhor.

Mas agora, venhamos, copinho de transição é demais! O que não faz a indústria do consumo para ludibriar mães de primeira viagem que, assim como eu, ambicionam o melhor para seus filhos, quando, na verdade, o melhor é tão simples e está tão disponível a todas nós.

Em primeiro lugar, copinho de transição é eufemismo! E a indústria deveria estampar em suas embalagens: “Este produto é similar a qualquer mamadeira. A única diferença é que ele vem com alças para 'facilitar' a sua vida e a do seu bebê!”. Facilidade que pode custar mais do que se imagina. E, por falar em custo (financeiro propriamente dito), copinho de transição é um artefato mais caro, exatamente porque vende este conceito da diferença, da evolução. O que, na verdade, é balela.

Em segundo lugar, transição de quê para quê? Se o bebê mama no peito (ou pelo menos deveria) e por n motivos (muitos deles alheios à vontade da mãe) precisa se alimentar fora da fonte original, porque precisaria passar por uma transição do peito para o copo, utilizando-se para isso de uma mamadeira com alças? Melhor ("menos ruim") seria então que o bebê mamasse direto na mamadeira, pois assim se evitaria uma falsa sensação de estar se fazendo o melhor (ou o "menos ruim"). Com a clareza de uma escolha consciente, a pessoa pode, inclusive, buscar outras alternativas tão logo lhe seja possível.

Se, como o próprio nome já diz, esses copinhos serviriam apenas para fazer a transição para copos normais, porque é que a maioria das crianças permanece com o hábito por anos e anos? Por praticidade? Por que não derramam nem se quebram? Por que a criança se acostumou, se afeiçoou... enfim... Qual é o nosso papel de mães e pais?

Ora, se um adulto tem dificuldades para manusear um copo de vidro ou ofertar líquidos a um bebê com a colher, o que esperar do filho que precisa aprender a controlar os movimentos, a força, a coordenação motora? Parece-me mais razoável que se treine primeiro os pais, os cuidadores, as babás e as mães a manusearem os artefatos que sejam pouco mais saudáveis.

O que não vale mesmo é, por comodismo, incutir, nos pequenos, hábitos e estímulos que podem lhes ser cobrado caro no futuro. Segundo a odontopediatra Andréia Stankiewicz, hábitos orais poderão ser perniciosos a depender de uma série de variáveis e não apenas do hábito em si. Por exemplo, o tempo versus a duração e a intensidade do hábito, associado ao biotipo da criança, pode fazer estragos para a vida toda. “O estudo da biotipologia nos mostra que existem crianças que são mais vulneráveis ao desenvolvimento de problemas, mesmo que o tempo versus duração e intensidade do hábito não sejam significativos. Normalmente são as crianças mais gordinhas (endoblásticas) ou aquelas bem magrinhas, com o rostinho mais fino e comprido (ectoblásticas) as que sofrem mais com os maus estímulos do meio. Por outro lado, crianças que têm um predomínio muscular (mesoblásticas) ou equilíbrio dos tecidos (condroblásticas) apresentam biotipos mais resistentes”, explica.

Ela chama a atenção para o mecanismo de sucção envolvido no processo, sem ficar preso aos rótulos: se é mamadeira, copo de transição, com bico duro, com bico de silicone ou com canudo. Dá tudo no mesmo!

“Quando existe uma sucção onde o líquido precisa ser extraído a vácuo (com a criança literalmente chupando), alguns músculos serão requeridos de forma diferente do que o aleitamento no peito, onde ocorre a ordenha do leite, sem pressão negativa dentro da boca, exceto na hora que o bebê posiciona o mamilo quase na garganta. Inclusive, quanto mais difícil de sair o líquido, mais esforço (errado) essa musculatura precisará fazer. E talvez isso atrapalhe o amadurecimento de algumas funções”, completa.

O que queremos dizer com este post é que existem outras opções, talvez menos bonitas ou coloridas ou divulgadas, e que não prejudicam o desenvolvimento orofacial e nem o organismo do seu bebê como um todo. E exemplos não faltam: copos ou xícaras comuns, mamadeira-colher, colherinha, conta-gotas, seringa, copo de cachaça. Algumas dessas devem se adaptar a maridos cuidadores e babás mais estabanados.

E sobre a ideia de que 'um pouquinho só não faz mal' ou 'meu irmão chupou chupeta e usou copinho de canudo a vida inteira e tem os dentes lindos', Drª. Andréia explica: "São estas crianças (que geralmente as pessoas falam que fizeram isso e aquilo e chuparam chupeta e tomaram mamadeira e etc e nada aconteceu) que, em geral, apresentam bruxismo e uma mordida profunda, sem que esteticamente existam grandes alterações".



Agradeço às maternas Luzinete Rocha de Carvalho e Andréia Stankiewcz pelas palavras pegas emprestadas e pela inspiração!

Leia (vale muito à pena!):

Considerações sobre a chupeta baseadas em evidências